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terça-feira, 22 de abril de 2014

Boss 2



CAPÍTULO 4 p.1- TRANSTORNO


Passaram-se exatos vinte e três dias desde o meu reaparecimento em Londres - agora como presidente da empresa que trabalhava. Tudo havia sido feito conforme planejado; sequer haviam mais vagas para empregados, estavam todas preenchidas. As reformas remanescentes haviam sido finalizadas, e os móveis que faltavam haviam sido entregues há uma semana. Nada melhor do que bons funcionários, inteligentes e eficientes, para fazer com que Revista ficasse um brilho em todos os aspectos. No meio tempo, apenas uma acionista, a italiana Edwina, havia desistido; não seria muito problema, já que ela tinha muito pouca porcentagem da London Music. A pena era que eu contava com uma melhor negociação para uma futura sede em Milão. Meus planos para a London Music eram de babar em cima do papel, porém, cumpri-los seria muito diferente. Eu estava preparada para o mundo da arte, música e negócios. Completamente preparada.
A noite que se passou até aquela segunda-feira fora inquieta. Apenas consegui dormir depois de me desesperar e tomar um sonífero. Não adiantou muito, já que minha inquietação enquanto acordada acabou passando para os sonhos. Era um daqueles maus pressentimentos, os quais me passavam angústia e pesadelos. E parecia que minha própria mente estava contra mim, visto que fora o pior pesadelo que havia tido há anos, desde que sonhei com três filmes de terror ao mesmo tempo. Eu via Chay e Thur chorando, de lados separados numa sala estranha, e a voz de Emily ecoando algo com "I told you so, I told you...". Eu estava lá, no meio, e eles olhavam para mim como se quisessem que eu fosse ampará-los, porém, eu teria de escolher um lado para ir, para andar e enxugar as lágrimas. Confusa, eu não sabia para que lado ir primeiro; eu via Thur, mas também um anel de noivado no seu dedo médio; e via Chay, mas meu coração não iria me perdoar se deixasse o outro lá, sozinho. Era minha escolha. Sem contar o anel de noivado, que fora apenas a lembrança do comprometimento de Thur com outra mulher que não eu, era tudo a mais pura realidade. E essa realidade, fora o pior dos meus pesadelos.
Acordei a suar como uma porca, e não tardei a me levantar para tomar uma ducha. Estava tonta, e ainda sentindo muito cansaço pela noite mal dormida; minha visão ficou embaçada por um tempo, até sintetizar ao normal. Banho tomado, cabelos molhados que me faziam tremer de frio, enrolei-me na mais felpuda toalha em direção ao armário. Vesti um 
conjunto Armani, o qual cabiam luvas brancas as quais eu nunca havia usado; e talvez apenas por isso escolhi aquela roupa. Deixei a maquiagem simples, apenas clareando e escurecendo a pele das pálpebras, dando um melhor aspecto aos olhos de quem não dormiu direito. Limpei olheiras e puxei as extremidades com tons escuros, dando um aspecto mais felino ao meu olhar, e menos "Tive uma noite dos infernos e, se estou feia, a culpa é do pesadelo". Eu não gostava de deixar transparecer o que estava dentro de mim. Maquiagem e roupas são sempre boas aliadas. Sempre.

A primeira pessoa que notei quando pus os meus pés na London Music foi Thur; estava cabisbaixo, roendo as unhas nervosamente enquanto a outra mão se ocupava em segurar tensamente o celular. Por mais que Louis ficasse a tagarelar ao meu lado insistentemente, eu não conseguia desgrudar os olhos da aparente tristeza de Aguiar. Quando finalmente retomei os passos de minha consciência, olhei repentinamente para Louis, que parou de andar ao meu lado e também fixou seu olhar no meu.
- Vai ter alguma reunião importante hoje? - perguntei com uma voz rouca, talvez sonolenta.
- Sim, Lua, e daqui a algumas horas, com todo o pessoal. Acabei de dizer-lhe isso. A senhorita, por acaso, estava me ouvindo enquanto eu falava? - ele perguntou, um pouco rígido.
- Eu... - pensei um pouco antes de responder - ... estava tendo uma idéia, desculpe-me Louis. Não consigo me concentrar em tantas coisas ao mesmo tempo.
- Discordo. Você estava olhando para aquele Aguiar de novo. - falou-me ele petulante.
- Ora, eu não já disse que você não deveria se meter na minha vida pessoal? - parei minha reclamação quando vi-me frente à porta de vidro que daria entrada ao meu escritório. Tirei a chave da pequena bolsa e destranquei-o. A grande janela iluminava o local por completo, por mais que fosse com raios solares remanescentes, visto que (pra variar) o céu estava nublado. - Já faz uma semana que você fica me enchendo o saco com o Aguiar. Eu já lhe falei que ele é um antigo namorado, e apenas isso.
- E o Senhor Suede? - perguntou-me Louis, ajeitando a minha mesa. Olhei rapidamente para o local onde Chay devia estar, avistando-o então sentado em sua cadeira, concentrado em digitar algo no computador.
- Um antigo amigo. - respondi-lhe - Mas por que está tão curioso sobre minha vida? Deveria cuidar da sua, isso sim. - sentei-me em minha cadeira reclinável, liguei o Macintosh branco e relaxei. - Agora vai lá, coroa, me arranja as listas que lhe pedi na semana passada.
Louis me encarou com um olhar de dúvida, e sorriu cavalheiro.
- Sim, querida sobrinha. - disse sarcástico a parte do 'querida'. Ele sabia que eu odiava que mencionasse nosso vínculo familiar, assim como eu sabia que ele odiava ser chamado de coroa. Era apenas mais um dia de trabalho... ou não.


