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sábado, 3 de maio de 2014

Boss 2

CAPÍTULO 8 p.2- TRIO, TRINDADE, TRÍPLICE


Depois da seção maricas que nos fez entornar o resto da garrafa de whisky, acabei por forçá-lo a entrar no chuveiro e tomar um banho. Ele já estava tão bêbado que nenhuma palavra que falava fazia sentido, mas ainda assim eu não conseguia parar de rir. Pelo menos, com toda a depressão que ele teve, não retornou às drogas. Era muito fácil consegui-las, viciar-se... Mas pelo menos isso ele soube parar. Eu consegui que ele retirasse aquele anel do dedo, aquele ridículo com um "I love you forever", que ele clamava ser a frase de Emily que ele por tanto tempo ignorou. Com o bebê Suede limpo e dormindo, restou-me vagar por aquela casa, tocando nos velhos pertences de Emily como se cada objeto ali fosse capaz de me trazer uma lembrança. Era verdade, tudo aquilo me trazia uma lembrança, era inevitável.
Sentei no sofá e ali me deitei, olhando tudo ao meu redor. Foi então que eu o vi. O diário de Emily, na pequena mesa de centro. Eu não resisti:

"Chay, se você estiver lendo isso, por favor, perdoe-me. Perdoe-me por ter sido a teimosa que fui, perdoe-me se omiti algo, perdoe-me por qualquer erro que cometi. Mas, acima de tudo, perdoe-se. Eu sei que estou com um pé na cova, mas eu ainda não morri. E, mesmo que isso aconteça, eu sempre vou estar viva, em todas as lembranças as quais você puder recordar. Emily Summers, março de 2009."

A letra era praticamente rabiscada, as bordas do caderno sofreram de amassos, provavelmente pelas mãos rudes e ignorantes de Chay ao folhear aquele diário. Eu virei a página, receioso do que estava por vir.

"Hoje é 17 de maio de 2008.
Eu estou com câncer. Fui a um oncologista hoje, Dr. Theodor é o seu nome. Um homem bom, idoso, de aparência sábia, quase um ancião. Eu consegui ter confiança nele para prosseguir com os exames. É o meu fígado. Dr. Theodor disse que com uma seção de quimio eu possa melhorar, porque as células não entraram em metástase. E aí, depois, é continuar com o tratamento. Vou ter que me retirar por seis meses.
Menti para Thur e Chay. Eles não precisam saber que estou doente. Nunca tiveram que se preocupar comigo, e não vai ser agora que eu irei preocupá-los. Eu os amo demais para fazer algo assim com aqueles corações moles. Amanhã partirei para o Hospital, tenho de fazer o tratamento o mais rápido possível."


Foi então que entendi a razão para aquele diário: o câncer. Ela começou a escrever assim que descobriu.

"Hoje é 18 de maio de 2008.
Eu acabei de ser internada. Odeio essas paredes brancas de hospital, e esses cobertores de poliéster malandro. Já estou trabalhando na costura de um cobertor de verdade. É azul marinho, com detalhes em branco, bem quentinho. Dr. Theodor deve chegar a qualquer momento, e até agora eu só tive essas enfermeiras doidas me drogando e me deixando nua. Ficar nua é uma coisa estranha, mas gostosa. Sabe, estou me sentindo livre! Freedom at the Hospital!"


O cobertor que ela dizia estar costurando, eu o conhecia. Chay acabou de se cobrir com ele. 
Dear God. E Emily, quando criança, costumava correr de calcinha pela casa. A mãe dela ficava tão irritada. "Emily Summers, Thur vai te ver sem camisa!", era o que a Senhora Summers dizia; "Thur não gosta de meninas, mãe. Ele só gosta daqueles bonecos retardados.", Emily explicava. O quê? Por acaso você gostava de meninas quando tinha onze? Eu jogava bola e brincava de boneco. Só que tinha umas meninas na minha sala... Elas eram loucas.
Continuei a ler o diário de Emily, o qual ela reportava cada segundo dentro e fora do hospital. Como ela voltou, como ela mentiu bem, como ela escondeu os seus sentimentos de Chay por causa de Mel. Era de imaginar que fosse tão triste. E Mel, ela fazia o papel de Paige, e só agora, lendo esse maldito diário, eu conseguia imaginar como Lua poderia estar se sentindo. "You can hurt me, I can hurt you"; ela queria mostrar algo de, quem sabe, mesma intensidade quando ficou com Chay. Mas depois do que Emily escreveu... Eu não sei exatamente o que há com as mulheres, essa válvula de sensibilidade que elas guardam em si. Porém, eu tinha certeza de que até para uma mulher como Lua Blanco, eu poderia tê-la machucado mais do que eu jamais poderia ter imaginado.
Foi então que li algo que me chamou atenção naquele diário. 
Ela.

"Hoje é 3 de setembro de 2009.
Lua Blanco, quem poderia saber que ela era aquela Blanco. Eu não resisti, coloquei o seu nome no Google; porém, eu não esperava que tantos resultados piscassem em minha janela. Lua Blanco era a única sobrevivente de um incêndio que matou a sua família. E, a família Blanco, era da famosa clínica especializada em câncer. A clínica cuja filial eu fui internada, aqui em Londres. Por isso ela sabia aquilo tudo! Que outro modo ela poderia saber que eu estava com câncer? Que outro modo ela poderia saber tratar uma mulher que havia acabado de sofrer aborto tão bem? Como ela poderia definir meu câncer só de me examinar tão rapidamente?
Havia muitas informações sobre ela no Google. Prêmios que ganhou, por ser esportista, outros por ser geek demais. Mas a imagem que mais me chocou, foi dela, como uma criança, com uma enorme cicatriz na costela e o rosto cheio de fuligem. A manchete dizia: 'A herdeira Blanco escapa de incêndio intencional na mansão.'
Não sei mais o que pensar dessa mulher, por mais que ela me pareça com uma veterana de guerra. Ela mente sobre a vida que levou. E como pode uma herdeira Blanco, de repente, trabalhar para dois marmanjos como Chay e Thur, numa posição relativamente simples em comparação ao dinheiro que sua família possui?
Muitas vezes ouvi ela dizendo que não suportava mais fugir. Então deve ter sido isso. Ela fugiu. Eu não quero mais saber da vida dela. Não quero mais saber dela. Porém, o que eu quero é que ela saia desse triângulo amoroso, antes que ela saia mais machucada que eu. Alguém como ela não merece algo assim. Eles tem de viver, os três, separados. Esse é meu último pedido. Merda, o papel acabou." 


O que Emily queria era que, simplesmente, Lu não se machucasse mais. A história de vida daquela garota, hoje uma mulher, pareceu chocá-la de tal forma que foi impossível evitar protegê-la. Eu queria ligar o computador, digitar seu nome no Google também e saber o que diabos Emily sabia e eu não. Porém, algo me ocorreu. As palavras de Chay. Se eu precisava conhecer Lua, estava mais do que na hora de lhe perguntar a verdade. O problema, porém, era uma única coisa: coragem. 



Creditos: Fanfics Obession

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