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terça-feira, 6 de maio de 2014

Boss 2

CAPÍTULO 9 p.2- A LONDON MUSIC CONVIDA PARTE 1



Buffet, decoração, salão de festas, convites, confirmações... Assim seguiu o resto da minha semana antes da festa da London Music. Quando me vi, havia esquecido de checar algo importantíssimo: a própria revista. Isso, eu tinha de não ser perfeita. Foi só abrir a minha gaveta, que o problema estava resolvido: Havia o Livro de Edição, com um post-it anexado, e a seguinte mensagem: 
"Além de suas expectativas, chefe.
Thur Aguiar"

E tinha de ser tão insuportavelmente metido. Bem, eu não podia reclamar, mas ele não havia feito mais do que a obrigação. Soltei um risinho insignificante enquanto revisava cada página do Livro, e assim que terminei, liguei para o ramal de Louis, pedindo a ele que levasse o livro à gráfica. Seria impressa a primeira remessa hoje, a que só iria para os pontos mais importantes de venda e as que seriam usadas durante a festa, distribuídas aos convidados.
No sábado a impressão seria em larga escala, e enquanto festejávamos, eu anunciaria que as revistas estavam simultaneamente sendo entregues por todo o Reino Unido. Apenas depois conseguiríamos exportar a revista para outros países, talvez daqui a um mês. Era o prazo que tinham para traduzir as matérias da primeira edição. As outras edições estariam por conta de cada filial, de cada país.
A festa era no dia seguinte, e eu tinha que me preparar, sabe, emocionalmente. Não podia entrar na Festa Futurística da London Music vestindo-me simplesmente como uma, sei lá, Jetson. Foi aí que eu tive uma idéia maravilhosa: ia parar de viadagem e só escolher minha roupa quando fosse a hora. Nisso eu percebi que estava ainda na revista, passavam das 9 da manhã e Paige ainda não havia vindo me importunar. Logo trabalho surgiu, e eu tive de cuidar, mas fiquei caducando por que diabos a Paige não havia parecido hoje. Logo hoje, era sexta-feira! Happy Hour ou whatever.
O dia passou quase como um foguete, e quando percebi, já estava recolhendo minhas coisas para voltar para casa. Paige, por acaso, não havia aparecido; e que eu soubesse ela não estava doente. Chay e Thur me encaravam daquele jeito 
starring eyes, que me deixava mais tonta que cadela no cio. Arrumei minha maleta e fui embora meio indiscriminada, apenas olhando para o rosto dos dois, sem graça, tentando dar o ar de chefe manipuladora, mas que parecia não dar certo já que ambos continuavam me olhando como objeto de desejo.
Dei as costas e fui para casa, mas com a certeza de que algo estranho estava acontecendo.

