Capítulo 1:
- Fica longe, Thur! Tá querendo azarar o casamento? - O som agudo do grito da irmã de Thur Aguiar, Mel Aguiar, chamou a atenção de Lua. Ela experimentava seu vestido de noiva para que a costureira desse os últimos retoques.
Thur havia atiçado o desespero da irmã só porque tinha tentado espiar pela fresta da porta onde as mulheres de sua vida - sua mãe, sua irmã e sua noiva - estavam trancadas por mais de uma hora. A curiosidade era grande pra saber o que tanto elas faziam ali.
- Para de bobagem, Mel! Nada mais me impede de casar com essa mulher! Nem mesmo uma superstição idiota! - Pôde-se escutar o bate da porta na cara dele seguido pelo barulho da chave sendo virada. A gargalhada de Thur preencheu os ouvidos de Luh. - Você é paranóica, Mel!
- Vai pro inferno, Thur! Me deixa trabalhar aqui! - Um sorriso se apossou dos lábios de Luh quando a cunhada retornou para perto dela. - Eu não sei como você conseguiu suportar ele por tanto tempo! - Luh negou com a cabeça, pensando em como os dois irmãos pareciam estar com cinco anos quando estavam juntos.
- Não se mexa, por favor, querida. - A costureira disse e Lua voltou a se paralisar.
- Onde é que a Jhulie se meteu? - Perguntou pela a amiga ao reparar que sua ida ao banheiro estava demorando muito mais que o habitual.
- Vai ver ela encontrou o Diego no meio do caminho. - Mel disse ao seu maior som de pervertida, arrancando uma boa gargalhada de Luh.
- Tomara! Esses dois estavam brigados de novo, pra variar. - A costureira se afastou de Lua, analisando o vestido e vendo se não havia mais nenhum retoque a ser feito. - Nunca vi um casal brigar tanto igual aqueles dois!
- Está pronto! - Disse a costureira admirada com seu trabalho. Mel e Katia pararam para admirar a noiva. Lua se sentiu envergonhada e ao mesmo tempo curiosa para ver como havia ficado.
- Você tá... Incrível! - A futura sogra de Lua tinha lágrimas nos olhos ao vê-la vestida de branco. - Espera só o meu filho ver isso! - Falou animada indo até ela e a encaminhando até o grande espelho no canto do quarto.
A visão que Lua teve lhe tirou o fôlego. O vestido caía tão perfeitamente bem que a deixou impressionada, mesmo que já tivesse se visualizado nele algumas vezes.
Ele era feito de um corpete que realçou a cintura de Lua e a deixou ainda mais fina, saindo uma saia rodada, bem volumosa, como naqueles filmes de princesa da Disney.
Toda a extensão da saia era preenchida por desenhos de flores moldados à mão por pequenas pedras que brilhavam na luz. Essas flores se estendiam até a longa calda que acompanhava a saia e Lua pôde ver que teria dificuldades em andar pela igreja com aquela calda enorme. Culpa de Jhulie e Mel, mas no fim, ela estava completamente encantada com o vestido.
Ainda havia um colete de renda, de mangas compridas, que cobria totalmente seu busto à mostra por causa do corpete. Luh sempre quis se casar com um colete daqueles principalmente em Dezembro. Ela sempre se imaginou tirando fotos com a neve caindo, Thur ao seu lado com seu terno preto destacando em meio ao branco do lugar.
Luh voltou a encarar o espelho e respirou fundo. Mel apareceu em seu campo de visão. Em mãos, ela segurava seu buquê de noiva. Rosas.
Rosas vermelhas.
O vermelho era em homenagem ao Natal, ao tão especial Papai Noel, que havia a ajudado há cinco anos a encontrar Thur, encontrar o amor de sua vida.
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- Onde é que você estava, Jhu? Eu te procurei em todo lugar! - Jhulie sentiu uma revirada em seu estômago. Não sabia se estava preparada para enfrentar aquilo tão cedo, mas sabia que Lua a ajudaria.
Ela saiu puxando a amiga pela mão, ignorando todas as reclamações da mesma. Assim que elas haviam chegado até o quarto de hospedes, Jhulie trancou a porta e desabou na cama que ali havia segurando firme uma pequena sacola em suas mãos. Soltou um suspiro pesado.
- Amiga, tá tudo bem? - Jhu sentiu o colchão afundar ao seu lado e a voz preocupada de Lua adentrar seus ouvidos. Ela conhecia bem a amiga para saber que alguma coisa muita errada estava acontecendo.
- Luh... Eu... - Respirou fundo tentando se manter controlada. - Eu... Ah, droga! É melhor você ver isso! - Entregou a amiga a pequena sacola desviando o rosto para um ponto qualquer do quarto. Lua franziu a testa, mas ainda assim pegou a sacola onde dentro dela encontrou uma caixa aberta. Colocou os dedos dentro da caixa imaginando o que teria lá, com uma leve suspeita que foi confirmada assim que ela elevou aquele pequeno objeto estranho, que mais parecia um termômetro digital, no mesmo nível de seus olhos.
