CAPÍTULO 08 Parte 2 – CARLA
Lua pareceu relutar e mordeu os lábios.
- Não confia em mim, Lua?
- Que merda... Confio.
Pegou o celular e discou. Assim que atendeu Lua já foi
logo avisando.
- Carla, não grita. Pode falar agora?
- Estou bem, Carla. Não... Esquece isso. Estou
sendo...
Ela me olhou analisando o que diria.
- Muito bem tratada.
- Carla, escute. Ele... O... A pessoa que está comigo
quer falar com você.
- Não, Carla. Não é resgate. Ele precisa apenas
conversar com você. Poderia fazer isso por mim?
Depois da resposta Lua se dirigiu a mim.
- Quando, Arthur?
- Hoje à tarde.
Informei onde gostaria de me encontrar com ela. Lua deu
as informações.
- Não diga nada ninguém, Carla. Nem à Soph. E não se
preocupe. Ele não é... Má pessoa.
- Obrigado.
Foi tudo o que consegui dizer quando ela me devolveu o
aparelho.
- Eu ficarei sozinha então?
- Será muito ruim pra você?
- Não gosto de ficar sozinha.
- Tentarei ser o mais breve possível. Não precisa
temer. Está segura aqui.
- Não tenho medo disso. Apenas não gosto de estar só.
Eu já... Me acostumei com você por perto.
Eu ri e a abracei.
- Eu preciso fazer isso, Lua. Ou irei
enlouquecer.
- Eu sei, Arthur. Não se preocupe comigo.
Também não me agradava muito o fato de deixá-la
sozinha. Sabia que estava segura ali, mas mesmo assim eu queria estar perto
dela. No entanto eu precisava tirar essa história a limpo. Se Carla realmente
estivesse viva, então meus motivos para ter ódio daquele homem triplicavam. Eu
estava muito ansioso e mal consegui almoçar. E assim que terminamos eu me
preparei para sair.
- Há vários filmes ai, CDs. Tente se distrair um
pouco.
- Que tipo de filme?
Lembrei-me do que coloquei para ela assistir da
primeira vez e entendi o porquê da pergunta.
- Não se preocupe. Nada de cunho sexual.
- Não me importaria se fosse... Só não
gostaria...
Seu rosto ficou vermelho.
- Diga.
- Não gostaria que você fosse o ator.
Abracei seu corpo com força. Era impressão minha ou Lua
também tinha algum sentimento por mim?
- Eu posso ser o ator, desde que contracene com você,
bebê.
Ela deu um sorriso tímido. Despedi-me dela com um
beijo.
- Eu volto logo.
Enquanto estava no jatinho eu pensava em como eu estava
encrencado. Eu não imaginava que Lua seria assim... Tão fogosa. E que me
deixaria louco de desejo por ela. O pior de tudo é que a bandida gostava de
tudo o que eu fazia com ela. Sorri com a lembrança das suas palavras. Eu
poderia ser um dominador. Com ela até que não seria má idéia, uma vez que
aceitou tudo até agora. Se bem que peguei leve com ela. Mas a encrenca maior
era que eu sabia estar apaixonado por ela. Burro... Burro... Por que não ouvi
os conselhos do Bernardo, do Micael, aliás, da família toda? Micael iria rolar
de rir quando soubesse disso. Melhor nem comentar. Pousei o jatinho no lugar de
sempre e dirigi-me ao local combinado com Carla. Usaria uma blusa branca e uma
calça preta como disse a Lua. Era um pequeno café e estava vazio. Por isso não
foi difícil localizá-la. Era linda, minúscula. Era ela. Eu tinha certeza. Mudou
muito nesse tempo todo. Também foram dez anos. Mas eu não me esqueceria jamais
dos seus trejeitos quando estava nervosa. Apertando os dedos das mãos e
piscando sem parar. Parei em frente a ela.
- Carla?
Ela ergueu os olhos pra mim. Uma emoção intensa
percorreu meu corpo. Eram os mesmos olhos doces e calorosos que eu me lembrava.
Sua boca se abriu e ela olhou pra mim de cima a baixo.
- Você... Você é o sequestrador?
Eu ri alto e me sentei. Estendi a mão para ela.
- Aguiar.
Ela continuava me olhando boquiaberta.
- Caramba... Se todos os sequestradores fossem assim.
Era ela. Eu tinha certeza.
- Imagino que seja um elogio, por isso agradeço.
- Onde está Lua?
- Está segura.
- Não
esta maltratando-a, está?
- Depende. Maltratar tem vários significados.
- Não brinque comigo. O que quer de mim?
- Conversar.
- Como posso ter certeza que Lua está bem?
- Você a ouviu. Não parecia bem?
Ela pareceu pensar.
- Sim. Parecia até... Feliz. Sabia que ontem foi
aniversário dela?
- Sim. Comemoramos... À nossa maneira.
- Como assim?
Inclinei-me na mesa.
- Vim pra falar de você, Carla.
- O que quer saber?
- Quantos anos tem?
- Pra que quer saber?
- Responda.
- 20.
- Como foi parar na casa do avô de Lua?
- Meu Deus... O que isso tem a ver?
Passei as mãos nos cabelos. Era sempre a mesma curiosa
e insolente. Carla sempre foi assim.
- Responda, garota.
- Bom... Não me lembro muito bem. Meus pais... Foram
mortos... Quer dizer... Nossa casa pegou fogo, mas algumas pessoas me salvaram
e levaram até o Billy.
Eu prendi a respiração. Até então a nossa história era
quase a mesma.
- Eram só você e seus pais?
Ela balançou a cabeça. As lágrimas começaram a rolar
pelo seu rosto. Ela não podia ver que eu também quase chorava, uma vez que não
tinha tirado meus óculos escuros.
- Não... Tinha meu irmão. Ele era tudo pra mim. Acho
que... Virou cinza. Nunca conseguiram encontrar seu corpo.
Ela deu um soluço.
- Ele era minha vida. Nem pude fazer um enterro pra
eles.
- E o que aconteceu depois?
- Fui viver com Billy. E nunca mais voltei ao lugar em
que vivia.
- Como se chamavam seus pais?
- Antony e Elizabeth.
Minha cabeça girava. Mesmo que eu tivesse quase a
certeza quando a vi, ouvir tudo assim de sua boca era demais pra mim.
- E... Seu irmão?
Creditos: Elly
Martins



Owmm feliz por Arthur reencontrar a irmã *-*
ResponderExcluirChris
Posta maisssss
ResponderExcluir