CAPÍTULO 08 Parte 4 - CARLA
Pela primeira vez eu fiquei sem graça e senti meu rosto
em chamas.
- Sim.
- Arthur... Como pode? Ela era virgem.
- Agora não é mais. E é melhor que tenha sido comigo do
que qualquer um. E além do mais... Eu estava cheio de ódio, Carla.
- E como ela reagiu a tudo isso?
Não consegui evitar um sorriso safado.
- Ela gosta, Carla. Foi feita pra coisa.
- Eu te proíbo de falar assim dela.
- Tudo bem. Me desculpe.
- Carla... Vamos combinar. Dê um jeito de não desgrudar
desse celular. Vou falar com meus irmãos e entro em contato de novo.
- Já está indo?
-Sim. Lua já está há muito tempo só.
- Vejo que se preocupa com ela.
- Sim. E muito.
Abraçamos-nos mais uma vez.
- Quero você de volta, Carla. E isso vai ser
breve.
Milhões de coisas passavam ao mesmo tempo pela minha
cabeça. Saber que Carla estava viva era o melhor presente que eu poderia ter.
No entanto saber que Billy usava minha irmã como se fosse sua amante quase me
despedaçou por dentro. No fundo era exatamente isso que eu estava fazendo com
Lua. Quer dizer... Eu fiz no começo. Porque agora as coisas mudaram
drasticamente. Eu queria me vingar dele sim, mas não mais usando Lua. Eu não
podia fazer isso com ela. De repente eu me senti cansado. Cansado antes mesmo
de começar uma batalha. Assim que voltei à ilha, Lua já me aguardava na varanda
da casa. A curiosidade e preocupação estavam estampadas em seu rosto. Mas ela
não disse nada quando me aproximei. Apenas me olhava esperando que eu tomasse a
iniciativa. Sem ao menos pensar direito puxei-a para os meus braços e enterrei
meu rosto em seus cabelos. Como eu não dizia nada, Lua se afastou e percebeu
que eu chorava.
- Arthur... O que foi? Conseguiu falar com Carla?
Meneei com a cabeça e puxei-a pela mão.
- Vem cá...
Sentamos - nos na varanda, Lua em frente a mim.
-É ela, Lua. A irmã que eu julgava morta é a pessoa que
você julgava ser sobrinha do seu avô.
- Ah, meu Deus... E agora, Arthur?
- Lua... Você fazia idéia... Quer dizer, é claro que
não. Quando te trouxe pra cá você era tão inocente.
Suas bochechas ficaram rosadas.
- Do que está falando, Arthur?
- Você tinha idéia do que seu avô fazia com Carla? E
também com a tal Sophia?
- Como assim, Arthur? Eu não estou entendendo.
- Carla me contou Lua. Seu avô fazia delas... Amantes
dele.
- NÂO. Mentira... Isso é mentira. Meu avô
nunca...
- Eu ouvi da própria Carla, Lua. Acha que ela mentiria
assim?
Ela ficou um longo tempo em silêncio.
- Não. Carla nunca faria isso. É íntegra e
honesta.
Depois se levantou, ficando de costas pra mim.
- Eu nem sei o que dizer, Arthur. É tudo tão horrível,
tão nojento... Meu avô...
E de repente ela rompeu em lágrimas. Peguei-a nos
braços, colocando-a em meu colo.
- Desculpe-me por isso, bebê. Só Deus sabe o quanto eu
gostaria que isso não fosse verdade.
- Eu sei. Não é culpa sua, claro que não.
- Mas é que... Doí, sabe?
- Eu sei. Sinto muito.
Beijei seus cabelos, enquanto ela continuava agarrada à
meus braços, o rosto escondido em meu peito.
- Mas pelo menos você está feliz.
- Estou, Lua. Nunca poderia imaginar minha Carla
viva.
- E o que pretende agora?
- Vou tirá-la de lá, é claro.
- E depois vai me devolver?
Eu não conseguia decifrar o que via em seus
olhos.
- Isso é um outro assunto. Primeiro vou conversar com
meus irmãos. Pedir a ajuda deles.
- E Soph?
- Carla quer que a tire de lá também.
- Meu avô vai morrer...
- Lua...
- Não, Arthur. Se ele faz essas coisas horríveis. Ele
tem que pagar.
Creditos: Elly
Martins



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