- Jhu, isso é... - Lua hesitou ganhando uma confirmação de cabeça. - Mas o que essas tirinhas significam? Você sabe que eu nunca vi um desses na vida! - Disse vendo a amiga virar o rosto para olhá-la.
- E você acha que eu já tinha visto? Foi o rapaz da farmácia que me explicou tudo! - Falou meio alterada, desviando novamente o olhar. - Eu tô grávida,Luh. É isso o que essas tirinhas significam. - Ela levou as mãos até o rosto para esconder as lágrimas que começaram a descer.
Lua ficou chocada. Era muita loucura sua amiga estar ali, chorando, e dizendo que estava grávida ainda mais faltando apenas duas semanas para o seu casamento.
- Amiga, você não precisa ficar desse jeito! Um filho traz muita responsabilidade, mas você e o Diego podem...
- Eu e Diego? - Jhu interrompeu com os olhos vermelhos de tanto chorar. - Eu não quero nada daquele imbecil! - Sua voz subiu uma oitava. - Eu te disse, eu não quero mais nada com ele! - As mãos de Lua foram parar em sua frente, na defensiva. Jhulie respirava muito rápido.
- Eu já te escutei dizer isso várias e várias vezes. - Um olhar de indignação praticamente a perfurou.
- Dessa vez é de verdade, eu te disse! - Dessa vez Lua é que olhou com descrença.
- Mesmo assim, você tem que falar para ele. Você não fez esse filho sozinho, amiga! - Jhulie continuou em silêncio por um bom tempo.
- É, você tem razão. - Disse com uma expressão derrotada. Lua sorriu. - Vou ver se consigo fazer isso hoje. - Luh concordou com a cabeça.
- Ah, meu Deus, eu vou ser titia! - Jhu gargalhou com o leve escândalo da amiga que logo a abraçou forte. - Nós temos que ir ao médico, marcar um ultrassom, escolher roupinhas e arrumar o quartinho! Tenho certeza que vai ser uma menina! - A amiga falou tão rápido que foi difícil para Jhulie acompanhar.
Toda aquela empolgação acabou tirando de sua cabeça por um momento o que lhe esperaria quando fosse contar ao Diego. Não tinha noção da reação que ele teria. Os dois não se falavam há cinco dias e Jhulie tinha uma leve suspeita de que a gravidez tinha acontecido na última vez que eles haviam reatado há pouco mais de dois meses. Mas isso ela só saberia quando fosse ao médico.
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Jhu respirou fundo antes de tocar a campainha do apartamento. Após um minuto que havia feito isso, Diego apareceu na porta, com uma cara de espanto ao ver Jhulie parada ali. Pela sua expressão amassada, Diego estava dormindo.
- Desculpe, eu não... Não quis te acordar. - Jhu começou bem baixo, sentindo um enjoo repentino. Respirou mais uma vez para que aquela sensação desaparecesse apesar de achar que ela não tinha muito haver com a gravidez e sim, com Diego parado em sua frente, tão lindo como ela sempre achava depois que ele acordava.
- Não! É só... Eu não esperava que você viesse. - Ele disse, os olhos cintilando em direção aos dela. - Entra! - Apontou para dentro do aposento. Jhu agradeceu baixo e entrou no lugar.
Reparou no estado da sala de estar. Garrafas de cerveja espalhadas pelo chão e mesa de centro, caixas vazias de pizza e embalagens de tudo o que eram tipo de bobeiras e porcarias industrializadas. O cheiro de cigarro impregnava o local, fazendo Jhu enjoar de novo.
- Você não tem cuidado muito bem daqui. - Ela disse com um sorriso tímido. Diego coçou sua cabeça, ligeiramente envergonhado.
- Bem, isso é o que acaba acontecendo quando a gente... Er... Você sabe! - Nervoso, ele andou até a cozinha deixando Jhu com uma ligeira tremedeira e uma palpitação no peito. Em um minuto ele retornou com duas garrafas de cerveja. Ofereceu uma à Jhulie.
- Eu não tô podendo beber. - Ela disse recusando. Mas acabou se arrependendo de ter dito que não estava podendo beber. Isso com certeza atiçou a curiosidade dele.
- Por quê? - Perguntou bebendo um pouco do conteúdo da sua garrafa. Jhu gelou. Como ela explicaria? Começaria assim, do nada?
- Porque... - Ela hesitou vendo Diego a encarar com grande curiosidade. - Porque não vai fazer bem pro bebê. - Foi praticamente inaudível, mas Diego conseguiu entender. Jhulie levou as mãos inconscientemente até o ventre. Diego seguiu suas mãos com o olhar parecendo confuso. - Eu tô grávida,Diego.
Créditos:
Samara J.



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