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segunda-feira, 7 de abril de 2014

The Divide

Cap 58


O clima ao redor estava calmo, propício para a conversa que teríamos a seguir.
                        Lua: Então é uma ocasião especial? – perguntei, me sentando.

                        Arthur: Sim. – Ele também se sentou.
                        Lua: E porque deveria ser?
                       Arthur: Porque hoje eu lhe contarei tudo o que quiser saber sobre mim e minha ‘familia’.  Mas antes, quero que se alimente, pedi que fizessem um jantar especial pra você.

   De fato. Sobre a mesa havia muitas variedades...tanto de comidas, como de bebidas. Mas eu não tinha estômago, então me servi de qualquer coisa pouca, e ele não foi diferente, mas continuamos conversando.

                       Lua: Como foi seu dia?
                       Arthur: Turbulento. Problemas no trabalho.
                       Lua: É mesmo?

                      Arthur: Sim, mas essa noite não quero falar sobre isso, querida. – Ele pausou.- Não tenha medo, responderei suas perguntas.


   Não era surpresa pra ele que eu ainda estava muito desconfortável com tudo aquilo, e que minha mente pedia por mais informações.

                     Lua: Antes de tudo, quero que saiba que eu sou Lua Blanco, filha de Antônio Blanco, e que não tenho nenhum interesse...
                    Arthur: Não tente se enganar querida. Você não pode fingir que não é filha de Jhonnatan e Olívia. 

                     Lua: Mas eu não sou filha deles, Arthur. Eu tive um pai que cuidou de mim por 17 anos, e mesmo que aquele homem não tenha sido meu pai biológico, ele agiu como tal, portanto, eu me recuso a deleta-lo da minha mente.
                    Arthur: Compreendo.- Ele respondeu, entre uma golada e outra do vinho tinto.  – Me parece que ele foi um homem bom pra você...fico feliz por isso. Lembro-me de quando soubemos que você tinha aprendido a andar de bicicleta...Jhonnatan ficou radiante com o fato. – Ele relembrou.


 Lua: Me explique isso, eu não consigo entender...

                       Arthur: É simples: Antônio sempre nos mandava noticias suas, e toda vez que seus pais sabiam de algo, eles ficavam eufóricos...Uma vez, Jhonnatan quis encontra-la. Você devia ter uns 9 anos na época.
                       Lua: E ele não foi até la?

                      Arthur: Por Olívia. Ela não suportaria encontra-la, e depois ter que deixa-la novamente. Seus pais te amavam muito, querida, Olívia era uma mulher fascinante, extremamente linda e inteligente...Você se parece com ela, porém possui o gênio de Jhonnatan. – Ele sorriu.

                       Lua: Arthur...- Eu quis mudar o assunto.- Eu sinto muito.
                       Arthur: Não sinta.
                       Lua: Não tem como não sentir, eu causei isso à você.

                      Arthur: Você não. Jhonnatan sim. – Ele respirou fundo. – Eu o odiei por alguns anos, por fazer com que meus pais sofressem, mas ele estava desesperado com a idéia de perde-la, e acabou cometendo alguns erros na vida.

                       Lua: E você simplesmente...aceitou?

                       Arthur: De forma alguma. Foi um grande sacrifício pra mim. Eu tive que me adaptar completamente a vida dos Aguiar: Tive que aprender a andar, a falar e a agir. Tudo o que eu sabia na época, eu tive que mudar.

                        Lua: Mas você só tinha 6.
                       Arthur: Mas eu era um garoto forte, inteligente, sabia muito bem o que queria. E entre mim ou minha irmã, eu não hesitei, e optei pela segurança dela.

                       Lua: Onde está Camillie?


  Ele demorou pra responder.

                      Arthur: Camillie mora em outra cidade. Vive razoavelmente bem, terminou a faculdade a alguns meses, agora trabalha em um hospital.

                       Lua: Ela é médica? Nossa, sua mãe dele ter um orgulho danado dela...

                      Arthur: Sim, com certeza. Mas nem tudo é tão perfeito assim.


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