Thur Aguiar POV 

A festa de Inauguração.
O lugar em que eu me encontrava tão imenso que meus olhos se perdiam em onde olhar. Paige, ao meu lado, observava tudo com um olhar triste e ao mesmo tempo encantado. Eu não pude evitar de agir estranho depois de, simplesmente, digitar o nome de Lua e teclar 
enter no Google. Ela tinha um passado tão... Triste e sem graça. Como pude deixar o nome de uma garota - agora mulher - como ela passar despercebido? Ela devia ter escolhido a Inglaterra pelo motivo específico de que poucos reconheceriam-na. Encontrei, no Google, várias entrevistas com ela, sobre a morte de seus pais. Como podiam culpar uma menina por um incêndio de tal dimensão? Chegava a ser sádico.
Sentei em um dos milhares sofás que estavam espalhados pelo salão. Era de uma armação de metal e coberto com couro vermelho, e confortável daquele jeito em que a gente acaba engolido pelas almofadas. Um garçom passou, e me ofereceu uma bebida - que eu nem sabia o que era, mas aceitei. Paige também pegou uma bebida. Nós mal estávamos nos falando, apenas cumpríamos com as ações devidas. Uma banda já estava no palco, mas havia apenas música eletrônica tocando alto. Reconheci logo o vocalista que ajeitava o microfone, era apenas uma sombra, mas ninguém dava para diferenciá-lo sabendo das três bandas principais que iam tocar. The Strokes, Muse, Garbage; nessa ordem.
Logo o salão lotou, celebridades brotando do inferno, mas os fotógrafos e paparazzi ficavam apenas do lado de fora. Ou seja, lá dentro, eram todos frutos de seus trabalhos, sem mais nem menos; e nem adiantava mostrar a calcinha, ou esquecer de usar camiseta. Muitos adotaram o estilo dos Jetsons, a família do futuro, outros escolheram algo mais como os uniformes de Star Trek, ou daqueles super-heróis do futuro.
Foi então que uma 
spotlight focou no palco a figura de uma mulher ao lado do Casablancas. Eu mal podia acreditar que a conhecia.
O vestido preto e indecente me fazia abrir a boca e fechar sem parar. É claro que metade da festa estava usando preto, prata, ou coisa brilhante; mas só ela conseguia ficar daquele jeito indescritível. Eu não sabia se era a excepcionalidade das curvas do seu corpo, do modo que os seios fixavam-se no tecido, e por pouco não apareciam por completo. O modo em que ela esbanjava uma jovialidade, vestida em puro preto e prata, com os cabelos presos de lado e mais curtos do que o que eu conhecia. Seus lábios estavam com um batom tão escuro, porém tão bem desenhado ao seu arco de cupido.
Lua pegou o microfone enquanto colocava o braço ao redor dos ombros de Julian Casablancas, ele que pôs também uma mão em sua cintura. Se eu não tivesse certeza de que ele era comprometido, estava pronto para marcar território. A outra mão de Lu tocou o telefone, e estava com algum tipo de luva de metal em sua mão, como de um andróide, só que com um brilhante vermelho escrito London Music, piscando sem parar.
- Boa Noite, ladies and gentlemen. - e na simples frase, a multidão de VIP's gritou e aplaudiu. Ela sorriu, e eu quis parar o tempo. - Espero que estejam bem acomodados para receber nossos convidados musicais. Eu sou Lua Blanco, a nova presidente da London Music - e foi só ela falar o próprio nome que as pessoas gritaram ainda mais. Parece que ela havia feito algo com seu nome além de "A menina que sobreviveu ao incêndio da própria casa". - essa festa está sendo patrocinada pela Apple, Clínica Blanco para pessoas com câncer, Hotel 41...
Não conseguia mais prestar atenção no que ela falava, só nos gestos, no corpo, nos seios... Era inevitável! Apenas me toquei de que o mundo ainda girava quando a voz dela parou de soar ao microfone, e o Julian Casablancas assumiu, começando a cantar um dos greatest hits da banda, You Only Live Once.
- Thur, você está OK? - perguntou-me Paige ao meu lado.
- Estou ótimo. - menti, encarando-a.
- Sei... - ela fez careta. Foi aí que eu finalmente descobri porque Lua enchia tanto o saco para que eu namorasse alguém, comprometesse, qualquer coisa. A primeira lição da minha vida foi quando Chay falou-me, finalmente, sobre Emily. Era mais ou menos como naquela música que os Strokes estavam cantando.

Ooooooo-ooooo-ooooooh
A man don't notice what they got (Um homem não percebe o que tem)
oh Women think of that a lot (Oh Mulheres pensam muito nisso)
One thousand ways to please your man oh oh (milhões de maneiras de agradar o seu homem)


Que melhor jeito Emily poderia agradar Chay senão adiando o sofrimento que ele poderia vir a sentir quando soubesse que ela estava doente, entre vida e morte. Como eu não percebi quem tinha em mãos, quando achei que apenas o fato de ter me apaixonado poderia fazer com que tudo desse certo? O amor é muito mais do que o mero ato de se apaixonar: é saber, conhecer a parceira. E esse foi o meu erro.
E eu vou lhe dizer que lição eu aprendi com Lua Blanco.


Creditos: Fanfics Obession

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