CAPÍTULO 15 p.1 - WHO IS
THE BOSS?
O meu apartamento estava digno de se olhar. As paredes da sala estavam cobertas de madeira e alvenaria, dando um ar de exterior para o lugar. Eu havia trocado o sofá para algo mais aconchegante, como uma namoradeira e duas poltronas. No meio de tudo, tinha uma mesa de centro bem baixinha, onde coloquei um ornamento japonês que era realmente uma graça. As cores predominantes na sala eram marrom, preto, branco, cinza e tons de roxo. Na parede foi pendurada uma televisão de plasma 42'' Scarlett, de alta definição; e os meus muitos CDs e DVDs foram organizados em prateleiras sob a TV.
A sala de estar era também a sala de jantar, o que me fez apenas adicionar uma mesa apropriada para as refeições e confortáveis cadeiras. Um grande lustre fazia parte da decoração, ficando logo sobre a mesa, e dando um ar longínquo e levemente vitoriano. Dois pratos e talheres já estavam postos, e um descansador esperava o prato principal.
Na saleta - onde ficava a sinuca - pintamos, eu e Thur, as paredes de vermelho-sangue; e enchemos com alguns quadros antigos os pontos sem janelas. Por sua vez, as largas janelas foram combinadas com belas e grandes cortinas escuras, fazendo com que a pequena saleta tivesse um ar vitoriano renovado. Prateleiras com livros foram colocadas em um dos lados do lugar, e um novo e aconchegante sofá de veludo encaixou-se perfeitamente em uma das extremidades da sala. Estava definitivamente agradável.
O jantar estava marcado para as 9 horas da noite. Um pouco tarde, mas a folga da sexta-feira era apenas para mim, Thur estaria no trabalho até aquele horário mesmo.
Entrei no apartamento com dificuldades devido ao tanto de sacolas que carregava. O porteiro era um mala, e só havia ajudado com as compras até o elevador. Maldito seja. Meu caminho sofrido até a cozinha me deu uma vontade de ter ataque de pelanca e não arrumar mais nada. Eu nunca achei que tivesse o dom de cozinhar, mas também nunca parei de tentar. Meu pensamento era sempre: Quando eu crescer, vou casar com um cozinheiro, que, além de cozinhar, vai amar lavar pratos. Ninguém merece lavar pratos. Mas é claro que no final eu acabei dando uma de cientista maluca na cozinha, e o homem que - bem - eu provavelmente casaria, cozinhava tão bem quanto eu. Sobre lavar pratos, bem, nós dividimos os dias e colamos a tabela com um ímã na geladeira. E era independente sobre em que casa nós estaríamos.
Rolei os olhos com meus pensamentos e comecei a organizar os produtos que estavam nas sacolas em seus respectivos lugares. O design da cozinha me ajudava bastante, já que havia uma boa quantidade de prateleiras e a dispensa não economizava espaço. O cômodo era claro, em tons pastéis e mármore branco. As paredes eram cobertas com tinta bege e azulejos com um tom mais escuro colocados de forma aleatória. O fogão era uma coisa linda de se ver, e a geladeira - escolhida por Thur - tinha tantos compartimentos que eu só seria desorganizada se quisesse. Estar rica é estar em outro patamar da vida. Acredite. Em pensar que eu recusei dinheiro durante tanto tempo da minha vida.
Quando tudo estava em ordem, eu já me sentia uma porca suando. Abri as janelas do apartamento, deixando o ar fresco entrar. Queria tomar banho, mas não ia adiantar; porque preparando o Courguette ao Carbonara ia me sujar toda de novo. Fui rapidamente até a sala, ligando o som e deixando uma playlist qualquer a tocar. Foi no exato momento que eu comecei a colocar a mão na massa como cozinheira, que as músicas mais interessantes começaram a tocar; e então a minha história se resume a rebolados, ingredientes e muita lambança.
Thur Aguiar POV
Despedi-me da London Music com um sorriso no rosto. Era o meu momento de glória, iria pedir a minha Lu em namoro. E depois iria fazer declarar publicamente da forma mais brega possível, para que ela se envergonhasse, e quisesse esconder o rosto no meu pescoço. E então eu ia sentir sua respiração perto de mim. E depois ela reclamaria muito, tentaria me bater; e no final nós acabaríamos na cama, num sexo romântico e selvagem ao mesmo tempo. Ah... Devaneios!
