CAPÍTULO 15 Parte 4- DE VOLTA À CIVILIZAÇÃO
Lua andava de um lado a outro, verificando tudo.
Infelizmente chegava a hora de sairmos do nosso refúgio. Eu via a tristeza no
semblante dela, mas eu simplesmente não conseguia mais viver dessa forma. Não
pelo fato de estarmos isolados do mundo. Mas porque já estava mais do que na
hora de nos casarmos. Lua já estava no quinto mês de gestação. Marcos trouxe
uma verdadeira parafernália médica para a ilha. Não podíamos nos dar ao luxo de
fazer os exames de Lua em algum laboratório.
- Acho que peguei tudo... Exceto...
Foi até o armário e pegou nossos “brinquedinhos”.
Segurei uma risada.
- Pensei que fosse deixá-los aqui pra Soph.
- Nunca. Ela que se vire com o Micael.
Soph e Carla por enquanto ficariam na ilha. Pelo menos
até que nosso advogado nos desse uma posição definitiva em relação à situação
delas com o Billy. Ao que parecia elas não tinham sido realmente adotadas.
Nosso advogado Mathew descobrira que os documentos delas eram falsos.
- Estou com tanta pena de Carla e Sophia...
-Pena por quê? Esse lugar sempre foi o paraíso para nós
dois.
- Sim, mas éramos... Um casal.
-Éramos?
-Somos. E Micael e Bernardo só virão aqui algumas
vezes. Você esteve o tempo todo comigo.
- Eu sei meu amor. Mas é preciso. E não será por muito
tempo. Sentou-se ao meu lado, na cama, com uma cara infeliz.
- Estou com medo, Arthur.
- De que?
- Do que meu avô possa fazer com você.
- Não precisa temer bebê. Ele não irá se arriscar tanto
assim. Ainda mais depois que souber tudo o que descobrimos sobre ele.
- Tomara que tenha razão. Estremeço só de pensar que
algo ruim possa acontecer a você.
- Então não pense.
Puxei-a para meus braços e beijei seus cabelos.
- Vamos pra casa dele hoje mesmo?
- Não. Assim que chegarmos você irá descansar. Só
depois vou pensar em levá-la lá amanhã.
- Como assim pensar em me levar. Está planejando ir
sozinho?
Minha cara tentando disfarçar me entregou.
- De jeito nenhum. Eu irei com você. E fim de papo.
- Tão mandona...
- Nem irei discutir isso, Arthur.
Eu sabia que não adiantava mesmo discutir.
- Acho que devemos ir agora, Lua. Não quero chegar lá à
noite.
Lua ainda deu uma última olhada no quarto, como se
quisesse gravar aquela imagem em sua mente.
- Nós iremos voltar bebê. Eu prometo a você.
Descemos e fomos nos despedir de Sophia e Carla. Carla
me abraçou com força.
- Se cuida, meu irmão. Pelo amor de Deus, tenha cuidado
com aquele homem.
- Não se preocupe Carla. Não farei nada
imprudente.
Soph também me abraçou, enquanto Carla tentava abraçar
Lua.
- obrigada por tudo, Arthur.
- Não hesitem em me ligar, Soph. Caso precisem de
alguma coisa.
- Bom... Eu ia precisar daquele chicote, mas...
-De jeito nenhum Soph. Peça ao Micael para trazer
um.
Eu ri daquelas duas. Duas taradas, pervertidas. Carla e
Sophia nos acompanharam até o jatinho. Mais abraços e Lua e eu estávamos nos
afastando dali. Lua estava com o rosto virado, mas eu tinha certeza que ela
chorava.
- Não chore bebê. Vai ficar tudo bem. E depois que
tivermos casados... Voltaremos pra cá.
Em meio a lágrimas ela ainda sorriu. Uma hora depois
chegávamos de volta à “civilização”. Micael nos esperava no seu carro.
- Foi tudo bem, Arthur?
- Tudo tranquilo, Mica.
-Então vamos, porque Dona Kátia está aflita.
Assim que chegamos, minha mãe veio correndo ao nosso
encontro.
- Ai... Graças a Deus. Como você está Lua?
- Estou bem, Kátia. Obrigada.
- Venha descansar um pouco. O quarto de Arthur está
preparado para vocês.
- vou subir com ela, mãe.
Vamos tomar um banho e depois levo alguma coisa para
ela comer.
- Tudo bem, então. Descanse querida.
Lua tinha um ar cansado e isso me preocupou.
- Tudo bem, amor?
- Sim. Só cansada. Mas logo passa.
- Nossa... Arthur... Seu quarto é lindo.
- É nosso por enquanto. Até eu encontrar um lugar só
pra nós dois.
Lua me abraçou deitando a cabeça em meu ombro.
- não me importa o lugar, Arthur. Desde que você esteja
por perto.
- Estarei sempre.
Mas um
futuro incerto nos aguardava. Só esperava que futuro não me tirasse a “minha
vida”.
Creditos: Elly
Martins



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