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domingo, 27 de abril de 2014

boss2

CAPÍTULO 6 p.1- VINGANÇA DE DESEJO


- Alô?
- Lua Blanco.
- Oh, senhorita Lua! Mas que prazer em falar com a senhorita, nem que seja por meio do telefone. - disse-me uma voz feminina, porém mais velha, um pouco rouca. Eu não reconhecia de nenhum lugar. Tudo bem que faltavam 30 minutos para o fim do expediente e eu estava contando os minutos para enfim parar de atender telefones, alisar a cabeça dos outros e sorrir como uma Barbie; mas mesmo assim! Eu ainda estava em pleno funcionamento. Quem diabos era aquela mulher?
- Desculpe-me, senhora, mas... com quem estou falando?
- Ora, mas que estupidez a minha. Esqueci de me apresentar! Sou a Phoebe Wallace. Você deve conhecer minha filha, Paige.
Senti minhas narinas inflarem automaticamente, em desprezo. What the fuck? O que a mãe Paige fazia me ligando?
- Sim, sua filha. A namorada de um dos meus funcionários, Arthur Aguiar. Sei quem é. - falei entediada ao telefone, passando a desenhar um bonequinho numa forca em um dos post-it esquecidos na minha mesa.
- Thur, que garoto bom. Ainda nem o conheci, mas pelo que a Paige vem me falando dele, ele já me parece ser maravilhoso.
- É. Ele é. - enforquei o bonequinho e passei a procurar a caneta vermelha. Thur, um garoto... Há!
- A Senhorita deve estar ocupada, realmente não queria importuná-la... - a voz da mulher Wallace continuava a se propagar, até eu finalmente achar a caneta e voltar ao meu desenho macabro. - É que minha menina sumiu, e esqueceu o celular em casa.
Parei de desenhar o sangue escorrendo do meu bonequinho (que eu ainda estava a decidir se era o Aguiar ou a Paige), para então me tocar do que estava acontecendo. A mãe da Paige estava me ligando para perguntar sobre o paradeiro da filha? Não precisam mais da Super Nanny. Quem sabe aquele carinha que treina animais na televisão fechada? Bota uma coleira na pirralha!
- Entendo. O que a Senhora deseja de mim?
- Só queria saber se ela está aí com o Thur. É que eu tenho vergonha de ligar para o escritório dele, por isso pedi para transferirem para a senhorita. Paige me disse que vocês eram amigas, então achei que você não ia se importar.
E viva a genética! Porque se Paige é insuportável, ela realmente puxou a mãe. Eu estava para dizer: "Minha querida, eu sou a chefe do namorado da sua filha. Symancol deixou lembrança." E só nisso eu ganhava vários pontos. Mas aí para dizer que o namorado da filha dela é o meu ex o qual eu estou tendo uma briguinha infantil, porém ainda o amo, era melhor ela tirar a criança dela de campo.
Olhei para o escritório do Aguiar. Ele tentava trabalhar, parecia tentar, e Paige estava lá - no horário do expediente! - acariciando-o, conversando (lê-se fazendo um monólogo, Thur sequer abria a boca). Pentelha.
- Ela está aqui sim, Senhora Wallace. M-
E a mulher ainda desliga na minha cara! Louis entrou no meu escritório antes que eu começasse a gritar de raiva.
- Lua, a reserva para o 41 está feita para três dias. Aquele produtor musical vai estar lá com a equipe, a reunião fica para a segunda feira de manhã.
Eu estava a ponto de dizer: O quê, como, quando, por quê? Toda sucumbida em meus probleminhas esqueci dos problemões. Louis pareceu ler meu olhar.
- O produtor que vai cuidar das coisas na inauguração da revista. O agente do Muse também vai estar lá, assim como todos os funcionários que trabalharão. Tem um auditório reservado para vocês.
- Ah, sim. - respondi, colocando a mão sobre a cabeça, bagunçando os cabelos sentindo uma leve pontada de dor de cabeça. - Obrigada Louis. Você pode folgar esses três dias, não vou precisar dos seus serviços; está dispensado. Avise aos outros funcionários, eles também estarão dispensados nessa segunda.
- Você vai fazer tudo sozinha?
- Sim, já está tudo pronto. Só falta a parte financeira... Mas eu vejo isso com o Chay depois.

Era uma terça-feira, e meus planos para os próximos dias, além do trabalho exaustivo, consistiam que, no final de semana, ainda me hospedasse em um dos melhores hotéis 5 estrelas de Londres, para ter uma reunião com todas as pessoas que cuidariam da grande festa de inauguração da revista. O trabalho me enchia o saco, principalmente com o carma que eram Paige e Thur juntos.
Consciente, eu havia criado uma espécie de ódio de Thur a qual jamais pensei em ter na minha vida. Mas ele estava pedindo por isso! Por que não largava a maldita criança e vinha pegar a mulher de verdade? E se fosse pela beleza, bem, eu nasci primeiro, a beleza é minha, ela que "roubou" por falta de criatividade. Ah! O fato de ela parecer comigo apenas me deixava mais insana. Ele realmente ia me trocar por aquilo?
Não haveria muito tempo para eu me acalmar, a não ser que eu desistisse de tudo (principalmente da aposta) e fosse falar com o cabeça dura lá. Mas não, eu não estava preparada para desistir. Eu queria me vingar, de algum jeito idiota e infantil, mas que eu tinha certeza de que ia me sentir melhor. Porque furar o meu orgulho era demais. Além do mais, eu não me meto com homens com namoradas, faz parte do código de conduta adotado pós-trauma. E que os dias passassem... 

