Designer Image Map

domingo, 20 de abril de 2014

Boss 2


CAPÍTULO 2 p.2 - BOAS-VINDAS 




Design na Europa, mais especificamente em Londres, na UCA. Até que completasse 21 anos eu não poderia reivindicar a minha herança, para que eu pudesse ser independente. Meu maior sonho, sair daquilo. Ainda quando chegava em casa, tinham aquelas mulheres por lá transitando, aquelas pessoas desconhecidas; algumas vadias, coisas de Louis.
Mas o que eu não esperava, era me apaixonar por um garoto na faculdade. E o resto foi apenas consequência. O primeiro amor a gente nunca esquece, é como se cravasse em nossos corações de tal forma que as memórias tornavam-se inesquecíveis. As melhores fotografias que tenho da minha vida como uma mulher que amava estão na minha mente; assim como aquelas fotografias que quase sempre vêem em relampejos preto-e-branco e detém toda a minha falência quando jovem. Essas fotografias, essas memórias inesquecíveis, jamais achei que poderia superar; até que anos depois, encarasse o medo que era a extrema felicidade e também a extrema tristeza; vales e cristas da vida.
A inocência só é perdida quando se conhece o oposto, e assim vem a enorme cicatriz que me corroeu no Baile de Formatura. Aquelas três palavras que ele - não ouso citar mais seu nome - me disse, eram apenas palavras quando o vi com outra. Como queimar essa maldita memória? Pela fresta da porta, o som dos corpos que se enroscavam, daquela cachorra que uivava e daquele monstro que eu dizia amar, que arfava para possuí-la. Tratavam-se como animais. Et moi? Fiquei apenas a observar e deixei, pela última vez, que minhas bochechas encharcassem com lágrimas. Era tudo tão perverso, por que tinham de me corromper de tal forma? Para que o uso daquelas três palavras? Enquanto saía tropeçando no meu próprio vestido, chorando como uma donzela de novela, acabei por cair e desistir de levantar. Fora um homem quem me deu a mão para levantar-me; era velho, de semblante sábio com óculos fundo-de-garrafa. Então perguntei-lhe as minhas questões e ele disse-me que esses homens que amavam a várias mulheres o faziam pois em cada uma tinham uma necessidade para saciar. Conclusão: Eu não era o suficiente.
Fiz as malas deixando muitos pertences para trás, não ousei falar com aquele traidor, eu apenas fugi. Voltei à Nova York, e me deparei com meu querido Tio Louis e duas mulheres em sua cama, usando o MEU dinheiro para as futilidades e carências sexuais excessivas DELE. Bati a porta do quarto dele com força e fui ao quarto que deveria ser meu, mas estava ocupado com pessoas desconhecidas, cujos rostos minha capacidade de fotografar os apagou.
E assim, eu sou eu. Saí alterada daquela casa, com a chave do carro mais caro de meu maldito Tio. Não me dei ao trabalho de conseguir roupas novas, ou de guardar qualquer coisa antiga, apenas liguei a ignição, vendi o carro e voltei para a Inglaterra. E hoje eu esmago, e piso de salto alto, eu sou a chefe. Chefe daquele que cuspiu na minha criação, chefe daqueles que tinham o poder de me desiludir; eu era a 
Presidente daquela revista.
Um dia eu teria de contá-los a verdade e o porquê de eu ter voltado à Nova York, o meu passado, essas coisas. Não havia mais nada para me impedir de fazê-lo, a não ser aquele instinto. Vingança? Não, acho que não. Seria estupidez da minha parte. Não sabia direito o que estava a fazer naquele momento, talvez brincar, como dissera antes. Brincar com o poder que tinha sobre eles.
Um sorriso formou-se em meu rosto. Passei então a deixar meus pensamentos egocêntricos de lado, coloquei os pés por cima da mesa e encaixei minha coluna na cadeira. E fiquei ali, lendo e relendo meus próprios projetos profissionais, esperando que certa pessoa batesse em minha porta.

(...)

Os passos não demoraram a ecoar pela sala, e eu sequer levantei o rosto para ver quem era. Eu já sabia.
- Você demorou, querido.


Nenhum comentário:

Postar um comentário