CAPÍTULO 08 Parte 1 - CARLA
Arthur POV
Carla... Carla... Carla... O nome girava em minha
mente, quase fazendo a minha cabeça explodir. Eu que estava totalmente
relaxado, depois da noite intensa com Lua estava agora a ponto de explodir. Nem
sei quanto tempo se passou desde que Lua tocou em seu nome. Sentei-me na
poltrona de olhos fechados. Não queria ter falsas esperanças. Mas se Lua havia
dito que eram jovens... Eu precisava saber mais. Percebi que Lua tinha entrado
no banho, mas eu não sabia como tocar no assunto sem assustá-la. Ela entrou no
quarto devagar, receosa
talvez. Mesmo sem olhar pra ela, eu sabia que ela me encarava.
- Ar... Arthur? O que deseja com Carla?
Eu a encarei de volta. Seu rosto e seus olhos estavam
vermelhos. Seu corpo estava envolto num roupão.
- Você chorou?
Ela negou, mas não acreditei.
- Responda-me. O que deseja com Carla?
-Preciso falar com ela, Lua.
- Por quê? Vai fazer dela uma escrava também? Agora que
sabe que é jovem como eu. Quer saber se é bonita também?
Abri minha boca, mas sem emitir som. Então era isso?
Aproximei-me dela e fiquei de joelhos a sua frente.
- Está com ciúmes?
- Não seja ridículo.
- Está com medo que eu toque como fiz com você
ontem?
Minhas mãos se insinuaram em suas coxas, por baixo do
roupão.
- Pare com isso, Arthur. E mesmo se quisesse não
conseguiria nada com Carla.
- Eu só quero falar com ela. Na minha cama só cabe
você, bebê.
Ela continuou a me olhar desconfiada. Sim. Estava morta
de ciúmes.
- Vem cá. Vou preparar nosso café e te explico porque
preciso falar com a Carla.
- Não estou com fome.
Peguei-a no colo assim mesmo.
- Está muito manhosa e desobediente. Desse jeito terei
que castigá-la, bebê.
Fui com ela até a cozinha e deixei-a sentada.
- Quer ajuda?
- Não. Fique sentadinha ai.
Tomamos nosso café em silêncio. Mas assim que
terminamos Lua me pressionou.
- E então?
- Vamos voltar pro quarto? Tomo meu banho enquanto você
se troca. Não consigo pensar direito com você vestida assim.
E era verdade. Não era apenas desculpa para adiar nossa
conversa. Mesmo assim, o vestido que usava quando sai do banho não melhorava
muita coisa. Sentei-me na cama em frente a ela.
- Lua... Quantos anos tem essa Carla?
- Creio que 20 anos.
- Como ela é fisicamente?
- Por quê?
- Apenas responda.
- Tem a pele clara, olhos castanhos que nem você, mas
os cabelos são claros e compridos...
- Lua... Lembra-se que eu te disse que tinha uma
irmã?
- Sim... Que... Morreu junto com seus pais.
- Pelo menos foi isso o que pensamos. Os corpos
praticamente viraram cinza, não dava pra... Saber realmente.
- O que quer dizer com isso?
- Sabe com quantos anos ela estava quando seu avô a
pegou para criar?
- Acho que uns 10.
Meu coração disparou e minhas mãos suavam e
tremiam.
- Minha... Minha irmã se chamava Carla.
Lua arregalou os olhos e tapou a boca com as
mãos.
- Não... Não está pensando... Arthur?
- Estou pensando que a minha Carla pode estar
viva.
- não... Não pode ser ela, Arthur. Seria coincidência,
apenas.
- Eu sei. Por isso preciso tanto vê-la.
- Mas como, Arthur? Sem descobrir quem você é e o que
fez?
- Como vocês se comunicavam quando você estava
fora?
- Pelo celular... Às vezes pela internet.
- Então... Talvez...
- Arthur... Meu avô não sabe que as meninas têm
celular. Ele não permitia. Eu dei a elas escondido. Para que pudéssemos nos
falar.
Não consegui evitar de sorrir. Mesmo sem saber, Lua me
ajudara.
- Então obviamente seus telefones não serão
rastreados.
- Não. Eles não teriam coragem de contar a ele que
tinham o celular há tanto tempo.
Peguei meu celular no bolso e estendi a ela.
- Ligue pra ela.
Creditos: Elly
Martins



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