terça-feira,
quarta-feira,
quinta-feira,
sexta-feira,
sábado

domingo
41 Hotel, 00:30 am.
Coloquei Etta James para tocar a noite inteira, até me sentir cansada o suficiente para deitar na cama e dormir. Desliguei o iPod, deixando-o sobre a mesa de cabeceira, e tentei descansar a mente...

41 Hotel, 2:30 am (n/a: acompanhe a 
música)

Uma igreja, várias pessoas. Eu no altar, porém não no centro, do lado. Eu era madrinha de um casamento. Thur ali perto, parecendo... O noivo. Chay sentado na terceira fileira. O som da voz de Emily atormentando a minha cabeça: "Sempre separados.". Uma noiva, parecida comigo, mas não era eu; Paige Wallace. Thur e Paige. Thur e Paige...
I heard church bells ringing (Eu ouvi os sinos da igreja tocarem)
I heard a choir singing (Eu ouvi um coral cantando)
I saw my Love walk down the aisle, (Eu vi o meu amor descer pelo corredor)
On her finger, he placed a ring ( No dedo dela, ele pôs um anel)
Oh, I saw them holding hands (Eu os vi de mãos dadas)
She was standing there, with my man! (Ela estava ali, com o meu homem!)
And I heard them promise "til death do us part" (Eu os vi prometer "até que a morte nos separe")
Each word was a pain in my heart (Cada palavra foi uma dor no meu coração)

A música que cantava em minha mente, como um fundo musical mais alto, contava a história do que estava acontecendo. Eu queria me mexer, eu queria impedir, mas nada, apenas sentia lágrimas escorrerem do meu rosto.

And all (E tudo)
All I could do was cry (Tudo que consegui fazer foi chorar)
I was losing the man that I Love, and all I could do was cry (Eu estava perdendo o homem que amava, e tudo que podia fazer era chorar)

Eu sabia o último verso da música, não, não! Aquilo não poderia estar acontecendo, só podia ser um sonho!
Não, um pesadelo!
For them life have just begun; but mine it's at an end. 
(Para eles a vida apenas começou, para mim, ela está no fim) 

Acordei com um grito abafado no travesseiro. Estava suada, minha respiração acelerada e o meu coração para pular para fora do peito. Liguei a luminária que estava ao meu lado, para ter noção de tempo e espaço. Ainda eram 2:38 AM, e eu estava ainda naquele hotel. Eu não ia conseguir mais dormir, definitivamente não ia.
Levantei-me da cama (que por sinal era muito confortável), e fui lavar o meu rosto no banheiro. Não sentia mais sono, e tinha medo, de que quando voltasse a dormir, o pesadelo fosse continuar. Sentindo a água fazer efeito revigorante, percebi do que precisava. Num ato de insanidade, ou talvez numa medida desesperada, enviei uma mensagem. 
"Encontre-me. Preciso de você.
Xx Lu"


Mesmo tendo ido ao 41 por motivo de negócios, jamais deixaria de colocar um maiô no mala, apenas em caso tivesse tempo para desfrutar da sauna. Era o que eu precisava; piscina, água quente, tudo no meio da noite, para tentar me curar do meu pior pesadelo. Thur se casar; jamais, a não ser que eu fosse a noiva. Por outro lado, eu preferia morrer do que assistir aquilo.
Também, eu não queria ficar sozinha, não de novo.
Eu havia conseguido raiva o bastante de Thur para não ter enviado aquela mensagem a ele, mas ao maldito Suede. Eu não queria amor naquele momento, não queria nada complicado; apenas queria uma das melhores faces do amor: prazer. Eu queria sentir-me amada, sem ter de amar e sofrer de verdade. Chay seria perfeito; Chay se encaixava no que eu precisava, antes de tudo, antes de assumir a posição de uma verdadeira desesperada. Além do mais, era uma forma do meu lado vingativa (e infantil, devo admitir), também ter prazer, e finalmente saciar um desejo que há muito estava preso em minhas entranhas. Inconsequência era o remédio para a minha mente quando tudo ficava muito pesado, estranho ou complexo. Como quando eu fugi de casa, soquei um ex-namorado, comprei um apartamento sem ter emprego fixo para pagar as prestações; como quando eu transei com meu chefe no escritório dele, no carro no meio do nada, num casebre que eu sequer sabia onde se localizava; como agora. É um jeito de ver a vida por um lado bom: arriscando-se.
Abri a minha mala e peguei o 
maiô preto e simples, vestindo-o logo em seguida. Não me dei ao trabalho de tirar o suor que há pouco estava no meu corpo tomando um banho; apenas puxei o roupão e coloquei por cima do traje, saindo do meu quarto de hotel para ir à sauna.

Creditos: Fanfics Obession

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