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sábado, 15 de fevereiro de 2014

The Divide

Cap 28


E o Tommy nos entreolhamos, nem entender nada do que ela falava. Mas ela imediatamente começou a explicar:

                    Caroline: Eu vim de uma família de trabalhadores, que deram duro para me mandar para a faculdade...lugar onde eu conheci o homem da minha vida. Victor Aguiar, um jovem elegante, rico e carinhoso. Nós nos apaixonamos perdidamente e não demorou muito até o nosso casamento. Ele não tinha família, morava sozinho em uma mansão na Califórnia e me convidou para morar com ele assim que terminamos os estudos. Vivíamos bem, até o dia em que eu descobri através de uma conversa telefônica, a ocupação alternativa dele.

                    Thomas: A máfia, eu suponho.
                    Caroline: Sim, a máfia. Mas quando eu soube, eu já estava grávida de 8 meses do Gregory e Victor passava por um momento turbulento na vida profissional. Sempre estressado e confuso, quase não ficava em casa.

                   Thomas: Essa conversa por telefone, a senhora se lembra?

                   Caroline: Como se fosse ontem...- Ela sorriu de lado. – Era a respeito de um empréstimo milionário a um investidor brasileiro. Naquela época, aquelas ligações deixavam Victor conturbado, revoltado e sempre se descontrolava ao falar com esse homem.

                   Lua: A senhora sabe quem era esse homem?
                   Caroline: Eu não faço idéia. Mas com o tempo, eu descobri outras coisas....coisas que me fizeram largar tudo pra trás e ir embora.
                    Thomas: O que a senhora descobriu?
                    Caroline: Descobri que o homem da minha vida era um criminoso internacional, que explorava pessoas... E isso era uma coisa tradicional na família Aguiar. Ele costumava ter a cidade inteira nas mãos. Onde íamos éramos muito bem recebidos, sempre freqüentávamos os melhores lugares e festas... Éramos quase a realeza da cidade. Mas Victor fazia coisas perigosas, coisas que colocariam a nossa vida em risco mais tarde. E num belo dia eu resolvi fugir.
                       Thomas: Largando o pequeno Gregory pra trás?
                       Caroline: Ele estava com um mês de vida. Foi a decisão mais difícil que eu fiz na vida, e me arrependo todos os dias em que eu acordo. Eu tentei leva-lo comigo, mas antes de sair de casa, Victor me viu e ordenou que eu deixasse o filho e que partisse sozinha....

                      Lua: Como assim ‘ordenou’? Ele era o SEU filho...

                      Caroline: Sim, mas antes de ser meu filho....Ele era herdeiro da linhagem Aguiar...É muito mais grandioso do que você pode imaginar, jovem!


   Realmente aquela historia toda era confusa demais. Então o filho de Caroline era o avó de Arthur e o marido de Caroline foi o responsável pela dívida do meu bisavô...Porque se bem me lembro, no dia em que fomos à praia, Arthur me contou que eu estava pagando uma dívida que meu bisavô fez com o bisavô dele...AFF, era tudo confuso demais! E eu acho que até a própria Caroline sentiu minha frustração:
                    Caroline: Eu já estive no seu lugar, criança. –Ela me olhou fixamente. – É tudo perfeito, não é? As coisas que ele te diz, as coisas que ele faz...Te faz sentir como se você fosse a mulher mais incrível do mundo né? – Ela sorriu. – Eu sei como é. Os Aguiar têm o poder de enfeitiçar as mulheres, não sei como fazem isso, mas são bons. E são sinceros, isso eu garanto, eles sempre escolhem as melhores mulheres para serem esposas, as mais belas e inteligentes. E lhes dão o mundo...- ela suspirou.
                     Lua: Mas a senhora recusou...

                     Caroline: Eu era jovem, tinha princípios...E ainda tenho. Mas mudaria tudo para carregar meu bebê no colo mais uma vez. – Ela me olhou nos olhos.- Eu nunca mais vi meu Greg novamente, criança, nunca mais. Ser casada com Victor Aguiar foi o sonho mais lindo que eu já vivi...Mas enxergar a realidade que me cercava era o pesadelo mais perigoso que existia.


     Tommy me lançou um olhar satisfeito, sabendo que também acreditava naquilo que Caroline falava. Eu o ignorei.

                       Lua: Mas se sua vida era tão perfeita assim, porque fugiu?
                       Caroline: Você não entende nada? – ela se irritou. – Ele era um criminoso, quanto tempo você acha que duraria até uma máfia adversária aniquilar a minha família? Esse mundo é perigoso demais, menina. Não é brincadeira. Eu sofri muito, mas eu tinha que manter meu filho vivo...infelizmente, eu fui obrigada a sair sozinha da mansão...Mas eu sabia que meu filho sobreviveria por conta da tradição!

                      Lua: O que é essa tradição?
 Ela bufou.
                      Caroline: Quer mesmo saber?

                      Lua: Estamos aqui pra isso!

                      Caroline: Então eu lhe faço uma pergunta: Seu marido já lhe pediu um filho?

    Eu parei e pensei.
                      Lua: Sim...tecnicamente.

                      Caroline: Isso é a tradição! Os Aguair são homens. É um antiga linhagem de filhos únicos. São sempre meninos, nunca meninas.
                    Lua: Hã? Então todos os Aguiar são homens?

       Caroline: E filhos únicos. Essa é a tradição: Quando atinge a maior idade considerada pelo o pai, o filho tem que escolher uma esposa, tomar controle do império da família, ter um filho e anos mais tarde.., ‘livrar-se’ da esposa.

    Nós arregalamos os olhos:

                      Thomas: A senhora da dizendo que todas as esposas dos Aguiar morreram???
                      Caroline: Sim, assassinadas...todas! Essa é a tradição.
      Eu engoli seco, e antes que eu pudesse processar aquela historia na mente, eu tive a comprovação de que ela realmente era uma senhora de idade ao repetir a mesma pergunta:

                      Caroline: Mas que indelicadeza a minha...Não lhes ofereci nem um café!



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