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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Me Apaixonei Por Um Idiota

Capítulo VII – This is Me  Últimos Capítulos




Dormi ouvindo Queen e acordei ouvindo Nick Carter. Ah, e o Arthur tocando o interfone como um doido.


Calcei meus chinelos, estava frio e o chão congelando. Coloquei a primeira roupa que encontrei, tirando meu pijama. Coloquei minha blusa de frio velha e surrada, indo até a porta da frente. Demorei mais uns 5 minutos para encontrar a chave, e o idiota não parava de tocar o maldito interfone. Eu não estava vendo a hora que aquela merda queimasse e ele parasse de tocar.


- Você me odeia não? - estreitei os olhos, devido à claridade.


- Eu disse que te levaria em algum lugar. - ele já estava na varanda.


- E quem disse que eu concordei com isso?


- Vamos logo. - ele começou a me puxar.


- Está louco? Deixa eu me trocar primeiro. - me soltei dele e virei as costas. - E você fica aqui fora. - mandei um beijinho e ri, entrando e fechando a porta.


~*~


Só depois de me vestir que fui olhar o relógio e... 8:00 da manhã! Ah eu mataria ele, e ia ser hoje.


- Você viu que horas são? - abri a porta gritando, assustando-o. - Oito da manhã Arthur! Oito horas da manhã!


- Eu sei. - ele se levantou assustado com minha gritaria. - Se acalma.


- Você não poderia me levar nesse tal lugar aí mais tarde? Além de fazer eu levar uma suspensão ainda não me deixa dormir! - eu continuava gritando.


- Você vai parar com essa histeria ou eu vou ter que te calar com um beijo? - ele abriu um sorriso malicioso, o que me deu uma vontade de arrancar a cabeça dele e dar para os cachorros.


- Eu não sou histérica! - gritei uma ultima vez e respirei fundo. - E vamos logo.


~*~


- Você não vai me contar onde estamos indo? - já havíamos andado algumas quadras, e ele estava completamente em silencio.


- Você logo verá.


Viramos uma esquina e ele então parou, olhando para uma casa em específico.


- Você fez esse mistério todo para me trazer à sua casa? - coloquei as mãos na cintura, indignada.


- Como você sabe que eu moro aqui? - me olhou espantado.


- Sabendo. - falei baixo.


- Enfim, aposto que você nunca viu o que eu irei te mostrar. - ele abriu o portão, me dando passagem.


~*~


Ele me levou ao seu quarto e... eu fiquei boquiaberta. O quarto estava lotado com pôsteres de bandas de rock e heavy metal, CDs espalhados aos montes, uma camisa do Metallica jogada em um canto. Aquele quarto mostrava um lado completamente diferente de Arthur. Em toda parte ele se mostrava "idiota": músicas ridículas e modinhas, seu estilo de bermuda, chinelo e boné aba reta, um típico "maloqueiro". Pegava todas as menininhas, tinha a fama de gostosão. E eu estava confusa.


- Como... - eu o olhei perplexa.


- Você não queria saber quem sou eu de verdade? Este sou eu. - ele apontou para o quarto, me convidando a entrar.


- Jamais... - eu estava assustada, espantada e todos os adjetivos que se encaixam em uma situação em que você descobre que uma pessoa não é o que ela diz ser.


- Jamais imaginou que eu fosse um rockeiro? Eu sou. - ele se sentou sobre a cama, jogando algumas roupas pro lado.


- Por quê? - me sentei ao lado dele, ainda olhando todo o quarto.


- O quê?


- Por que você finge ser quem você não é? - ele suspirou ao ouvir minha pergunta e eu o encarei, esperando a resposta.


- Às vezes temos que fazer mudanças para nos encaixarmos em determinado local.


- Você banca o babaca só para agradar os outros babacas? - eu estava indignada, novamente.


- Eu não tenho orgulho disso. - ele estava de cabeça baixa.


- Não deveria ter mesmo. - me levantei, falando em um tom mais alto. - Isso é completamente... ridículo! Você tem vergonha de mostrar quem você é...


- Eu não tenho vergonha. - ele falou duro, voltando a me olhar. - Eu apenas quero fazer amigos, e você sabe que não tem muitos do meu tipo por lá. Então tive que fingir ser um idiota, como eles.


- É por isso que eu prefiro ficar sozinha ao me render aos gostos estúpidos daqueles imbecis. - fui saindo irritada do quarto e tropecei em um livro. Freud.


Olhei em uma estante. Saramago, Nietzsche, Machado de Assis, Drummond de Andrade e muitos outros. Havia alguns livros de física quântica e química, e mais alguns de história.


- E ainda banca o burro.


Sai batendo o pé e senti ele em minhas costas, andando atrás de mim.


- Espera! - ele me segurou com força. - Por Deus, porque você faz tanta tempestade em copo d`água?


Respirei fundo, tentando controlar a vontade de espancá-lo. Não entrava na minha cabeça tudo o que ele havia revelado.


- Você vive uma vida de mentiras. - falei calmamente.


- Lá fora. Aqui dentro, dentro do meu mundo, sou eu mesmo. - eu percebi a sinceridade em seus olhos, e suas mãos se afrouxaram em meus braços.


Eu me sentei no sofá, passando as mãos em meus cabelos, enquanto ele continuava de pé, apenas me observando.


- Por que me mostrou isso? Por que eu? - eu o olhei e ele se abaixou, ficando bem próximo de mim.


- Porque você é... diferente.


- Eu sei que sou uma nerd, forever alone, sem amigos e...


- Não. - ele me interrompeu. - Você é verdadeira, não se importa com o que pensam de você. - mal sabia ele que estava errado. - Eu vivo rodeado de garotas se jogando em cima de mim, me querendo, apenas pelo meu jeito, pela minha conversa, ou o jeito que arrumo meu cabelo. Mas você... você não. Você foi a única que quis me conhecer, que não ficou encantada com meu cabelo, ou com meu rosto, ou até meu jeito idiota de ser. - eu ouvia tudo calada, olhando-o diretamente nos olhos. - Eu sempre ficava te observando, você estava sempre ouvindo musica e eu queria descobrir o tipo. Você estava sempre se afastando e eu queria saber o porque. Não sabe como fiquei feliz quando o professor nos colocou para fazer o trabalho juntos, eu finalmente poderia te conhecer melhor. Conhecer a garota que tanto me chamava a atenção.


Eu não sabia o que dizer. Fiquei calada, enquanto ele me olhava. Ele sentiu que eu estava desconcertada e então se aproximou mais, sussurrando: Não preciso que diga nada, só quero que sinta. Ele passou a mão pelo meu rosto e eu fechei os olhos, enquanto sentia-o abrir um sorriso. Voltei a olhá-lo e ele mantinha o sorriso, o sorriso mais lindo que eu já havia visto. Foi a minha vez de me aproximar, e eu toquei em seu pescoço, subindo a mão até o seu rosto, acariciando-o levemente. Senti seu perfume e foi como um antídoto para me deixar boba. Eu estava definitivamente apaixonada pelo idiota que eu sempre pensei que odiava.



autora: sabrina

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