- Conseguimos contato com todos os agentes que a senhorita pediu, Lua. Já entramos em contato com alguns deles. - disse-me Alene Gareth, da comunicação, que estava sentada a três pessoas da minha cadeira, a de cabeceira.
- Excelente. E como andam as negociações? Desejo que a nossa primeira capa seja com uma boa banda, além de que tragamos retrospectivas e novidades. - eu disse.
- Bem, a Muse confirmou participação nessa primeira edição. - falou o Sr. Gibson, ao meu lado esquerdo. - Eles estão de álbum novo e, sinceramente, achei-o interessantíssimo. A banda tem ótimas influências, e todos os três integrantes são excelentes músicos. Os caras têm estilo.
Abri um largo sorriso e tomei a fala:
- Muse vai ser a capa da primeira edição, pois então. Vejam o orçamento, é importante; tratem com Chay Suede qualquer despesa. Não quero saber de nada feito sem comunicação. Falando em comunicação, como ficamos com a Apple?
- Eu fui lá na quarta-feira. Eles ainda têm dúvidas quanto às promissões da London Music para dar o plano que a senhorita pediu. - falou Alene.
- Como eles podem ter dúvidas? Depois de tudo que a London Music já foi... - Thur se manifestou pela primeira vez na reunião, quase num sussurro, porém completamente audível para a sala silenciosa e educada. Nossos olhares se cruzaram e fixaram-se. - Pois bem, Alene, iremos hoje novamente. Eu, você, e a Feng-Shui. - eu disse, finalmente retirando meus olhos de Aguiar e colocando-os na mulher sentada na quarta cadeira de distância. - Pode ser, madame Feng-Shui?
A mulher, de cabelos grisalhos cortados impecavelmente em um geométrico Chanel, mexeu a cabeça em concordância. Seus olhos eram castanhos, claros como mel, e puxados. Uma legítima japonesa extremamente experiente em negociação e tecnologia. Eu a tinha como ídolo, apesar de jamais ter-lhe confidenciado nada. Alene também sorriu positivamente, colocando uma das mechas do seu cabelo cacheado e ruivo para trás.
- Eles devem estar com medo de perder novamente por qualquer besteira. Como aconteceu antes, e visto que estaremos comemorando a primeira edição de alguma forma, eles com certeza devem lembrar do que acontecera no ano passado, na festa à fantasia. - disse-me Feng-Shui, com sua voz calma e arrastada. - Com o novo time montado para a London Music e, é claro, Senhorita Blanco, com fundos suficientes para investimentos, não será muito difícil convencê-los.
- É, Lu, e então qualquer coisa você seduz o chefe Steve Jobs. Vai ser facilzinho, seduzir chefes é a sua mesmo. - disse Chay Suede, de uma das últimas cadeiras. O pessoal que estava reunido, a maioria esmagadora composta de novos funcionários, olhou-me com certo medo. Porém, eu ri descontraída.
- Ah claro. "Steve, Carregue-me como a bateria do seu iBook; vamos brincar de Techno dance." - imitei com uma voz sexy, cheia de atuações. Todos começaram a rir unânimes, até mesmo a Madame Feng-Shui riu, fazendo com que seus olhos pequenos parecessem estar fechados. Eu sorri, satisfeita.Thur e Chay sorriam também. E em meus pensamentos, eu gritava "Yes! Pesadelo maluco. Eles estão felizes." - Menos, senhor Suede. - ri-lhe cordial - De uma forma ou de outra, vou providenciar nossa comunicação. Um bom plano para a empresa na telefonia também. - acrescentei, dirigindo-me à Alene, que parava de rir e aprumava-se na cadeira.
- Sim, chefe. - respondeu Alene.
Dominic estava prestes a começar outra discussão quando ouvimos um celular tocar. O dono foi rápido ao desligar, e eu fui rápida a identificar.
- Desculpe-me. Esqueci de desligar. - falou Thur, retornando uma expressão indecifrável, mas que eu remeti como culpa.
- Tudo bem. - disse a ele. - Continuemos então. Dominic, você ia falar alguma coisa?

Creditos: Fanfics Obession

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