CAPÍTULO
14 p.1- ACERTO DE CONTAS Últimos Capítulos
5 meses
depois, 12 de junho.
Trabalho difícil do dia: Supermercado. Depois de - finalmente - reformar o apartamento, estava na hora de dar um jeito na cozinha, trazendo, portanto, ingredientes para alimentar os monstrinhos da casa. Isso é, a lombriga que com certeza morava na barriga de Thur, e a minha fome incontrolável, depois de gastar tanta energia. Sim, eu era assim. Não conseguia controlar minha fome, queria comer o tempo todo; em compensação, parecia uma máquina trabalhando, e só parava na hora de dormir (porque até antes disso... uma máquina).
Eu assisti a seção de verduras e legumes passar, completamente confusa. Deus, como eu achava difícil escolhê-los! Seria realmente bom se toda mulher já nascesse com esse instinto, sabe, de escolher legumes e verduras.
Coloquei os fones de ouvido, deixando qualquer música relaxante tocar. Optei por deixar no shuffle, músicas aleatórias, e fiquei a cantar baixinho escorada no carrinho de compras. Passei pelos corredores lentamente, observando até as embalagens dos produtos. Minha vida me incomodava. Eu sabia que precisava dar um jeito naquilo.
Namorar escondido era pura adrenalina. Esconder, fingir, rir escondido... Essa era a realidade entre mim e Thur. Estávamos escondendo-nos de tudo. Isso por razões óbvias. Apesar de eu ter demorado a acreditar, Thur realmente terminou com Paige naquela tarde, logo depois dela ter passado no meu escritório para bater o cartão no quesito cara de pau. Pois bem, mas a vida continuava, e seria loucura que assumíssemos o relacionamento em público assim, das trevas. Eu era sim conhecida pela imprensa como a cara da London Music, e ainda tinha uma reputação a zelar dentro da empresa; e o mesmo seguia para Thur. Nós sabíamos que fomos errados ao se pegar loucamente com ele ainda se relacionando com a "zero oitocentos paraguai". Mas ainda assim precisávamos ficar juntos, era uma necessidade insaciável, louca, estúpida! Éramos amantes. Mantivemos então a relação em segredo, o que fora bem divertido no começo, e até que nos fez ficar nessa durante tanto tempo.
Ele também não estava muito feliz. A nossa última conversa, por fim, fez com que chegássemos a uma decisão hoje à noite. Por isso eu estava no mercado também. Precisava fazer um jantar decente, ao menos, na minha 999999ª tentativa de copiar uma daquelas receitas do Jamie Oliver.
Andei pelo supermercado tão lentamente que se passaram três horas para que o carrinho lotasse e eu finalmente fosse ao caixa, tirando os fones de ouvido. Foi então que eu vi algo estranho. Alguém que eu conhecia, ou reconhecia.
- Lua? - perguntou-me a mulher. Era baixinha, por volta dos 58 ou 60 anos, e usava mais maquiagem que o recomendável. As pernas curtas cobriam-se com meia-calça cor de pele, e o vestido rodado anos 60 lhe dava um ar de viajante do Tempo.
- Eu?
- Não acredito que não me reconhece, Lua Blanco! - a mulher abriu os braços, sorrindo largamente. Eu sabia que a conhecia! Fiz uma cara de reconhecedora de faces, analisando-a o mais minuciosamente possível. Ela comprava tantas Coca-Cola's! Ah, não! Só podia ser...
- Margareth! - exclamei sorrindo. - Não acredito que é você.
- Claro que sou eu, bastardinha, e quem mais seria? - ela pôs uma mão a frente para que eu cumprimentasse-a. Ignorei. Europeus, que mania de não se abraçar! Envolvi meus braços por Margareth, enquanto aos poucos ela aceitava ser abraçada.
- Tia Margareth, a única professora que me amava! - eu disse, tentando não chorar. Morria de saudades dela! Eu sei que ela era a única que me recordava de um jeito bom da época de faculdade. Talvez porque não me fez dizer meu nome em voz alta quando derrubei a prateleira de lápis; apenas me colocou para trabalhar o dobro, até pagar o que eu quebrei. Bem, tudo menos a humilhação, certo?
- Acho que agora todo mundo te ama, querida. E olhe o que uns 15 anos não fazem com você, hein? Está parecendo gente, eu ouço o seu nome toda hora na televisão! - Margareth me disse, afastando-se.
- Vou aceitar isso como um elogio. - disse-lhe pensativa.
- Lua, acredite, isso é um elogio. - ela me falou convicta. - London Music, hein? Quem diria, a atrapalhada Blanco...
Fiquei envergonhada. Realmente. Não fosse por ele eu não era nada além de alguém atrapalhada com sotaque americano que ninguém queria entender.
Minha conversa empolgada com Margareth logo se acabou quando o caixa do supermercado Waitrose, com uma cara de burro amarrado, resolveu chamá-la. Ela passava os produtos falando três milhões de coisas ao mesmo tempo, e mal parecia alguém que deveria respirar. Margareth era louca, mas ainda assim era minha professora universitária favorita. Apenas envelheceu na pele, pois as roupas e a obsessão por Coca-cola continuavam as mesmas.
- Ah, você não sabe! Lembra aquele seu namoradinho safado? Victor Hugo?
Eu gelei.
- Sim, lembro dele. - disse como quem não se importa.
- Pois é, ele está trabalhando lá na Universidade... - ela comentou. Foi aí que eu parei para pensar. Eu estou no Waitrose, isso quer dizer que a University of Creative Arts estaria... A cinco quarteirões daqui! Deus, eu estava em Epson! - Está ensinando Design Gráfico. Um excelente professor, mas continua com aqueles probleminhas, você sabe. Ao menos agora sabe vestir um terno.
Victor não era o tipo que vestia ternos, pelo menos na época que eu o conheci, quando suas roupas eram jeans rasgados e camisa de banda. Sem contar em all-stars surrados, e aqueles cabelos louros tocando os ombros. Ele era lindo, mas um canalha; como 90% da comunidade masculina mundial.
- Que bom. - eu disse, colocando minhas compras em cima do balcão.
- Muita gente iria querer conhecê-la, Lua. Você bem poderia dar uma passadinha lá comigo, não é? - ela falou quase numa súplica. Fiquei pensativa, assistindo Margareth pagar suas coisas com um cartão Visa. Assim que acabou, ela ficou ajudando a empacotar suas coisas, e eu comecei a passar as minhas.
- Eu estou com essas compras no carro e, além do mais, eu moro em Wimbledon, é um pouco longe não é?
- Não anda mais de metrô?
- Nope.
- Mudanças!
- Quer saber de uma? Eu vou. Eu vou, tem até uma estudante que eu conheço lá. E eu adoraria rever o Knox. - falei de uma vez.
- Ótimo! Então eu vou esperar, e você segue meu carro.
- Sem problemas. - disse. Pedi para o caixa cara de burro empacado agilizar a vida dele, e logo consegui por as compras no carrinho e sair em disparate com Margareth, caminho à UCA.
Estava decidido e mais do que decidido que eu enfrentaria o meu passado, então porque não fingir um sorriso e cumprimentar o filho da puta que fez a minha ruína de vida amorosa ser pior do que já era? É, não tem nada que não possa ficar pior. Aquilo era uma oportunidade de eu confrontar meu passado. So, let's go.
O caminho foi rápido até a Universidade, e quando eu me vi olhando aquele lugar de frente, foi como sentir milhões de facas atacando minhas memórias. Tirando-as dos potes que eu as tranquei, fazendo-as jorrar em minha cabeça como um mar de um passado que me fazia enlouquecer; até hoje. Era tenebroso, eu não conseguia que aquelas imagens sumissem da minha visão.
- Lua, você está bem? - perguntou-me Margareth, mexendo as mãos pequenas na frente do meu rosto.
- Claro, estou ótima! - disse balançando a cabeça, andando ao seu lado com passos lentos, apenas para acompanhá-la em seus passos curtos. Era muito mais alta que ela. Eu observei a entrada da UCA sentindo o meu estômago revirar. A entrada era a mesma, apenas haviam usado um pouco mais de tinta nas paredes e tecnologia na acomodação. Margareth me apresentava a todos pelo caminho.
- Muitos dos seus professores já aposentaram, pouquíssimos trabalham aqui. Eles já eram velhos nos anos 90, imagine agora! - Margareth tagarelava, empurrando-me pelos corredores. - Ah, Anos 90, uma loucura. Apesar de que hoje em dia eu não sei viver sem Twitter. - ela riu - Posso ficar velha, minha filha, mas eu estou sempre atualizada!
Eu fingi uma risada nasalada, enquanto tentava pedir ao meu coração, mentalmente, que ele parasse de querer sair do meu peito, batendo tão forte.
Margareth levou-me ao seu escritório, dando uma seção nostalgia na qual eu vi a minha foto junto ao Victor no último ano, na entrada da formatura. A maldita formatura. Dessa vez, eu deixei que os sentimentos simplesmente tocassem o meu corpo, enchessem minhas veias. Não os segurei na minha mente, ou naquilo que chamavam de coração.
- Victor me traiu na formatura. Ou sei lá quando e quantas vezes, mas eu peguei no flagra na formatura.
Margareth encolheu uma feição de nojo.
- Normal. Ele está casado agora, mas nós já tivemos que interferir uma vez, quando descobrimos que estava tendo caso com uma aluna. - ela falou, tirando a foto da minha mão e colocando-a de volta na pasta.
- Eu lembro da música que tocava enquanto eu o via com Cassandra. Eles mal se falavam e de repente se tornaram amantes em minha frente. É muita falsidade. É muito cinismo.
- É impressionante.
- Eu quis que eles queimassem no inferno, senti-me melhor depois de dar um murro na cara de Victor. Aliás, esse foi um dos motivos para que eu não sentasse e simplesmente chorasse. Não sei. Ser enganada é terrível. - baixei a cabeça, pois quando percebi, estava colocando tudo para fora para minha professora de história da arte de anos atrás. Na verdade eram exatamente 14 anos. E sim, eu me senti velha ao dizer isso.
- Querida - mania de Margareth de chamar todo mundo de 'querida' ou 'querido' - Você tem que superar isso.
- Já superei.
- Sei que sim. - ela riu - Com um daqueles bonitões que você trabalha, não é?
Arregalei os olhos molhados. Como ela sabia?
- Eu os vi na televisão, você agradecendo a eles. Já fuçaram sua vida toda, moça, todos sabem sobre você. Até eu fui entrevistada! - ela sorriu largo, fazendo pose. - Mas eu a conheço. Você tinha asas para todo garotão que passava pela universidade, e só não fez nada por causa do Victor.
- Odeio quando as pessoas me lêem como se eu fosse transparente. - resmunguei, cruzando os braços.
- Sorry, Darling. - disse-me Margareth. - Bem, eu vou deixá-la à vontade. Victor está dando aula na última sala do corredor para o oitavo semestre. Você ganhou dele, Blanco, tenha certeza disso.
Creditos: Fanfics Obession
Por Favor ne pessoal vamos comentar as web's segunda feira faltei trabalho pra adaptar a web the divide pra vocês não comentarem direito , nem nada.



Amo essa web mas pq nao posta as outras webs amo todas e tenho curiosidade de le.
ResponderExcluirameiiiiiiiiiiiiiiii
ResponderExcluirAinnn que massaaa... Pena que ta acabandooo!!!
ResponderExcluirAcabando tbm :(
ResponderExcluirWeb ótima
ResponderExcluir