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domingo, 11 de maio de 2014

A estranha perdida

Capitulo 3

Capítulo 03


Quem tem pressa come extremamente cru. Minha mãe já dizia isso, mas eu nunca havia levado tão a sério. 
Nunca fui do tipo que aceitava fácil as coisas, e não seria agora que as coisas seriam assim. 
Eu não comi frio, ótimo, agora quem sabe um prato quente não estava me esperando? Ou não! E ah, eu estava disposta a qualquer coisa. Não teria nada a perder. Na verdade, só a ganhar. Mais um fora, no máximo. E pra quem já tinha um, mais um faria diferença. Aliás, muita diferença. 
Comprei minhas passagens, fiz reserva no hotel e esperei que chegasse o dia. 
Deixei apenas uma mensagem offline no MSN. 

Lu says;
Thur, Thur. Não sei se te importa, mas chego por aí amanhã. Voo 8471, 10h30, estrupício (L' ... Lu

Se ele leu? Não sei! Se não se importou? Também não sei. Mas não comentou nada. O que aumentou mais ainda a minha tensão diante de tudo isso. 
E é, quem diria que essas seriam às três horas mais longas de toda a minha vida? 
Abaixei os óculos de sol, peguei os fones do iPod e desencanei para todo o resto que deixei pra trás. 
Eu esperava. No fundo, eu esperava que ele fosse. Mas algo me dizia que eu era idiota demais por estar pensando nisso tudo, agindo dessa forma. É só um garoto. Será que é pra tanto? 
Parece uma frase que ouvi um dia 'Como vou saber se eu não tentar?'. É, alguém precisava fazer alguma coisa, então, que fosse eu. 
O avião pousou violentamente me fazendo grudar na poltrona. Tirei o iPod dos ouvidos e sorri. 
Desci correndo do avião, o mais rápido que pude. O saguão, aquele saguão. 
Aquele era um local conhecido por mim. Não familiar, pois só havia estado lá uma vez, mas eu lembro bem como era. Um barulho forte de aviões pousando e decolando. 
Minhas mãos suavam e minhas pernas tremiam. Talvez fosse por ser a primeira vez de tudo isso. Meu coração estava a ponto de sair pela boca quando senti algo se aproximando e duas mãos tampando os meus olhos. 
Naquele instante pensei que eu fosse desabar, mas permaneci na mesma posição estática e trêmula de antes. Mas agora, com a certeza que meu coração já estava na garganta e o chão aos meus pés uma poça d'água, de tanto que minhas mãos suavam. 
Devagar as mãos que estavam em meus olhos já estavam em meus ombros me virando para frente de si. Um rosto que eu já havia visto antes, um sorriso melhor do que eu já estava acostumada a ver. 
- Oi. - Uma voz baixa, ecoou sussurrada por ali e eu não pude deixar de sorrir. 
Balancei a minha cabeça como se eu não estivesse realmente passando por aquilo, sorrindo, retribui ao comprimento. 
As mãos que seguravam meus ombros, levemente foi se passando pelo meu pescoço, chegando à nuca, aonde alguns fios dos meus cabelos eram presos entre os dedos. 
Uma leve puxada aproximou nossos dois corpos que ainda estavam tão distantes. 
Passei meus braços envolta daquele corpo e senti um cheiro incrivelmente perfeito me intoxicando completamente. 
Não é o cheiro que eu tanto imaginei, mas posso afirmar que chegava a ser melhor. 
Afundei minha cabeça em seus ombros, sentindo o gesto ser recíproco. 
Dois corpos inteiramente colados. Dois rostos incrivelmente juntos. Podia sentir aquela respiração falha e rouca ao pé do meu ouvido. Um carinho leve na minha nuca me fazendo arrepiar a cada segundo e meu coração prestes a explodir. 
- Tá nervosa, garota. - Thur riu, me encarando. 
- Eu não pensei que você viesse, estrupício. - Sorri envergonhada. 
- É, eu não viria mesmo não. - Ele balançou a cabeça. - Mas eu vim. 
