Epílogo
New York. The Big Apple. Cidade de crimes e sonhos, beleza roubada. Estátua da Liberdade, ruas infestadas das mais diversas raças, cores e estilos. New York, New York. Cidade onde a querida Blanco vivera seus dias de solidão e infelicidade, onde ela cresceu, aprendeu a ser alguém; mesmo que fosse com os tapas fortes da vida complicada. Cidade que guardava sua mágoa e grande felicidade - ao mesmo tempo.
Eram quatro na limusine: Aguiar e Blanco de conversa íntima de um lado, e a pequena Wallace e o maravilhoso Chay de outro lado; um com cara de paisagem e o outro mais preocupado com as notícias do New York Daily.
- Estão falando da London Music aqui. - comentou Chay, chamando atenção dos pombinhos e de uma distraída Paige.
- O que estão falando? - perguntou Thur. Lua havia lhe dado o cargo como presidente da London Music, filial londrina, e voltado a cuidar dos negócios da família com mais cuidado. Os três, da nova trindade, ocupavam um bom espaço no mercado. A despedida da menina Blanco do seu cargo ganhou um festa privativa e um certo terror de sua parte quando se tratava dos negócios da empresa.
- Estão de volta: a dupla Aguiar & Suede voltam a comandar a renomada London Music. Blábláblá... Com um empurrãozinho da amiga íntima, a herdeiraLua Blanco, agora maior acionista, a dupla de negócios voltam a tocar a empresa que agora ganha filiais em NY, Paris, Milão, Lisboa e São Paulo. As filiais ficaram com siglas de acordo com o nome da cidade que se situa. NYM é a nossa nova revista de tendências e novidades do mundo da música e afins. -Chay parou para respirar - Acho que é só isso de interessante. Falaram do namoro de vocês dois, e de um designer famoso que trabalhará na NYM. Esse é aquele que você me falou, Lu?
Lua ajeitou os cabelos, pondo-se mais elegantemente sentada. Com Arthur ao seu lado, era meio difícil manter a compostura.
- Sim, é ele mesmo. Matt Persona comandará o departamento. Ele é um excelente desenhista, criativo até demais. Formou na minha turma, e radicado aqui em Nova York. - informou Lua, lembrando do tal homem. - Matt vai ensinar a você, Paige, tudo que precisa. Obedeça a ele e você fará parte do que você quiser nesse ramo.
Paige, calada até então, abriu um largo sorriso.
- Eu o vejo na televisão! Que emocionante, eu vou trabalhar com ele.
Foi então que Lua sorriu, sempre tramando alguma coisa. Ela não estava colocando Paige para trabalhar com Persona por nada. E foi exatamente isso que se provou quando chegaram ao grande prédio onde situava-se a NYM. Chay já estava indo pela terceira vez, conhecia o caminho, e foi abrindo alas para o quarteto passar.
Assim que a porta de vidro se abriu, o próprio Matt Persona apresentava-se frente à recepção. Vestido impecavelmente com terninho Gucci, a pele clara transluzia e os sapatos italianos eram dignos de um suspiro. A silhueta magra apresentou-se na frente do quarteto, e colocou uma mão para cumprimentar Lua. A mulher sorriu, e puxou Persona para um abraço; ele parecia descontente, não era do tipo que abraçava, mas ainda assim deu tapinhas nas costas da mulher.
- Não abraçar é anti-social, Matt. - disse Lua, separando-se dele.
- Não abraçar é uma questão de higiene, minha cara. - disse ele, ajeitando o seu terninho no corpo esguio e alto.
- Deixe-me lhe apresentar... - falou Lua, dando um passo pra trás. - Esse é o meu namorado, Arthur Aguiar, ele é presidente da filial original em Londres.
Os dois trocaram acenos.
- Esse é Chay Suede...
- Eu já conheço. Como vai, Senhor Suede? - perguntou Matt, cumprimentando-o com um aperto de mãos.
- Vou bem, Persona.
- E essa - disse Lua, puxando a menina ao seu lado - é Paige Wallace, a sua nova pupila.
Matt olhou a menina Wallace de cima a baixo, medindo-a. Arqueou uma das sobrancelhas bem feitas e finalmente pôs uma das mãos para frente, como se fosse cumprimentar. Antes que Paige levantasse a mão também, Lua deu-lhe uma cotovelada.
- Beije a mão dele. - sussurrou Blanco para a mais nova.
- Ele acha que é um rei, por acaso? - perguntou a menina petulante.
- Ele é o seu chefe e esse é o seu sustento. Agora seja educada. - disse Lua num tom superior. Paige sentiu-se intimidada pela voz dura da mais velha, e obedeceu-a, abaixando-se para tocar os lábios nos dedos do Persona.
- Vá mostrar seus trabalhos a ele. E mesmo que ele te xingue toda, acredite em mim, vai ter uma volta. - Lua falou baixo para Paige. Thur, ao seu lado, ouviu a conversa e soltou uma risada maliciosa.
- Uma volta? - perguntou ele, com um sorriso nos lábios.
- Sim. - respondeu ela, se dando conta do que Thur se referira. - Estritamente profissional! - corrigiu-se.
Thur riu, abraçando a namorada de lado. Chay já estava conversando com uma moça ao seu lado, tinha cara de secretária, mas era uma das redatoras da revista. Lu olhou-o com o coração aliviado, parecia que ele tinha superado a atração insana entre os dois. E, aliás, ela se sentia extremamente bem com um coração que instalava-se no seu corpo, mas pertencia ao homem ao seu lado, o chefe Aguiar.
