83° Capítulo Antepenúltimo Capítulos
- Por quê? - ela perguntou,
angustiada.
- Porque não quero que nada nos
atrapalhe.
Em vez de alívio, Lua sentiu um
inesperado vazio.
- Não precisava fazer isso - disse,
trêmula. - Eu lhe pagaria cada centavo.
- Não duvido de sua honestidade. - Arthur
afastou-se da mesa e deu um passo na direção dela. - Recusou-se a aceitar meu
dinheiro, Lua. Mesmo em Nova York, não tocou sequer uma nota que lhe deixei.
- As roupas foram apenas pequenos
presentes e você as deixou para trás. Sem falar no cheque, cujo valor
correspondia a seu salário de uns três meses.
- Era uma entrada do dinheiro que lhe
devia.
- Eu o endossei e o depositei em sua
conta. - Arthur tentava controlar seu nervosismo. - É capaz de imaginar como me
senti quando descobri que você tinha ido embora? É?! - gritou, zangado. - Sorte
sua já ser mais de meia-noite e eu não ter como achá-la naquele horário.
Lua emudeceu. Sua respiração parecia
estar presa na garganta. Observou-o passar os dedos pelos cabelos, deixando-os
em atraente desalinho.
- Se fosse mais cedo, acho que a
mataria - constatou em um gesto de ira.
Nesse instante, o telefone tocou.
Zangado, Arthur atendeu à ligação, trocou algumas palavras com o interlocutor,
desligou e voltou a atenção para ela.
Lua parecia delicada como uma taça de
cristal, e Arthur tinha receio de que se despedaçaria com seu mais leve toque.
Sorriu para ela, pegou sua mão e levou-a ao encontro de seus lábios.
Lua estava tão nervosa quanto uma
adolescente em seu primeiro encontro, sentindo-se frágil e ridícula. Vivera com
aquele homem por três meses, dormira, fizera sexo com ele e dividira o espaço
com ele. Então por que, Deus do céu, estava tão agitada?!
- Você confia em mim? – Arthur ...
- É simples, responda "sim"
ou "não" - ele pediu, pousando-lhe um dedo sobre a boca.
Só havia uma resposta:
- Sim - afirmou, em um sussurro.
continua



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