Girei a ignição do carro, ouvindo-o roncar quando acelerei. Eu não poderia estar mais feliz.
O caminho foi sinuoso até a casa dela. A verdade é que às vezes era difícil diferenciar se aquele era o apartamento dela que eu dormia de vez em quando, ou se era o meu apartamento que ela dormia de vez em quando. A troca de chaves foi uma idéia maliciosa, e que deu muito certo. Eu nunca pensei que seguiria os passos básicos de um relacionamento daquele jeito! Parecia algo.... Meant to be.
Não passei muito tempo pensando se iria propor ou não, mas Lua tinha a séria habilidade de fazer coisas simples virarem complexos indecifráveis. Ora, era só um namoro, e qual era a grande coisa sobre isso? Ah, claro. A capacidade de falhar em relações amorosas é mérito dela, e ela explicou trezentas mil vezes, e a única coisa em que eu consegui me perguntar era por que alguém como ela se deixaria sucumbir a coisas mínimas como aquela? Namorar era tão simples; acabar um namoro, aí sim, é outra história. E por que ficar remoendo o fato de não ter namorado antes de mim?
Nosso relacionamento antes de ela se irritar comigo e com toda aquela história com Emily nunca teve um fim formal. Nós apenas separamos; para mim foi abandono. Eu comentei isso com ela na nossa primeira discussão de relação, mas, para variar, Lu disse que eu superestimava o fator abandono pelo lado masculino. Disse que eu não estava acostumado a perder mulheres daquele jeito. Era verdade? Claro que era; e é óbvio que eu não admiti. Vejamos bem, o final da discussão foi feliz: Sexo de reconciliação.
Sorria tão freqüentemente com meus pensamentos que mal percebi quando cheguei na frente do prédio de Lua. Estacionei na frente do portão, saindo do carro e entrando rapidamente no prédio, indo direto ao elevador sem nem cumprimentar o porteiro. Eu sinceramente achava que ele era gay; tratava-me bem, mas fazia o contrário com Lua. É, definitivamente ele era gay.
Chequei o relógio mais uma vez: dez horas e vinte e oito minutos. E a minha capacidade excepcional de atrasar para um encontro. Ajustei o paletó ao meu corpo, bagunçando o cabelo do jeito que ela gostava, cheirando o hálito e checando o visual. Suspirei lentamente ao girar a chave na fechadura, e abri a porta. Dois perfumes me invadiram de imediato: cheiro de massa italiana e o perfume de maçãzinha de Lua. Na verdade, o perfume dela não era de maçã, mas o frasco era, e eu nunca lembrava o nome do perfume, mas adorava.
Ela estava deitada sobre a namoradeira roxa, com as canelas descobertas e a pele a brilhar; talvez um novo hidratante especialmente para que minhas mãos escorregassem com mais facilidade pelo seu corpo. Usava uma incrível roupa preta, que só de olhar eu me sentia revitalizado. O couro presente na parte de baixo moldava suas curvas, e o corpete delineava seus seios com perfeição. Um sorriso tão malicioso quantos meus pensamentos fez-se em meu rosto. Em uma das mãos Lu segurava uma taça de vinho, e bebericava, parecendo não perceber minha presença. Victor Sylvester era o som de fundo, tocando talvez alto demais, When I fall in love.
Em passos seguros atravessei a sala até o som, abaixando-o, fazendo com que aquela mulher notasse minha presença. Ela levantou o olhar daquele jeito de quem não se importa, mas assim que seus olhos cruzaram com os meus, estávamos conectados à suma importância.
- Então o senhor editor chefe resolveu chegar. - ela comentou, levantando-se do sofá para se aproximar perigosamente de mim. Inalei mais fortemente o seu perfume, e me deixei levar pelos instintos que me possuíam. Puxei-a pela cintura, forçando o encontro de nossos corpos. Ela continuou séria. -Atrasado.
- Desculpe-me chefe. Muitas coisas a serem delegadas sem a sua exímia presença na empresa. - falei pomposo, automaticamente aproximando meus lábios de seu pescoço. Beijei-lhe cada extensão de pele descoberta na área do pescoço e clavícula. Em um instante o seu rosto sério demonstrou a fraqueza de um sorriso, e uma consequente risada quando a minha barba mal feita fez cócegas.
- Está desculpado. - ela disse calma.
- Sério? - perguntei-lhe impressionado. A música fazia com que seus quadris se mexessem de um lado para o outro, e eu tinha quase certeza que ela não se apercebia do rebolado. Inevitável deslizar as mãos para sua bunda.
- Bem, talvez eu lhe faça sofrer comendo meu courguette ao carbonara. Ou pelo menos a tentativa de fazer aquele prato. - Lu disse, olhando em meus olhos. Beijou rapidamente meus lábios, afastando-se sem nem dar tempo de eu retribuir o beijo.
- Você cozinhou? - perguntei assustado. Ela concordou com a cabeça. - Inacreditável.
- Bem, pois é, eu cozinhei. E eu acho que nós temos muito a conversar... - Lua se afastou de mim, saindo dos meus braços furtivamente para abaixar um pouco o som.
- Lu... - chamei-a.
- O quê?
- Eu não estou com fome.
- Eu não quero saber se você está com fome. Você vai comer. - ela me disse, autoritária. - E se quer saber, você está ficando muito magrinho. - eu fiz bico. - Ah, Thur! Vai que eu acertei dessa vez? Você vai perder de comer meu maravilhoso courgette.
- Lu, eu confio em você para muitas coisas. - fitei seus olhos felinos - Mas cozinhar...
Ela me encarava com tamanha fúria que meu corpo respondeu com um passo retardado.
- Aguiar, você é inacreditável. - fez bico e saiu. Ótimo. Teimosa. Acha que pode fazer tudo excelentemente bem. Alguém tinha que dizer não a ela! Vai que a comida estava envenenada com o fruto do gosto ruim? Argh! Ela sempre esquecia de colocar alguma coisa, ou esquecia o forno ligado e queimava as coisas; a única coisa que sabia fazer eram ovos, bolo de chocolate, uma ou duas sobremesas e mais arroz e feijão. A mulher falava três línguas fluentemente, sabia tocar vários instrumentos, desenhava como uma artista nata, sabia geografia crítica e política; uma decoradora excelente, leitora assídua de clássicos, presidente de uma empresa... Se ela ainda soubesse cozinhar, minha auto estima estaria seriamente danificada.
Fui à sua procura, encontrando-a encostada no balcão da cozinha. Lua percebeu minha presença rapidamente, e armou o olhar almejante ao homicídio para mim. Bem, eu já era à prova de suas teatralidades quando se sentia ofendida. E eu aposto como se ela abrir a boca no exato momento em que eu por meus pés na cozinha estará cheia de um vocabulário erudito. Diria a falecida Emily, Lu apareceria cheia de dedos.
- Por que tu entras em minha cozinha? Quem deu a ti permissão para tal ato? - perguntou ela, toda pomposa. É, ela estava cheia de dedos.
Olhei para a panela no fogão que guardava o seu tão dito molho carbonara. Na pia, uma vasilha de vidro estava cheia com o macarrão courgette. Silenciosamente, peguei uma colher no escorredor e provei um pouco do molho da panela.
- Só um pouco mais de sal. - comentei com a voz baixa, pegando o sal do saleiro e jogando pitadas sobre o molho da panela. Liguei o fogão, esquentando o molho e mexendo um pouco. Lua me observava, mas eu não queria encará-la no momento. Não tinha, então, a mínima idéia de que careta fazia. Ela odiava encarar o simples fato de que eu era melhor cozinheiro que ela. Ela odiava estar por baixo em qualquer coisa; e se ocorresse o contrário em algum momento, não seria da minha Blanco que estaríamos falando. Apesar de tudo, somos orgulhosos, teatrais, metidos, e também um excelente casal.
Creditos: Fanfics Obession



amei
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