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quinta-feira, 24 de abril de 2014

Boss 2

CAPÍTULO 4 p.2- TRANSTORNO


(...)

A reunião terminou no horário do almoço, na verdade, estendeu-se um pouco; o que fez com que eu desse uma hora para que os funcionários saíssem para almoçar. Restara apenas eu, Thur e Chay na sala, até Louis havia se despedido. Estávamos a conversar sobre coisas referentes ao novo projeto e ao lançamento da primeira edição, previsto para o outono; abril, mais especificamente. De repente, o bipe de Thur começou a gritar, digo, a bipar (mas é que era muito alto). Thur olhou para Chay com um olhar de súplica, e então pediu licença para sair da sala de reunião. Não demorados segundos e ouvi uma estranha voz proferindo, de forma inadequada para o ambiente de trabalho, ou seja, alto, o nome de Thur; também de uma forma não muito agradável (pelo menos para mim). Rapidamente coloquei-me para fora da sala de reunião para ver o que estava acontecendo na Redação semi-vazia.
- Thur, meu amor! Que saudade! Por que não me retornou a ligação? Eu estava doida para falar com você, dizer que eu viria te ver. Mas aí então, resolvi fazer surpresa, e... Nossa, você tá estranho.
- Eu acabei de sair de uma reunião, Paige. Estou com fome, não almocei ainda.
- Não acredito! Já sei, foi a megera da sua chefe que não lhe deixou sair. Ah, ela me irrita tanto...
A pessoa que encontrei pelo corredor do saguão, com um conjunto cinza e casaquinho de cashmere, era a minha cópia... De quando eu tinha 22 anos. A mesma cor de cabelos, o mesmo natural dos olhos, o mesmo rosto anguloso; o corpo definido, as sobrancelhas, os ombros... Ela tinha praticamente tudo que eu tinha, apenas era um pouco mais alta e seca. Até o estilo de roupa, seria algo que eu usaria. Essa então seria a tal...
- Paige. Em carne e osso; um pouco mais de osso, devo dizer, mas... Sim, é ela mesma. Paige Wallace, a garotinha do Aguiar. - ouvi a voz de Chay dizer atrás de mim. Eu estava silenciada pela surpresa daquele desvio em que as coisas estavam tomando, aquele transtorno terroso.
- Irritante é ela, nem me conhece e já vem cheia de dedos. - resmunguei num sussurro, apenas para Chay ouvir. Ele riu baixinho e ficou ao meu lado, observando os pombinhos: o velho gá-gá e a garotinha-clone. - Ela é muito parecida comigo... fisicamente.
- Parecida? Ela é sua cópia, xerocada frente e verso. - disse Chay, e eu o encarei com um olhar ameaçador. - Com todo respeito, é claro. - ele acrescentou.
- É. Impressionante. - falei com desgosto, quando finalmente notei o olhar de Thur em mim, enquanto a garotinha o abraçava. Apenas o rosto dele, do otário, olhando para mim como num ato de quem pede por clemência.
- Você está tremendo. - comentou Chay, percebendo as minhas mãos que recebiam o sangue a pulsar puro ódio. Eu o ignorei, mantive meu olhar no deAguiar, e então gesticulei: apontei para mim mesma, para minha face, e então para a garotinha que ele abraçava. Mostrando, então, que eu identifiquei a semelhança. Thur quis dizer alguma coisa, separando-se daquele abraço e vindo na minha direção com Chay; a menina ainda em seu encalço.
- Lua, gostaria de apresentar a minha namorada, Paige Wallace. Paige, essa é Lua Blanco, minha chefe.
Quanta ousadia!
Senti meu sangue ferver ainda mais para as mãos, então as escondi atrás do corpo e fiz um gesto simplório com a cabeça.
- Prazer em conhecê-la, senhorita. - sorri-lhe cordialmente (falsa). A menina pareceu não notar e, inocente, retribuiu com um sorriso verdadeiro e cheio de energia. Bem, pelo menos o sorriso não era igual ao meu. Seus dentes da frente eram separados, até demais, num caso de aparelho ortodôntico, e ela não tinha meus caninos afiados. A-há!
- Prazer é todo meu, senhora Blanco! - falou Paige com sua voz mansa. Eu ouvi um senhora? Minha cara de mulher casada, por favor?
- Senhorita, minha jovem. Ainda não tive o infortúnio de um casamento, reservo-me para outras prioridades. Casamento apenas por amor. - sorri com os lábios fechados, deixando meus olhos correrem rapidamente para Thur e Chay, respectivamente, mostrando então que era melhor não me deixar muito tempo ali.
- Que lindo, Thur! E eu achando que sua chefa era treva. Ela acredita em amor de verdade.
- É, Paige, ela acredita... - disse Thur com uma voz um pouco entediada, ou triste, eu não sabia definir.
- Que nem o nosso amor! - sorriu Paige, abraçando Thur de lado. Agora quem estava prestes a gargalhar era eu. Apesar da raiva que me consumia, eu via tudo claro como o azul do céu. Thur não amava Paige. A-há, parte dois!
- Chay! Nem te vi aí do lado, como você está? - Paige observou a presença de Chay, cumprimentando-o com dois beijinhos.
- Bem, vejo que está na minha hora. Tenho compromissos e não posso desmaiar de fome entre eles. Você está já bem acompanhada, senhorita Wallace, apenas devo pedir-lhe que não tome muito tempo dos meus queridos editor e administrador. - sorri graciosamente para a menina (que por acaso estava mais alta do que eu, minimamente, mas estava) e puxei Chay para dar-lhe um beijo na bochecha, com a real intenção de sussurrar em seu ouvido:
- Estou na máquina de café, e irada.
Saí daquele círculo tenso e fui para minha novíssima em folha - e é claro, mais do que amada - máquina de café. O que seria de mim sem cafeína? Dio Mio, nada seria! Nada seria, nada seria...

Cheguei em casa sentindo-me completamente exausta. Aquela infeliz guria saltitante não saia da minha cabeça e, apesar de saber que Thur não a amava, eu também não sabia até quando ele duraria: Primeiro, porque tinha feito uma aposta comigo; e, segundo, porque ele seria orgulhoso demais, e ostentaria aquilo até não poder mais. A questão é: Até quando seria o limite de Thur Aguiar para ceder e finalmente voltar para os meus braços?
Bem, eu sabia até onde iria meus limites. Antes de me deitar, olhei o calendário, estávamos em janeiro, final do mês. Visto o sucesso com todos os empreendimentos de hoje à tarde, inclusive o da Apple, a primeira edição sairia com sucesso em abril, sem quaisquer problemas. Eu suportaria até lá? Não, mas eu tentaria, ao menos, ficar quieta quanto a isso, e enfiar minha cabeça no trabalho, esquecendo que bate um coração do lado esquerdo do peito e que, perto do meu escritório, tenho a perdição atentando diariamente.



Creditos: Fanfics Obession

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