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quinta-feira, 17 de abril de 2014

Boss 2


CAPÍTULO 2 p.1 - BOAS-VINDAS 


Eu mal reconhecia aquele lugar em que me sitiava. Tudo fora passado por uma reforma tão radical a ponto de pegar-me olhando para todos os lados. O que antes eram dois escritórios - o meu e o de Chay -, um ao lado do outro, tivera a parede destruída, e assim foi feita uma sala de reuniões, maior e majestosa. Era uma longa mesa de vidro e mogno que se fazia no centro do lugar, assim como um lustre de cristais daqueles de plena magnitude e impressionava alguns dos acionistas que se sentavam às confortáveis cadeiras. A troca de olhares entre mim e Chay fora praticamente inevitável, quem quer que tivesse comprado a London Music, parecia ser muito, muito rico. O investimento fora pesado, principalmente para que o tal mantivesse mais de 50% das ações. Eram 7:55 PM, e a reunião fora marcada para às 8 em ponto, assim como dizia a correspondência. Eu tentava inutilmente relaxar, mas era impossível, era... Inútil. Não conseguia restringir os pensamentos que agora afloravam enlouquecidos para Emily e Chay; eles dois? E eu achando que éramos família. Família não se pega, certo? Pois assim eu penso.
Relutante e desconfortável, eu olhava em intervalos pequenos e de esguelha para Chay, como se quisesse saber mais. Nós estávamos de volta ao trabalho, sem mais poses de chefe, sem mais Lua, sem mais Emily, e com um passado bem irritante soprando nossas pegadas.
A noite demora a chegar na Inglaterra, mas finalmente estendeu-se o breu pela cidade. Havia ainda a grande janela de vidro, que servia como um grande observatório para as ruas movimentadas. Ouvi, então, uma porta se fechar, e um homem alto e grisalho, de olhos muito claros e bem vestido entrar pela porta com um semblante sério. Ele tinha uma áurea de superior... Seria ele? O homem andou em passos lentos, quase arrastados, e sentou na cadeira ao lado da de cabeceira, colocando sua pasta acinzentada sobre a mesa.
- Eis que me chamo Loius Blanco. - disse o homem com um sotaque puxado. - Sou o secretário da sócia majoritária da London Music, empresa a qual os senhores estão investindo no potencial. Todos já a conhecem, então vou dispensar as apresentações. - o homem olhou para trás com uma reverência -Lua, eles vos esperam.
Um sentimento de estática definiu todos os meus movimentos. Lua? Sim, era ela, com certeza. E como se saísse das sombras apresentou-se com um sorriso infalível em lábios com sua cor natural, aquele sorriso chocante e simples. Eu podia sentir meus olhos brilharem, como se pequenos poros tivessem sido abertos ali, e então foram ventilados. E aquilo, o vazio, reclamava; ele estava tão perto de ser preenchido. Engoli em seco e mantive minha pose séria. Joguei os cabelos para trás com os dedos e pus os braços cruzados em encaixe sobre o peito. Ainda a observava, mas no silêncio do meu orgulho. Observava que o vestido era vermelho - lembranças... -, e também que era curto o suficiente para mostrar uma pequena parte daquelas pernas que por tão pouco tempo tive a oportunidade de desfrutar do poder delas. E como o negro fazia parte daquela mulher, como caía em perfeito contraste com a pele, e como também caía em perfeito contraste com a alma.
- Sejam bem-vindos, meus queridos. - ela sorriu largamente, e eu quase duvidei da minha capacidade de fingir. Chay? Quem é Chay? Minha mente era apenas ela. Ela estava de volta, ela cumpriria com suas palavras? Pertenceria a mim e a mais ninguém? E por que... Merda. Eu não estava preparado para que ela voltasse. - Então, como bem feito nosso acordo, traremos à London Music para um novo estágio de glória. Eu não reuni cada um de vocês sem qualquer propósito, sei o que cada um tem como talento. Vocês querem crescer? Querem dinheiro?
Aquela reunião seguiu e eu não ouvi uma palavra, apenas deixei-me levar por pensamentos, lembranças terrenas, e aquilo que me invadia. Eu não sabia lidar com aquele sentimento, não sabia lidar com Lua. Não sabia a primeira palavra que diria a ela; afinal, o que eu diria? "Volte para mim." E ainda tinha a Paige...
Não percebi quando tudo acabou e os outros participantes da reunião foram saindo da sala. Chay ainda estava ao meu lado, e quando o olhei, ele parecia tão perplexo quanto eu. Avoado, não ouvi o som dos saltos sobre o assoalho; mas não pude deixar de confundir o perfume que exalava atrás de mim.
- Oi chefes. - ouvi a voz de minha nova chefe declarar-se irônica perto de mim, e ecoar pelo cômodo, que agora estava quase vazio, exceto por mim,Chay e... Lu.
- Lua... - Chay engoliu em seco, e eu apenas virei meu olhar para ela, morto de curiosidade. - Você realmente voltou.
- Não, Suede, eu ainda estou do outro lado do oceano. - ela ironizou, revirando os olhos. O rosto, os olhos, a boca, o corpo, tudo parecia ter atingido o apogeu da beleza. Estava exuberante, só que com um toque mais adulto, maduro, sério. Lua suspirou e olhou para mim também, fazendo os olhares se cruzarem.
- Vai ser divertido brincar com vocês semana que vem. - ela sorriu largo e afagou meus cabelos. - Continuam sedosos e bons de pegar. - Lu se aproximou, fazendo seu perfume exalar forte para mim. - É, mas parece oleosidade de outras mãos passando por aqui. Está na hora de ser homem de uma mulher só, não é, Senhor Galanteador? - afastou-se.
Encarei-a com um arquear de sobrancelhas.
- Já sou um homem de uma mulher só. - resmunguei, teimoso. Não é porque ela era minha chefe que ia controlar meus relacionamentos, nem se ela fosse a minha chefe e a... mulher que eu... disse amar. Não importava, era muita petulância para apenas uma mulher.
Chay gargalhou:
- Ele está namorando. - riu mais uma vez. Pude ver a fúria transcorrendo rapidamente pelo semblante de Lua, e tão rapidamente veio quando soprou, e sumiu. Definitivamente ela havia mudado. Sorriu e arqueou uma de suas sobrancelhas desenhadas.
- Essa eu pago para ver. - Ela riu. - Tem que ser uma mulher mesmo, hein? E... se você traí-la, perde a aposta, e daí quem me paga é você. - Lu estendeu a mão para mim, deixando a manga do veludo escorrer pelo pulso.
- Acho divertido. - Sorri. - Eu topo.
- Chay é testemunha. - Lu disse. Chay fez cara feia, mas enfim concordou. - Legal, brincadeiras à parte. Chay está com a parte de administração, claro.Arthur, você fica como editor-chefe. Eu trabalho sozinha. No final do mês, contas são prestadas. Amanhã vocês serão chamados individualmente para assinar os contratos, assim como vocês poderão escolher a sua assessoria. Estaremos empregando os secretários e outros funcionários; precisamos de qualidade no serviço, e eu vou confiar a vocês esse cargo. Acho que no final do mês completamos todos os cargos. E... dinheiro não é problema. - Lu piscou, afastando-se das nossas cadeiras e voltando à cabeceira, puxando sua maleta negra. - O resto discutimos depois. E mais uma vez, sejam bem-vindos à 
minha empresa.

