**Capítulo 11**
- Oi, Luh! Desculpa o horário!
- Não! Sem problema! - Eu estava tremendo.
- É... Que... Erm... Foi muito bom encontrar você hoje! Eu queria te ver! Conversar! - ele falava totalmente constrangido, parecia estar com medo de mim. Não era pra menos, se eu deixasse a raiva falar mais alto que o amor, com certeza ele ouviria um monte.
- Por mim, tudo bem... - Era a resposta mais simples e mais idiota do mundo, mas foi a única coisa que consegui dizer.
Depois disso ele pediu meu endereço e marcamos que ele viria me buscar às 9 horas da manhã do dia seguinte... Para que pudéssemos passar o dia juntos, passear... Toda essa pseudo-normalidade me deixava nervosa.
****
Naquela noite eu demorei muito a pegar no sono, e na verdade nem sei bem como consegui essa proeza. Às 8h eu já estava no banho, rezando para que uma hora passasse logo.
- Luh? - Kim batia de leve na porta do banheiro
- Oi, Kim!
- O Arthur tá subindo!
- SUBINDO? MAS, SÃO 8 horas! Eu marquei às 9! Nem me arrumei ainda... Nem me preparei psicologicamente...
- É... Mas, ele tocou o interfone! E eu disse pra ele subir! Finalmente vou conhecê-lo! Uuuu! - Kim dizia animada.
- Kim, pelo amor de Jesus Cristinho, vai lá e o distrai!
Às 8:30 eu já estava pronta... Ao chegar na sala o Arthur levantou pra vir falar comigo, ficando de costas pra Kim que começou a fazer sinais pra mim. Ela se abanava exageradamente, o que significava que tinha achado ele um gato, ou, como ela mesma bateu os lábios: “So Hot”. Aquilo foi super constrangedor porque apesar de 5 anos distantes, eu conhecia bem o Arthur, e sabia de sua grande habilidade para sentir a presença de objetos, gestos e movimentos... O que significa que mesmo de costas ele estava “vendo” aquele “auê” da Kim. Dei um jeito de me despedir dela antes que aquilo ficasse mais constrangedor.
Saímos e voltei correndo pra pegar minha bolsa. O que deu tempo suficiente pra Kim sussurrar “Pega ele, amiga!” Eu saí rindo e mostrando o dedo do meio pra ela, que riu alto. Eu raramente mostrava o dedo do meio para alguém.
- Desculpa eu ter vindo tão cedo! - Ele disse já no carro. Tínhamos ficado num silêncio assustador até então.
- Ora! E eu que já estava achando que tinha entendido o horário errado!
- Não! Eu é que não agüentei esperar até as 9hs pra ver você...
Sorri nervosa para ele.
****
- Então, você trabalha mesmo com Fotografia!?
- Aham!
- Eu gosto de fotos! Gostaria de ver as fotos que você já tirou...
- Claro! Qualquer dia desses eu te mostro! - Esse era meu jeito discreto de implorar para que nos víssemos mais vezes. Estávamos sentados no St James há cerca de três horas. O tempo passou voando. Contei pra Arthur sobre a faculdade que fiz de Jornalismo, sobre trabalhar como fotógrafa para revistas famosas, sobre meus amigos... E mais um monte de coisas! Ele me contou como foi fazer a cirurgia, voltar a enxergar... Contou sobre a faculdade de Cinema que fez, sobre o curso de Literatura... Ele tinha se tornado um importante escritor. Eu fiquei pensando em como as coisas só acontecessem no momento em que se é pra acontecer... Eu lia muito, o Arthur tinha se tornado um importante escritor e eu não ouvi falar nele em nem uma vez durante 5 anos.
- A Cora ainda trabalha com você?
- Trabalha! Ela sempre fala em você!
- Sério?
- Sério!
- É... Eu gosto muito da Cora!
Ou seja, muitas vezes a Cora falava sobre mim e ele escutava... Ele suportava aquilo numa boa? Ele não sentia a minha falta?
