Designer Image Map

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Boss 2

CAPÍTULO 1 p.2 - FALÊNCIA. 


Marquei a viagem para dois dias depois, para que ela pudesse se organizar antes de ir embora. Eu gostava de Emily... - Chay bagunçou os cabelos - mas todas as vezes que ficamos nós estávamos chapados, bêbados, sei lá.
- Ano passado Emily voltou, e você sequer deixou-me recebê-la. - resmunguei. - Amizade dos infernos essa nossa, cheia de segredinhos. - fiz gestos sarcásticos, Suede riu.
- Eu que o diga, amizade de segredinhos. - coçou a barba - Então, fui buscá-la como prometido. Ela estava linda e, o melhor de tudo, saudável. Ou ao menos considerava eu... Enfim, tudo normal. Ela disse que não queria ficar comigo no meu apartamento, disse que já estava grandinha para isso. A primeira coisa que Emily quis ver foi a empresa, daí eu a levei para lá. Naquele dia ela conheceu Lua, digo, pelo menos a viu. E aí, quando foi ao seu escritório, Lua tinha acabado de sair, abarrotada de papéis, apenas nos olhou rapidamente e murmurou um 'Bom dia'. Não pude deixar de olhar para trás e vê-la andando; lembra que ela tinha aquela capacidade de chamar atenção dos superiores? - Chay riu novamente, enquanto eu sentia facadas no ponto vazio onde meu coração devia estar. - E quando entramos no seu escritório, você tinha a mesma cara de bobo, encarando o nada. Agora faz sentido que você no fundo queria aquela maldita designer, mas eu não notei naquela época.
- Emily notou. - concluí. - E aí eu consegui aquela casa para ela. Escondi o quanto valia o terreno, e apenas mostrei que a casa era simples, ela comprou em minhas mãos, mas nunca finalizou o pagamento das parcelas, o que manteve a casa em meu nome.
- É, mas isso vai ser relevante apenas para Lua. Ou poderia ser, porque eu não acho que o gênio dela acharia aquilo um absurdo. Voltando à Emily, o diário... - Chay hesitou - Lembro que no último dia, antes dela partir para Cambridge, ela viera à minha cama no meio da noite, e beijou-me. Ela estava sã, ela estava sóbria; e sabia que eu também. Nós fizemos... Ah, que porra Thur, ela não é sua irmã, ok? A gente transou sem estar bêbados ou chapados. E repetimos, e naquele diário ela ainda escreveu que eu havia dito que a amava. Com todas as palavras. E não foi em francês, Aguiar, foi ' Eu te amo, Emily, para sempre'.
- E depois, quando ela chega aqui, você está com a Mel, olhando para as curvas de Lua e parecendo ter engolido o vírus da volúpia, mas sem promiscuidade, como eu. Ela deve ter achado que você só ia querer sexo. - disse-lhe calmamente. Ele suspirou fundo. De repente, notei as suas palavras. - 
Como assim 'e não em francês?' - perguntei-lhe ríspido, com a voz baixa, rouca e ameaçadora.
- Silly, Silly Aguiar. Naquele dia na casa de praia, naquele maldito dia, Lua me disse que não ia se entregar a mim, eu estava transtornado. Ela disse e repetiu que não pertencia a mim. 
Lu - o apelido feriu como espada enferrujada raspando a pele - disse que iria ser completamente feliz com você, em todos os sentidos, até na volúpia, naquela vontade animal que possuía tanto a ela quanto a mim para apenas uma noite. Ela me descartou. Eu iria provocá-la depois da tortura que me fez, e me aproximei da porta depois de tudo que vocês fizeram - Chay fez uma cara de nojo -, eu ouvi, tudo.
- Você é doente!
- Olha quem fala! - ele resmungou baixo. - Onde está aquela pirralha? Como é o nome dela? Paige... Até o nome é de garotinha, e quantos anos ela tem? 21? Por pouco não é um pedófilo.
- Um trato: Cada um em seu tormento. - falei sério - Agora tire os anéis, pelo menos. E me sinto melhor agora que eu falo com um homem de barba feita, também.
A aparência de Chay havia mudado desde a morte de Emily. Ainda sem retirar as roupas de grife, o miserável se meteu em estúdios de tatuagens para fazer graça no corpo, usar aqueles anéis de prata, deixar de fazer a barba, de cuidar de si mesmo. Eu o ignorei por certo tempo, admito. Mas chegou a um ponto em que tive de intervir, antes que ele ficasse repulsivo o bastante para que jamais renovássemos qualquer voto de amizade. De passadas no barbeiro a tentativas falhas de mudanças de alguns de terríveis hábitos que havia adquirido... como o cigarro. Pelo menos ele bebia menos quando eu o enchi de coisas para fazer, mas ele sempre dava o jeito de puxar um cigarro, e tragar como se fosse a última coisa que fizesse na vida.
- Merda de vida. - Chay resmungava, retirando os anéis e colocando-os no bolso do paletó. Um deles caiu no chão, abaixei-me para pegar. Fora reflexo da própria mão que eu rodasse o anel procurando por algo.
- I Love you forever.- Li em voz alta o que havia escrito. - Você virou gay?
- Porra. Dê-me, isso me pertence. - ele puxou o anel com força da minha mão, colocando-o junto com os outros no bolso do paletó. - 1979 - suspirou - Ela nos deu quando éramos crianças. - Chay sorriu, balançando a cabeça. - Bons tempos, quando para sempre era uma eternidade feliz.
Eu sorri junto a ele. Tirei dinheiro da minha carteira e deixei sobre a mesa.
- Vamos, está na hora. Sair das lembranças e voltar à realidade: falidos. - dei risada, levantando-me. Chay pegou sua pasta e fez o mesmo.
- Falidos, quero só ver quem é o monstro que vai comandar-nos. Espero não ter que aposentar tão cedo minha vida nessa revista; sinceramente, a história da London Music vira livro. - ele gargalhou, num senso de humor que me assustava.
- Você não fumou nada diferente hoje, né? - olhei-o conclusivo.
- Mau pressentimento, mas me faz sentir bem. - riu daquele jeito estranho mais uma vez. Agora eu estava realmente assustado.

Creditos: Fanfics Obession


3 comentários: