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quinta-feira, 29 de maio de 2014

Boss 2

CAPÍTULO 14 p.2- ACERTO DE CONTAS



Já fazia 20 minutos que Margareth havia me deixando em sua sala até que ela fosse pegar uma Coca-cola no carro. O porquê de ela ter me deixado aqui tanto tempo era, sem sombra de dúvidas, para que eu fosse falar com Victor. De uma vez por todas. Pensei em Thur, Chay, Emily. Pensei em Paige, na comida que estava esquentando no carro, no vinho que eu tinha que colocar na geladeira. Pensei, mais uma vez, no passado; até finalmente perceber que eu jamais iria para frente se não colocasse essa parte do meu passado no passado também. Era um fato que as coisas do passado deviam permanecer no passado. E se eu repetir essa palavra mais uma vez, eu juro, vou me jogar num abismo.
Saí da sala de Margareth decidida. Passos decididos, feições decididas. Eu era Lua Blanco, e não deixaria que... O 
pretérito me deixasse para trás, e para baixo. Não mesmo. Última porta à direita. Foi de repente que um monte de gente saiu daquela mesma porta que eu pretendia entrar. Escondi meu rosto, só por precaução.
Como um lugar poderia ter um cheiro tão específico? Aquele lugar me cheirava a anos 90. Assim que a mini multidão resolveu sair da minha frente, ainda fiquei um tempo ali, parada, tentando assimilar as coisas. Foi mais do que repentino quando Paige me apareceu furiosa saindo da sala, e a voz dela ecoou pelo corredor.
- Vá a merda, Victor! Não aguento mais isso. Meus pais já conseguiram me manter na faculdade, a culpa é sua por ter sido um idiota durante todo esse tempo. Eu quero que você suma da minha vida, só isso. - ela disse andando rápido. Victor Hugo segurou o seu braço, prendendo-a na parede com força.
- E você vai fazer o quê, chamar sua mãe? Eu estou cansado desse doce seu. Aposto que você dava muito mais fácil para aquele seu ex-namorado, ou para o projetista, porque eu sei que vocês se comeram no porão. - Eu o observava de costas, e mesmo ainda tendo a mesma idade que eu, já estava um pouco grisalho, mas ainda assim, incrivelmente lindo. Cabelos curtos, um tapete em sua cabeça. Por que tão bonito? Shit.
Os dois se olhavam tão intensamente, que a minha presença era de um fantasma. E continuaria a ser, até alguém dos dois me notar.
- Grande merda. Como se você se importasse. - resmungou Paige.
- Eu me importo!
- Se importaria se estivesse namorando comigo!
- Eu sou casado, porra!
- E eu sou jovem, porra! Não esculhambe com a porra da minha vida se não conseguiu suceder com a sua. Otário. - Paige desgrudou-se dele, indo em frente e finalmente, olhando para frente. Eu. Ela. Eu. Ela. Dois olhares assustados. Pus as mãos na cintura, sobre o tecido fino do meu vestido quadriculado.
- Hello. - falei deixando o escárnio faiscar de minhas palavras. Victor me encarava com um olhar de interrogação que logo se tornou uma exclamação surpresa. Reconhecimento. - Paige, que bom vê-la. - falei com a cara de pau mais tosca vista na face terrestre.
- Lu! Eu, eu... Você ouviu tudo?
- Bem, surda eu não sou. Então sim, eu ouvi tudo.
- Eu não aguento mais isso! Quero ir embora!
- Você vai embora, cherié. Nova York em dois meses. Agora me dê licença, eu vou conversar com seu professor. - disse-lhe, com os olhos fixos nos de Victor.
- Você vai me defender? - perguntou Paige, tocando meu braço.
- Não Paige, eu não ligo para quem você fica ou deixa de ficar. - respondi ríspida.
- Mas ele é meu professor, e está, hum, abusando de mim! - ela praticamente gritou para mim.
- Que pena, isso é problema seu. Seja bem-vinda ao mundo real Paige. Você fez a merda, aguente até o final. Eu aposto que até hoje Victor aguenta as merdas que fez no passado, não é Victor? Como está o seu supercílio?
Eu nunca me senti tão bem em minha vida. De frente para quem destruiu meu coraçãozinho. Pobre coraçãozinho, pulando de felicidade por causa de uma vingança tão simples, apenas palavras ríspidas. Lovely.
Victor mexeu na sobrancelha, por cima de uma cicatriz que eu sorria por ter feito.
- Blanco. - falou em sua voz grossa.
- Knox. - repeti.
- O que faz aqui?
- Vim dar autógrafos. - ri alto enquanto ele olhou desconfiado - Mentira, só vim visitar a Universidade. Lembrar do passado.
- Você sempre teve medo do passado. - ele reclamou, aproximando-se. Paige ainda não havia saído do meu lado, e eu me sentia baixa demais pelo fato de ela usar saltos gigantes, enquanto eu usava rasteiras. Terrivelmente baixa. E ela se escondia do meu lado de tal forma que parecia que eu era a mãe dela, defendendo-a do homem mal.
- As coisas mudam. Bem, pelo menos na minha vida.
- Hum... - ele fingiu farejar. - Sinto cheiro de mulher apaixonada. Maquiagem bem-feita, olhar brilhando, roupas decentes. Você ficou do mesmo jeito quando eu era o seu dono.
- Eu nunca pertenci a ninguém Victor, se fiz parecer que sim, desculpe-me. - disse rípida.
- Bem... - ele se aproximou em demasiado. O engraçado é que eu não perdia mais o ar quando senti o seu perfume, ou o seu olhar brilhando sobre o meu. Minhas pernas não bambearam, estavam rígidas ao chão. - Você não pode negar que um dia seu coração foi meu.
- Não. Isso é um fato. - aproximei meus lábios dos seus, rapidamente desviando e beijando-lhe a bochecha. - E também é um fato que você perdeu meu coração para sua cabecinha de baixo, que sempre tem que falar mais alto, não é?
Victor me encarava com os olhos de esmeralda confusos, perdendo-se. Eu me sentia charmosa como uma princesa quando seu olhar caiu sobre o meu, e os meus olhos desviavam-se do seu num ar de ignorância. Se eu soubesse durante esse tempo que passou que eu tinha superado ele! Ou talvez... Talvez não houvesse assim tanto tempo para que eu superasse-o. Talvez eu só superei quando meu coração voltou a ter, de certa forma, um dono; ou dois donos, que fosse!
- Eu aconselho que você se afaste da Wallace, já que ela não te quer. Ainda continua de uma beleza estonteante, consegue outras que...
- Eu não quero outras. Eu quero ela. - ele resmungou, tocando a Wallace com a mão grande. Suspirei.
- Você quer demais. Está casado, não é? - olhei para a aliança. - Bem, então devia estar satisfeito. Uma pena que você não aprendeu a lição.
- Ah! - ele riu loucamente - Você pensa que me ensinou uma lição? - riu mais ainda, olhando para minha cara.
- Sim. - respondi convicta.
- Coitada de você, Lua.
Olhei para Paige ao meu lado, ela não parecia feliz. Sua ingenuidade era um ponto, sua perversidade - pelo menos para o lado do sexo - era outro ponto, e suas lágrimas loucas para escorrer eram o ponto final. Suspirei mais uma vez. Eu via a risada de Victor em slow motion, e então eu fui, vagarosamente, cerrando os punhos; um sorriso brotando dos meus lábios rosados.
Em um segundo, Victor estava rindo, em outro, estava com a mão no rosto agachado, xingando todos os nomes que sabia.
- Coitado de você, Victor. - disse eu, com um ar superior que nem eu mesma sabia de onde tinha vindo. Eu havia esmurrado-o exatamente como fiz catorze anos atrás, e ele nem ao mesmo se deu ao trabalho de aprender a se defender de mim. - Eu sinto pena de você.
- Você! De novo! Sua... - gritou ele, parecendo, sei lá, ator de novela mexicana levando um murro pela primeira vez. Segurei-o pela orelha, e fiz ele olhar o meu rosto.
- Primeiramente, fale baixo, que ninguém quer ouvir a gazela chorando. Segundo, você acabou de levar uma surra de uma mulher, de novo. Terceiro, isso foi para você aprender a lição: Não traia. E no seu caso, se você trair enquanto eu estiver por perto, você não vai só perder confiança, pode perder seu rostinho bonito.
Eu ria baixinho, querendo não dar uma gargalhada de Cruela Cruel conseguindo o que queria.
- Você vai ser presa! - ele reclamou, ao menos não gritou.
- Você também, seu velho pervertido! - resmungou Paige ao meu lado, finalmente fazendo algo útil. Dei de ombros e abracei Paige de lado, eu estava tão feliz que nem reclamaria da minha cópia 0800 por ter ficado com o cara com quem meu coração pertencia por tanto tempo. Além do mais, Deus, como porradas poderiam ser revigorantes!
Dei as costas ao maldito Victor Hugo Knox, e não ligaria de vê-lo de novo, xingar e bater nele era uma terapia e das melhores. O sonho de qualquer mulher. Despedi-me de Paige antes de descer as escadas, e voltar a me preocupar com uma das poucas coisas que realmente me importavam, talvez a mais importante; Thur Aguiar.


Creditos: Fanfics Obession


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