- Você gostaria de ver a Cora? Eu poderia te levar lá em casa! Você a veria e conheceria minha casa! - Ele parecia empolgado com a idéia e eu aceitei. Quanto mais tempo eu pudesse ficar perto dele seria melhor. Então, aceitei!
****
- Coraaa!
- Luh! Oh, que saudades de você, menina! - Cora tinha um ar tão maternal... Eu sentia falta dela também.
- Como você está, Cora?
- Estou bem! Meu Deus, você cresceu muito! É uma mulher! Fiquei tão feliz quando o Arthur disse que encontrou você!
Fiquei conversando com Cora e Arthur durante uma hora ou mais. Até que ela foi à cozinha preparar seus famosos lanchinhos, aquilo fazia eu me sentir uma criança. Mas, tinha algo mais... Tudo aquilo fazia eu me sentir em casa, ou melhor, de volta pra casa.
A casa do Arthur era toda feita em madeira branca, super clara... Passava uma paz, uma calma.
- Vem cá, eu quero te mostrar algo! - Arthur me puxou pela mão até a biblioteca. Aquela visão me machucou um pouco, lembrei da antiga casa. Era um novo ambiente, mas todos aqueles livros continuavam lá... E isso me fez lembrar das tardes em que eu lia pro Arthur, da 1ª vez que o vi... Por que tudo tinha que ser tão difícil?
- Esses aqui são os livros que já escrevi... São poucos, mas...
- Poucos? Você escreveu em um período de 4 anos, sendo que durante esse tempo você ainda fazia faculdade e cursos. Três livros é muita coisa se você parar pra pensar!
Ele sorriu e depois me mostrou os livros... O 1º falava sobre cegueira, nada técnico ou médico ou algo assim... Era algo como o relato de alguém que perdeu a visão e voltou a enxergar, a luta, os problemas. O 2º era sobre Cinema, o curso que ele fez na faculdade.
- E esse 3º livro?
- Este é seu! Toma! - Ele disse me entregando o livro.
- Ah! Obrigada! “Menina dos Olhos” - Eu disse lendo alto o título. - Sobre o que é?
- Sobre você! - Ele disse receoso.
Tudo bem! Eu até tinha sido forte até ali! Não tinha chorado na frente do Arthur, passamos o dia conversando numa boa... Mas, aquilo estrangulou a minha garganta.
- Sobre mim? - Perguntei deixando uma lágrima cair.
- Luh, eu sei que você deve achar que eu não amo você, e deve ter raiva porque te deixei... Sei que te fiz sofrer muito... Eu me arrependi de tanta coisa... É importante para mim que você entenda que eu nunca deixei de pensar em você em nenhum dia da minha vida... - Ele disse com os olhos lacrimosos e eu já estava chorando... - Luh, leia, por favor! Leia pra que você possa entender tudo o que estou tentando te dizer, tudo o que eu quero te dizer...
Eu afirmei com a cabeça, enxuguei minhas lágrimas e não disse mais nenhuma palavra. Cora entrou trazendo o lanche; fingiu que não percebeu o clima estranho no ar e seguimos conversando normalmente. Mas, minha cabeça ia a mil. No fim da tarde o Arthur me levou de volta pra casa e o caminho todo nem eu e nem ele trocamos nenhuma palavra sequer. Ele ligou o som do carro, talvez para o silêncio ficar menos desconfortável. E, no rádio, é claro, tinha que tocar alguma música que combinasse com nós dois. Eu tinha a impressão de que radialistas me odiavam... Era algo como: “Lua está triste? Vamos tocar a música que vai fazê-la querer se matar!”.
But tonight I'm gonna fly
[Mas hoje à noite eu vou voar]
Yeah tonight I'm gonna fly
[É, hoje a noite eu vou voar]
'Cause I could go across the world see everything and never be satisfied
[Porque eu poderia dar a volta ao mundo e nunca ficar satisfeito]
if I couldn't see those eyes
[se eu não pudesse ver seus olhos]
(…)
It's been a long time
[Já faz muito tempo]
Since my phones rung
[Desde que meu telefone tocou]
and you've been on that line
[E que você estava na linha]
I've been missing you
[Eu estou sentindo sua falta]
It's true
[É verdade]
Antes que a música do Jonas Brothers acabasse, o Arthur desligou o rádio. Depois daquela tarde eu sabia que ele também sofria com tudo aquilo.
No meu prédio, ele fez questão de subir e me deixar na porta do apartamento.
- Bom, eu já vou indo! - Ele disse sem graça.
- Certo... Obrigada... Tchau. - Eu disse de cabeça baixa.
Quando ele já estava na porta do elevador.
-Arthur! - gritei
Corri até ele e o abracei bem forte! Como há muito desejava fazer... Ele me abraçou de volta bem apertado. O elevador chegou, foi embora e nós continuamos ali sem dizer uma palavra. O elevador abriu de novo porque o meu vizinho de andar chegou. Nós nos separamos respondendo o "boa noite" do meu vizinho feioso. Eu coloquei a mão para segurar o elevador. Arthur beijou minha testa, entrou no elevador e enquanto a porta fechava eu levantei o livro que ele me entregou dizendo:
- Prometo que vou ler! - Ele sorriu, com um olhar meio de choro, uma carinha de quem não queria partir... E nem eu queria que ele fosse.
**Capítulo 12**
Eu passei toda a madrugada lendo o livro do Arthur e me desfazendo em lágrimas. O livro era realmente sobre mim. Contava a história de nós dois, mas principalmente tudo o que ele sentia por mim. Era lindo! Era perfeito! No início de cada capítulo tinha um trechinho dos livros da série Twilight! Ele havia terminado a leitura mesmo sem mim...
O último capítulo do livro “Menina dos olhos”, e principalmente o finalzinho dele dizia tudo que eu precisava saber... Tudo o que queria saber...
Capítulo final.
“... Eu estou aqui, e eu te amo. Eu sempre amei você. E eu sempre estava pensando em você, vendo o seu rosto em minha mente, durante cada segundo em que estive longe...”
[Edward Cullen - New Moon]
(...)
Eu tenho estado cego durante um longo período da minha vida. Eu estou cego desde que a deixei. Porque antes não importava se eu tinha visão ou não. O que importava era que eu tinha ao meu lado a garota que eu amava, e isso era meu “sentido” mais poderoso. Muito mais do que audição, visão, olfato, tato e paladar juntos... Porque o amor supera qualquer obstáculo; ele é a maior visão que se pode ter. Mas eu fui tolo demais pra perceber isso no momento certo. Eu precisei voltar a “enxergar” para entender que deixá-la foi um erro, para entender que eu fiquei cego no dia em que a deixei... Ela era mais importante do que tudo aquilo... Ela era (e ainda é) a menina dos meus olhos.
Eram quase 4 horas da manhã quando terminei de ler. E eu não podia simplesmente esperar amanhecer para ir atrás do Arthur... Esperar 2 horas podia parecer pouco tempo, mas eu já havia esperado 5 anos... Eu tinha que vê-lo! Saí e deixei um bilhete pra Kim, para que ela não se preocupasse comigo.
Sempre tive medo de velocidade, mas naquele dia eu dirigi muito rápido, corri ultrapassando todos os limites possíveis... Eu tinha pressa, meu coração tinha pressa.
- Lua? O que houve? - Cora abriu a porta assustada.
- Tá tudo bem, Cora! Não se preocupe! O Arthur tá aí?
- Tá! Ta no quarto! São mais de 4 horas... - Eu deixei a Cora falando sozinha e subi as escadas correndo.
****
Abri a porta do quarto do Arthur sem bater e sem um pingo de educação. Ele não estava dormindo. Estava sentado na cama, lendo. Parecia cansado, apreensivo. Olhou assustado para mim quando abri a porta do quarto. Fiquei parada na porta algum tempo olhando para ele.
- Você não veio pedir autógrafo, né? - ele disse tentando amenizar o clima estranho no local. Só então percebi que ainda estava com o livro dele nas mãos.
- Não! - Eu disse me aproximando.
