Capítulo 2:
- O quê? - A pergunta assustada fez o coração de Jhulie enlouquecer no peito.
- Eu tô... - Ela ia repetir, mas foi interrompida pelo rapaz levantando nervoso na sua frente.
- Eu entendi! É só... Como isso aconteceu? - Perguntou mais para si mesmo. Jhulie ficou muda, tentando engolir um choro que entalava sua garganta.
Voltou-se o silêncio desagradável. Diego estava perdido em pensamentos, parecendo-se lamentar internamente. Já Jhu não estava em condições de dizer nada. O que passava por sua cabeça era que não era essa a reação que ela esperava dele.
- Você tem certeza disso? - A mulher só concordou com a cabeça. Diego pareceu ficar ainda mais desesperado, começando a andar de um lado para o outro. - O que aconteceu com aquela história de: “Eu não quero engravidar agora”? - Perguntou exasperado.
- Não sei se você reparou, mas eu estou tão surpresa quanto você! - Jhulie disse também alterando seu tom de voz. - Não é como se eu tivesse planejado isso, Diego! - Uma grossa lágrima escorreu de seu olho direito.
- Eu sou muito novo para ser pai! - Ele explodiu. - Tenho uma carreira brilhante, com muitos compromissos, coisas que eu ainda quero fazer e realizar, mas vou ter que deixar tudo de lado por causa da merda de um filho! - As palavras atingiram Jhulie como uma bomba.
- Não se preocupe. Eu vou cuidar da nossa merda de filho. - Disse entredentes, sentindo-se forte o suficiente para sair dali sem capotar. Jhulie deixou o apartamento de Diego as pressas, sem nem olhar para trás.
Assim que adentrou o elevador e viu que estava segura, desabou em lágrimas. Ela reviveu todos os passos daquela conversa, tudo que havia sido dito, e se sentiu uma idiota por ter ido procurar Diego. No fundo, ela sabia que ele não queria ser pai, que nada mais importava pra ele do que a gloriosa carreira do McFLY, que só em imaginar algo que pudesse atrapalhar isso, fazia dele outra pessoa.
Jhu enxugou as lágrimas assim que o elevador abriu. Respirou fundo e levou as mãos até seu ventre. Imaginou aquele local enorme, carregando um neném pequenininho que precisava do seu cuidado e proteção. Se sentiu forte como nunca.
- Não se preocupe, meu amor, mamãe vai cuidar de você. - Cochichou, deixando um pequeno sorriso se abrir.
Ela sabia o que fazer dali em diante. Ia ser forte. Engoliria o choro, e superaria todo o medo, para que nada atingisse o seu bebê. Mesmo que isso significasse nunca mais ver o pai dele.
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- Ele não disse isso. - Lua falou baixo, surpresa pelo que havia escutado instantes antes de Jhu. A amiga apenas concordou com a cabeça. – Nossa, amiga. Eu... Não sei o que te dizer! - Ela se aproximou de Jhulie e a abraçou de lado.
- Não precisa falar nada, Luh. Nada vai mudar o que o Diego me disse. - Um silêncio se apossou das duas amigas por alguns minutos. Não era difícil reparar no quanto Jhulie estava abalada com toda aquela situação. Afinal, ela mal havia se recuperado do choque de estar grávida, agora tinha que lidar com o fato de não ter o apoio do pai da criança.
Lua tentava achar uma solução para toda aquela situação. Como resolver tantas coisas do casamento e ainda achar uma maneira de ajudar o Diego e aJhulie? Ela sabia que não tinha resposta, mas teria que encontrá-la o mais rápido possível.
- Você marcou o médico para que dia? - Perguntou, tentando desviar aquele clima ruim para um melhor, mais alegre.
- Amanhã à tarde. - Jhu respondeu, animando-se ao lembrar que iria saber com quantos meses seu bebê estava. - Você vai comigo, não é? - Perguntou.Lua concordou com a cabeça.
- Você acha que eu vou perder a primeira visão da minha afilhada? Não mesmo! - Disse euforicamente, arrancando uma pequena gargalhada da amiga.
As duas voltaram a se calar, mas dessa vez era um silêncio mais agradável.
Jhu se levantou da cama, indo até a janela do quarto da Luh. Olhou para a rua coberta de neve e sentiu um ar gélido bater em seu rosto. O pensamento logo voltou para a conversa com o Diego mais cedo e uma raiva misturada a decepção lhe invadiu.
- Eu vou embora de Londres, Luh. - A amiga virou o rosto para encarar Jhulie debruçada na janela, ainda visualizando a rua. - Eu não quero ter o meu bebê num lugar onde eu, nem ele, vamos ter paz. - Jhu girou o corpo e olhou a amiga. - Eu não quero nada que me lembre o Diego nessa gravidez.
- Amiga, você não pode pensar assim! O Diego é o pai...
- Não. - Ela interrompeu, com a voz firme. - O pai do meu bebê morreu. Eu prefiro que ele pense assim, a saber que o pai dele preferiu uma carreira do que assumi-lo. - Lua se levantou, andando até onde a amiga estava. Encarou bem os olhos dela e viu ali a certeza de que sua opinião estava formada. E quando isso acontecia, ninguém além da própria Jhulie, poderia influenciar naquela opinião
- Certo. Você é quem sabe. - Ela deu um sorriso em resposta ao apoio. - Mas onde você tá pensando em ir?
- Pra casa do meu pai, talvez... - Jhu ficou pensativa por uns segundos. - É. Acho que lá seria ideal! - A surpresa atingiu Luh em cheio. Sua boca abriu em um grande “o” e demorou um pouco pra ela se lembrar de que tinha que dizer algo.
- Mas isso é no Canadá, Jhulie! - A amiga só deu de ombros em resposta, deixando Lua mais indignada. - Você não pode fazer isso comigo! Eu tenho que acompanhar os nove meses dessa gravidez! - Sua voz subiu uma oitava fazendo Jhu sorrir de leve com o desespero da melhor amiga.
- Luh, eu não tenho escolha, me desculpe! - Disse firme, deixando Lua extremamente nervosa. Ela tinha que achar um jeito de mudar aquela situação, mas o que fazer? - Depois do seu casamento, eu vou embora daqui.
- Amiga, por favor! Pensa melhor. - Implorou. - Você está sendo precipitada! - Jhulie começou a negar com a cabeça. - Toma essa decisão depois do meu casamento, que tal? - Lua tentou e a amiga ponderou um pouco. No fim, Jhulie acabou concordando.
- Até o casamento! - Ela apontou na direção da amiga que sorriu, alegre por ter conseguido ganhar algum tempo. - Agora, vamos voltar ao assunto da sua forca e do Aguiar. - Brincou Jhu fazendo Lua rolar os olhos.
Créditos:
Samara J.



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