CAPÍTULO 11 p.1 -
EMILY SUMMERS E LUA BLANCO
Feixes de raios solares atravessaram
- Lu? - a voz rouca e sonolenta de Thur surgiu como uma canção de ninar. Fechei os olhos novamente, apenas sentindo-o ao meu lado.
- Sim?
- Você tem uma cama? Minha coluna dói em cima dessa mesa.
- Você tem forças pra se levantar? - perguntei.
- Acho que sim.
- Bem, eu não. - virei-me para ele, encontrando seu rosto amassado de sono e, ainda assim, incrivelmente lindo. Seus olhos mal conseguiam abrir. - Me carrega para a cama?
- Lu, eu estou praticamente dormindo. Você quer que um zumbi te leve à cama?
- Você vai mesmo me deixar aqui criando mal-humor em cima dessa mesa dura? - fiz cara de necessitada das ruas, como se mendigasse mesmo.
- Por que fazer essa cara? - ele perguntou, fechando os olhos como e evitando minha cara de cachorro sem dono.
- Pare de responder minha pergunta com outra pergunta. - fiz bico.
- Minha coluna dói.
- Você é um velho mesmo. - eu disse, levantando-me e saindo de cima da mesa de sinuca. Vesti a blusa dele que estava jogada no chão, e esperei-o levantar também.
Thur apenas riu e levantou-se num vulto rápido, descendo da mesa de bilhar e rapidamente vestindo-se com sua boxer, essa facilmente encontrada em uma das caçapas. Olhou-me malandro e se atirou ao meu encontro, pegando-me no colo e correndo feito um louco pela casa.
- Thur! - eu gritei, dando risada ao mesmo tempo ponderando os danos que poderiam ser causados caso desse uma câimbra nos braços dele, e ele acabasse me soltando. - Devagar, for God's sake! Meu quarto é o... - mais risadas descontroladas quando ele me girou - você fica animado rápido... - ele riu - Meu quarto é o terceiro do corredor, indo di... Direto.
Ele ia muito rápido, eu jurava que ia cair. Nossas risadas se misturavam descontroladas, loucas, engraçadas; às vezes eu não sabia se estava rindo de algo que acontecia, ou se ria apenas da risada dele. Num instante, graças ao Senhor The Flash que me carregava, fui jogada na cama fofa que tinha os lençóis novos com cheiro de sabão em pó e amaciante. Thur se jogou ao um lado como um peso morto, e eu parei para recuperar o ar, já que dar risada é realmente uma coisa que cansa. Com minha respiração ainda acelerada, pus-me sobre Thur, em suas costas, e passei a distribuir beijos estralados por seu pescoço e ombros; parando então para massagear suas costas.
- Ah... Assim tá bom. Aqui, mais em cima, direita, direita... Aí! Aí é o lugar que mais dói. - Thur falava abafado, com a cara pela metade afogada no travesseiro fofo. - Se eu soubesse que era tão boa massagista, havia contratado você como minha secretária há 3 anos.
- Cala a boca, Aguiar. - falei, dando um tapa leve em suas costas e me deitando ao seu lado. Ele deu risada e ajeitou-se sobre a cama, de modo que pudesse me puxar e encaixar nossos corpos de lado.
- Se importa se eu dormir mais um pouco? - ele perguntou manhoso.
- Pode dormir o quanto quiser, chefe.
Não foi preciso mais palavras, o próximo som que eu ouvi de Thur foi a sua respiração calma e prolongada, e nada mais. Dormiu tão rápido que mal pude contar os segundos. Estava tão feliz de tê-lo ao meu lado, sobre minha cama, abraçando-me... O sono logo me invadiu, e fez com que eu dormisse junto a ele, profundamente.
Acordei novamente, dessa vez sem sol na minha cara. Ouvia então a chuva bater na janela de vidro. Como poderia essa cidade chover tanto? Sentei na cama, colocando as pernas para fora e as mãos sobre o rosto, esfregando os olhos. Eu poderia estar acordada, mas meus olhos coçavam irritantemente, ardiam, e eu nem sabia por quê. Parando de tentar arrancar meu globo ocular fora, olhei para o lado onde Thur deveria estar deitado, mas não estava. A cama estava vazia. Forcei mais a vista, achando que era ilusão, mas não, era realidade, Thur não estava na cama.
Levantei num impulso e fui ao banheiro, onde consegui lavar os olhos e rosto, fazendo com que a coceira fosse amenizada. Andei por toda a casa e não o encontrei, a não ser na geladeira, onde encontrei um bilhete com aquela letra típica masculina, descendente de hieróglifos:
"Lu,
Dei uma saidinha, mas volto já, por favor não planeje me assassinar. Fiz café da manhã pra você, coloquei no forno, é só esquentar.
Sempre seu,
Thur"
'Bonitinho', pensei, relendo o bilhete pela terceira ou quarta vez. Sorri sem nem perceber, abrindo então o forno e encontrando omeletes ainda mornas, o que indicava que ele havia saído fazia pouco tempo. Dei de ombros e não me dei ao trabalho de por as omeletes no microondas; nem ao menos usei garfo e faca, estava faminta. De colher e usando meu dedo indicador como faca, devorei as omeletes feitas por Thur. Não eram as melhores que eu já havia comido, mas ainda assim tinham um tempero exótico, gostoso.
Por ter comido muito rápido, a sede atacou, e eu abri a geladeira para pegar um copo de água ou de qualquer desses sucos industrializados que costumava comprar, na pura preguiça de usar o liquidificador. Passei a andar pela casa, meio sem direção, tomando goles do suco de uva. Eu me senti como um monstro faminto, tendo comido tão rapidamente a omelete e agora enchendo a pança de suco. Um horror, eu sei, mas a gente não costuma pensar bem quando se está com fome. Acabei por ligar o som na sala, deixando algo calmo tocar, alguma surf music facilmente identificável como Jack Johnson, e então fiquei a encarar a chuva pela janela da sala de estar.
Thur poderia ter saído para, enfim, acabar com Paige. Esse era meu pensamento. E um pensamento muito feliz por acaso.
Ouvi então um som de celular tocando insuportavelmente, mas não conseguia identificar de onde vinha, foi então que eu vi algo piscando em uma das caçapas da sinuca. Saí correndo, mas não fui rápida o suficiente, já que quem ligava parecia ter desistido. O celular obviamente não era meu, o meu toque era diferente. Era de Thur. Eu bem sei que bisbilhotar as coisas alheias é muito feio, mas não pude deixar de ver no visor quem ligava para o meu - agora e novamente - namorado.
Chay
E ainda havia uma mensagem.
"Onde você está? Esqueceu do nosso compromisso? Estou com Emily. xx Chay"
Impossível Chay estar com Emily, ela estava morta! A não ser que... Que ele estivesse no túmulo de Emily, no cemitério que eu já conhecia. Era a minha chance. Eu finalmente ia poder contar tudo que queria a aqueles dois, e ainda mais com a lúgubre presença de Emily Summers. Olhando o visor do celular novamente, percebi que havia outra mensagem, essa de alguém (infelizmente) conhecida. Paige Wallace:
"Amor, já acordou? Você vem me pegar hoje? Desculpa ter saído da festa cedo.
Te amo
Xoxo Pay"
Tomei um banho, escovei os dentes, vesti uma roupa qualquer e saí de casa correndo, sem nem ao menos desligar Jack Johnson que tocava na sala.
Creditos: Fanfics Obession



tomara que não aconteça nada pra tur e lua termina
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