(...)

Hot Boss Lua Blanco POV
- Não, Tio Louis, você pode ir pra casa. - disse-lhe, organizando os papéis da empresa, as inovações que traria.
- Sim, senhorita. - disse-me Louis, saindo do escritório em seguida. Era tão irônico que agora eu o visse assim, obedecendo-me, comportando-se com educação. Louis era o monstro da minha vida. Afinal, toda órfã precisa ir a algum lugar. Com um parente tão próximo, não cheguei ao orfanato, fui direto à casa do meu tio. Aquela beleza de homem era meu tio, um solteirão, galanteador; meu tio Louis era como... o Aguiar. Só que um Aguiar com 22 anos, e uma criança de cinco anos para ser criada, educada, formada.
A família Blanco, minha família - e o pronome possessivo até hoje não me agrada -, era do tipo grande. Não grande por ter muitos membros, mas porque todos foram bem sucedidos em suas carreiras profissionais. Eu nunca soube o que realmente houve com meus pais, mas eu me lembro de ter sido culpada pela morte deles. Lembro de um incêndio, de trevas, de gritos, e de ter pulado da janela do segundo andar da casa. E eu me lembro de onde vivia, da ilha de Manhattan e daquelas belas casas; lembro... de New York. Aquela cidade se tornou o meu maior medo. Louis havia ficado com minha parte da herança e desistiu da Universidade de Medicina que cursava, deixou de ser um universitário para gastar a grande herança de meus pais para, segundo ele, proporcionar-me conforto. Louis mal me deixava ficar em casa, a todo momento eu tinha algum curso extra, além da escola. Música, dança (logo descartada pela minha falta de talento), arte, gastronomia (odiava cozinhar), filosofia, qualquer coisa que me mantivesse fora de casa, que me deixasse sozinha, que me isolasse e o deixasse sozinho. Afinal, por que um homem como ele iria perder tempo com uma jovem, educando-a? Deixe que os outros o façam, certo?
Apenas com o começo da Universidade, eu decidi que aquilo terminaria. Eu não morava na própria casa, não tinha educação familiar; e os meus erros eram consertados pela sensibilidade da vida - e sim, isso foi uma ironia.


Creditos: Fanfics Obession



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