Capítulo II – Se conhecendo melhor
Cheguei em casa e a mesma rotina de sempre: almoçar, computador, dormir,
café da tarde, computador, jantar, computador, dormir. Meus pais haviam
viajado, estavam em uma "2ª lua de mel" em Acapulco. Insisti muito
para que me deixassem sozinha, que eu já tinha 17 anos e sabia me cuidar. A
maioria dos adolescentes querem ficar sozinhos em casa para darem festa,
chamarem amigos e tudo mais. Eu não. Quando estou sozinha em casa posso cantar
o mais alto que puder, dançar, colocar o som no último. Sim, eu sou viciada em música!
Estava cantando Take On Me, do A-Ha, quando ouço a campainha tocar.
Respirei fundo, irritada. Quem poderia estar atrapalhando meu show? Fui até a
porta e quase cai para trás.
- O QUE FAZ AQUI? - sim, eu gritei, pra toda a vizinhança ouvir.
- Eu disse que descobriria onde você mora. - ele sorria. - Agora você
pode parar com essa gritaria, abrir o portão pra mim e deixar eu participar do
NOSSO trabalho.
Eu respirei fundo, pensei e repensei milhares de vezes. Peguei as chaves
e fui até o portão, abrindo-o.
- A primeira brincadeira idiota, rua. - sussurrei em um tom ameaçador, e
ele riu como sempre.
Fui até o meu quarto para pegar minhas coisas para o trabalho, e o
notebook. Quando viro para trás, lá estava ele, me observando.
- O que foi?
- Nada. Estou percebendo que curte muito música. - ele pegou alguns CDs
que estavam espalhados aí.
- Música é minha vida. - respondi, tirando os CDs das mãos dele. - E eu
morro de ciúmes dos meus bebes. - apertei os CDs contra meu peito,
arrancando-lhe uma risada.
- Desculpa, não toco mais neles.
- Não toque mesmo, você não tem bom gosto suficiente nem para olhar pra
eles. Fique com suas músicas sem nexo. - guardei os CDs e fui saindo do quarto,
seguida por ele.
- Eu gosto de rock. - continuei indo até a cozinha, colocando o material
sobre a mesa.
- Ainda é mentiroso. - dessa vez quem riu foi eu. - Acha que eu não vejo
você escutando aquelas escrotisses?
- Você não me conhece, Lua. - ele se sentou em uma cadeira, pegando os
papéis. - E eu gosto desse teu jeito durona, nunca conheci uma garota assim. -
ele sorriu.
- Claro, as garotas com as quais você se relaciona são estúpidas e sem
cérebros como você. - sorri sínica, e ele riu baixo, abaixando o olhar.
Dividimos o trabalho e o fizemos em silencio. Trocávamos alguns olhares
de vez em quando e eu percebi que ele estava um pouco... chateado, talvez. Me
senti mal.
- Me desculpe por ter falado aquelas coisas. - olhei séria pra ele, que
levantou o olhar me encarando.
- Está tudo bem.
- Não, de verdade, me desculpe. - toquei em suas mãos, e senti um
arrepio em ambos.
- Você não falou nada de errado. - ele se afastou mais um pouco e voltou
à atenção para o trabalho.
- Você parece esconder algo. Esse que você demonstra ser, parece não ser
você. - olhei-o pensativa.
- Se algum dia você me der a oportunidade, eu lhe mostro quem eu
sou. - ele apenas sorriu e voltou sua atenção novamente para o trabalho.
Quando terminamos já era tarde, 21h marcava o relógio. Li todo o
trabalho, e estava perfeito. Ele realmente se saiu bem, me mostrou um lado que
eu não conhecia.
- Acho melhor eu ir. - ele pegou suas coisas e foi até a porta. Eu
apenas o acompanhei em silencio.
- Arthur... - ele se virou para me olhar e eu suspirei. - Você é
inteligente. Porque não age como tal?
- Porque para pertencermos a certos lugares, precisamos fazer mudanças.
- ele apenas balançou a cabeça e foi embora, me deixando como uma estátua.
Terminei de guardar as coisas que foram utilizadas para o trabalho e fui
fazer um macarrão instantâneo. Encostei-me na pia, pensando em tudo o que ele
havia me dito. Nunca havíamos conversado, eu o evitava o máximo que podia.
Talvez eu estivesse julgando o livro pela capa.
Esses pensamentos persistiram em minha mente durante todo o tempo, até
eu adormecer.
~*~
- Eu quero te conhecer! - joguei minha mochila sobre a mesa dele,
que estava sozinho na sala escutando musica. Ele se levantou, formalmente e
estendeu a mão.
- Arthur Queiroga Bandeira de Aguiar , muito prazer em
conhecê-la. - ele sorriu, como sempre debochado.
- Senhor, daí-me paciência. - revirei os olhos, olhei para o teto e
voltei a olhá-lo novamente
- Você falou comigo apenas um dia e já quer me conhecer assim?
- Eu sei que você não é o idiota que eu penso. Você é inteligente! - ele
cruzou os braços. - Ok, você é idiota sim, mas também é inteligente. Eu quero
conhecer esse teu lado.
- Garota, não existe outro lado. - ele deu as costas pra mim e foi falar
com os amigos dele, que se encontravam na porta.
Voltei resmungando até o meu lugar, coloquei meus fones e mergulhei em
minha música.
Ele me irritava demais! Ficava me olhando com aquele sorriso cínico e eu
sentia meu sangue ferver de ódio. Vontade de pegar esse livro de Matemática e
jogar na cara desse infeliz. Mas o que a pobre matemática tem a ver com a
estupidez desse idiota né?
No meio da aula de química - a qual eu odeio, já deixarei bem claro - o
professor fazia perguntas e toda hora Arthur falava "A Lua sabe, vai lá Lua!"
e toda a sala junto com ele, me fazendo pagar o maior mico!
Esse cretino não perde por esperar, cansei de ser boazinha.
autora:
sabrina



Ameeeeeeeeeeeeeeeeeiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii posta mais se puder hoje ainda
ResponderExcluirBy; Brunah
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