Ele puxou minha mão de um jeito doce, me fazendo sentar ao lado dele na cama. Arthur me abraçou e beijou minha testa esperando que eu falasse algo. Ele me conhecia o suficiente pra perceber que eu tinha muito a dizer.
- Arthur, eu devia odiar você! Durante 5 anos da minha vida eu senti muita raiva, mas não era ódio... Era mágoa... Você foi um idiota com as suas atitudes! Eu nunca me importei por você ser cego, nunca te discriminei, nunca precisei abrir mão de nada por causa da sua condição e nunca dei ouvidos ao idiota do Mike... Eu sempre amei você, Arthur! Sempre! Mesmo quando eu estava com raiva, mesmo quando eu tentava te esquecer... Esses foram os piores anos de minha vida, mas hoje... Hoje, as coisas mudaram... O seu livro me fez entender tudo o que você sentia; tudo o que você viveu; que você aprendeu com seus erros estúpidos... E o mais importante! Me fez ver que você me ama... E tudo o que eu preciso, Arthur, é ser amada por você! - Eu permanecia com a nuca apoiada no ombro dele. Dizer tudo aquilo fez com que eu me sentisse mais leve.
Depois disso nós nos beijamos e não conseguimos mais parar... Eu nunca vou saber bem explicar como eu me senti naquele dia... Era como se eu estivesse 10 anos em uma guerra, passando fome, sede, frio, dor e tivesse, de repente, voltado pra casa. Bom, era mais que isso, mas eu realmente não saberia explicar...
- Você quer casar comigo? - Ele disse beijando carinhosamente o alto da minha cabeça e passando de leve a mão no meu braço.
- Mas, nós começamos a namorar agora! - Eu realmente gostava de tirar ele do sério.
- Nós namoramos por cerca de quase 1 ano e passamos 6 anos apaixonados... E eu sei que quero ficar ao seu lado toda minha vida. Quero ter você para me dizer que vai ficar tudo bem quando tudo der errado, quero brigar com você por causa do controle remoto da TV, quero ter sempre seu amor pra me inspirar a escrever muitos outros livros, quem sabe filmes... Eu quero ter que levantar pra matar uma lagartixa só porque você tem pavor... Rir dos seus medos bobos, de quando você dispara a falar sem parar nem pra respirar, das suas crises de riso... Eu quero ter filhos com você, eu quero acordar todos os dias ao seu lado. Eu tenho toda a certeza de que eu preciso ter você ao meu lado para sempre... Bom, agora você aceita casar comigo?
Eu fiquei cerca de 30 segundos calada. Não com dúvidas, eu não tinha dúvidas em relação ao que sentia pelo Arthur... Mas, precisei ficar um tempo saboreando toda a declaração que tinha acabado de escutar.
- Você pode mudar um trecho de tudo o que você disse?
- Ãh? - Ele fez cara de confuso.
- “Quero brigar com você por causa do controle remoto da TV”... Se você mudar essa frase eu aceito! Eu caso com você se você deixar o controle da TV comigo!
- Ta bom, vai... Eu abro mão do controle remoto!
- Eu amo você! Eu aceito... E eu também quero muito viver todos esses momentos com você!
Arthur me abraçou forte e eu soube que seria para sempre...
“... Apertei os dedos dele com mais força entre os meus, desejando ser forte o suficiente pra fechar as nossas mãos juntas permanentemente...”. [Bella]
Fim ....



liiiiindoo demais!!!!!!!!!
ResponderExcluirLindo. Perfeito. Adorei
ResponderExcluirWeb perfeita *-*
ResponderExcluirlindo
ResponderExcluirass Sofia
own poderia ter epilogo né ?
ResponderExcluirwow perfect
ResponderExcluirAmeeeeeiiiiiii!!!!!!!!!!!!!
ResponderExcluirMuito Lindo
Awnt q lindo *-* poderia ter continuaçao, uma web perfeita assim deveria ter 2° temporada
ResponderExcluirFernanda
Porra chorei :'( perfeita <3 faz segunda temporada
ResponderExcluirO final dessa web foi LINDA,MARAVILHOSA!!!!!!!!!
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