- Legal. - Sorri. - Bom te ver. 
Sem jeito, fiquei olhando as coisas em minha volta. Minhas pernas ainda tremiam e aquele nervoso evidente chamava a atenção de qualquer um. 
- Tá com fome, praga? - Ele me chacoalhou meu corpo de um lado pro outro. 
- Eu to, e você? 
- Também. - Ele riu e me puxou pelas mãos. - Então vamos comer. 
Eu comecei a rir da situação. Os fatos eram mais engraçados do que eu imaginava. 
- Mas você nem sabe o que eu quero comer. - Ergui a sombrancelha e sorri falsamente. 
- Não tem problema. Eu escolho o que comer. - Ele continuava me puxando. 
Ele estava atrevido. Muito atrevido. E se eu dissesse que não gostava, mentiria. Porque era realmente do jeitinho que eu queria que fosse. 
-Então, o que você vai fazer hoje à noite? - Sorri, enrolando macarrão no garfo. 
- Ainda não sei de nada? Por? - Ele me encarou com um 'arzinho' suspeito. 
- Só pra saber. - Sorri e continuei comendo. 
- Você tá em que hotel, mulamba? - Ele riu baixo, apertando meu braço. 
- Não sei o nome. Só o endereço. - Gemi baixo de dor. - Foi meu pai quem reservou. - Dei com os ombros. 
- Que legal isso. Mas é uma burra mesmo. - Ele riu e me apertou denovo. 
- Acho que você gostou de me apertar, Arthur. - O repreendi. - Não me solta. Que chiclete que você é. - Dei a língua. 
- É que você é fofa, Lu. Dá pra beliscar. - Ele riu e continuou apertando. 
- Você também é, tá? - Sorri e comecei a apertá-lo também. 
- Ai! Isso dói garota. - Ele segurou o braço com força e eu ri. 
- Fez dodói? Que dózinha, feio. - Ri baixo e passei minha mão de leve pelo braço dele. 
A brincadeira idiota se arrastou durante toda a hora do almoço. Eu não entendia o por que disso tudo, mas era legal e eu estava mesmo gostando. 
- Você é maluca. Não entendi ainda por que você ta aqui. - Ele sorriu. 
- Esqueceu que as coisas sempre dependeram de mim? - Sorri. - Se eu não fizesse nada, você não faria. 
- Quando eu digo que você é retardada... - Ele balançou a cabeça negativamente. 
- Isso é um problema pra você? - Mordi meu lábio em repreensão. 
- Claro que não, garota. - Ele ia se levantando e me esperou. 
- Acho ótimo. - Sorri, o acompanhando. 
- Mas espera. - Parei o encarei. - Não tem nada do que eu possa me arrepender, né? 
- Não. - Ele riu e me puxou novamente. - Agora vem que eu vou te levar pro seu hotel que você nem sabe o nome. Burra, burra. 
Ficamos rindo por algum tempo. Na verdade, ríamos de tudo. 
Se eu me conhecesse como conheço, diria que eu era a pessoa mais idiota e estranha do mundo. Mas eu não me sentia assim. Pelo contrário, ele me fazia tão bem, que parecia que nos conhecíamos assim há anos. E pelo visto, ele parecia sentir o mesmo. 
Entramos no carro, eu disse o endereço do hotel e ele me levou. 
- Fica pronta às nove. - Ele riu quando me entregou a mochila. 
- Vou ficar pronta às sete, melhor. - Sorri e recebi um beijo na bochecha. 
Peguei a mala de mão e a mochila e fiz o check-in. Peguei a chave e então subi pro meu quarto. 
- Ah, brincadeira! - Sorri quando dei uma olhada no quarto que meu pai havia reservado. 
Acho que ele sempre ficava nesse hotel quando vinha pra cá. Na verdade, ele só deve ter vindo umas duas vezes, mas a recomendação foi boa. 
Era relativamente grande. Tinha uma cama grande e um banheiro também grande. Uma poltroninha reclinável à beira da janela, perto da cama. Uma mesinha e um criado-mudo. Ah! Frigobar recheado de chocolate e televisão de plasma de 42'. Mesmo se tivesse dado tudo errado, eu iria me divertir pra caramba, do mesmo jeito. 

Autora:Bruna Tavares 
(POP)

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