- Matt, Paige vai te mostrar o que ela é capaz. Seja legal com ela, lembre do que eu te falei sobre alfinetar demais as pessoas. - disse Lu, enquanto Persona a encarava com um bico teimoso.
- Eu vou tentar. - disse ele, saindo de cena. - Siga-me, garota Wallace, eu tenho muito a te ensinar.
A 10th avenue fazia com que os pêlos do braço da Blanco arrepiassem. Sua infância e adolescência estavam sendo recordadas, enquanto aos poucos a limusine ocupada pelo conhecido trio chegasse à velha mansão Blanco; ou pelo menos o que sobrou dela. Paige Wallace agora era posse do grande Matt Persona, e Lua não se importava nem um pouco com o que Matt fizesse com Paige. Não por uma questão (puramente) de vingança, mas pelo fato de que Paige precisava perder aquela estúpida ingenuidade, e um toque de realidade e glamour eram os poderes mágicos do designer Persona.
A limusine estacionou entre a Fifth e a Madison Avenue. Uma belo chatteau se fazia ali, em cores acinzentadas, um tanto quanto mortas; porém com uma estrutura extremamente detalhada. Chay se perguntava por que Lu havia levado-os até ali, e por que diabos tinham que ser os dois juntos. Mas ele sabia que seria inútil perguntar, uma vez aquela mulher invocava com um mistério, só mostraria o que queria na hora que quisesse. Na hora certa.
Ela foi a primeira a sair da limusine, ajeitando o vestido quadriculado no corpo esguio. Aguiar seguiu seus passos, e por último, Chay pôs-se ao lado daBlanco. Ela encarava a casa de um jeito diferente, como quem desconfia; deu alguns passos a frente e encontrou o que queria. Uma pedra no chão dizia:"Os Blanco jamais serão esquecidos. Eis a memória de uma tragédia."
- A casa que eu morava era exatamente aqui. - Lu disse, saindo de todo aquele mistério. Seu olhar era vago, opaco, e as mãos estavam trêmulas. Thur percebeu, querendo aprumá-la em seus braços, mas ela recusou. - Meus pais morreram aqui. Essa é minha tragédia, esse é meu passado. Por isso eu quis que os dois viessem, eu devo isso a vocês dois... E a Emily, mas para ela já é tarde demais.
Ela entregou as mãos trêmulas, uma para cada chefe, e andou em passos decisivos até a porta da casa que jamais fora vendida, apenas reconstruída por cima de cinzas. Aberta com uma chave tão velha quanto a casa, a porta rangeu, antiga, para dar espaço a um cômodo de recepção. O trio conheceu todos os cantos e salas do chatteau em silêncio, até que parassem num quintal, sentados em um balanço de madeira. Juntos. Exatamente como Emily achara que daria tudo errado.
- Eu acho que estamos quites, não é? - perguntou Lua.
- É, estamos quites. - disse Chay, mexendo nos cabelos que agora estavam curtos demais.
- Por que você nos mostrou isso? - perguntou Thur, confuso.
- Porque... - ela hesitou. Deixou que os pensamentos fluíssem na cabeça. Ela sabia o que dizer, sabia quais eram as palavras, era apenas deixar escapulir, apenas falar. Lu pôs uma das mãos no peito, lembrando de seus pais, e de como ela jamais pode dizer o que queria a eles. Não podia perder uma oportunidade por orgulho, não mais, não tendo a certeza de que era a verdade. - Mostrei minha vida a vocês porque os amo.
Chay e Thur arregalaram os olhos. Como poderia ela dizer que ama!? Era um sonho, um delírio, mais um de seus devaneios?
- Não sei mais esconder quem sou. Eu amo vocês. Os dois. Cada um de uma forma diferente, mas eu os amo. E, se acontecer qualquer coisa, eu prefiro morrer sabendo que quem eu amava, sabia da verdade. - ela disse de uma vez, levantando do balanço.
Lua segurou a mão dos dois, levantando-os e abraçando os dois de uma vez só. Chay e Thur estavam confusos, se deviam ceder ao abraço ou não. Não se tratavam mais do mesmo jeito desde que ela apareceu na vida deles, desde uma brincadeira de fantasias - fantasias que se aplicavam tanto metaforicamente quanto literalmente. Os chefes entreolharam-se. Sorriram, e deixaram-se levar por uma sentimental Lua, que agora era capaz de dizer 'Eu te amo'. Chay falava mentalmente com Emily, 'Desculpe-me', ele dizia. Eles poderiam sim viver juntos, poderiam ser felizes juntos, nem que a felicidade durasse apenas alguns minutos. Porque isso era ser feliz, era ter mais momentos de alegria do que tristeza e melancolia.
O anel de prata no dedo de Chay escorregou.
'I Love
you forever'
At last my love has come along
My lonely days are over
And life is like a song
Ohh yeah yeah
At last
the skies above are blue
My heart was wrapped up in clover
The night I looked at you
I found a dream, that I could speak to
A dream that I can call my own
I found a thrill to press my cheek to
A thrill that I have never known
Ohh yeah yeah...
You smile, you smile Oh, and then the spell was cast
And here we are in heaven
For you are mine at last
Lua colocou sorrateiramente uma mão no braço de Thur, chamando sua atenção. E, apenas movimentando os lábios.
"At Last."
FIM
Gostaram ? Quero Muitos Comentários
:D



Ohh que lindo pena que acabou ;) mas foi uma ótima webb muitoo perfeita mesmoo,, parabéns arasouuu!!
ResponderExcluiramei
ResponderExcluirNão entendir nada
ResponderExcluirTambem amei sua web muito mesmo
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