Capitulo 7 Parte 1
"Eu não sabia qeu você era divorciada." Ele abriu a torneira e ficou observando a reação dela enquanto lavava as mãos.
"Não é o tipo de assunto que surge nas conversas toda hora, e eu não gosto de falar sobre isso."
"Foi tão ruim assim, é ?"
Arthur secou as mãos e acendeu o fogo sob uma panela com água. "Quer um vinho ? Uma cerveja ?"
"Uma cerveja cairia bem, obrigada." Lua se sentou em um banquinho ao lado do balcão. "Não foi ruim. Só não foi bom."
Ele pegou duas garrafas long neck na geladeira, abriu as tampas com a mão e pôs uma diante dela. "Faz quanto tempo que vocês se separaram ?"
"Uns dois anos. Deveria ter sido até antes, mas nós dois custamos a aceitar o fato de que não estava dando certo."
Ele segurou a mão dela e deu um leve apertão. "Você detesta admitir que está errada. É por isso que é uma advogada tão boa."
"Obrigada." O elogio fez os olhos dela brilharem. "Tom e eu nunca deveríamos ter casado. Éramos amigo na época da faculdade, e só. Ele é um galinha, eu nunca pensei em nada mais sério. Mas por algum motivo acabamos juntos, e até hoje não sei como nem por quê."
"Por amor ?"
"Era o que eu pensava, mas na verdade acho que só casei porque 'estava na hora', sabe como é ? Tom falou que estava na idade de se casar. Todos os amigos dele estavam casados, e acho que ele se sentiu meio perdido."
"Eu entendo", ele admitiu, apoiando os cotovelos sobre a superfície de granito.
Ela franziu o nariz para ele, e isso fez com que Arthur se lembrasse de que pouco tempo antes estava dentro dela, segurando-a a seu bel-prazer, com liberdade para tocá-la como quisesse. Era a primeira vez que não se esqueceu de sexo logo depois de ter feito. Transar com Lua era um bônus para a relação entre eles, e não o único motivo para os dois se relacionarem. Só faltava transformar aquela relação profissional, que já existia, em algo pessoal. E, era preciso admitir, em geral ele se esforçava justamente no sentido contrário.
"Vocês, homens, também sentem aquela vontade inexplicável de casar ?"
Ele riu. "Como se o nosso corpo estivesse programado para isso ?"
"Pois é"
"Acho que no fundo o que mais conta é a pressão social. Se o sujeito passa dos trinta e continua solteiro, até as mulheres começam a achar que tem alguma coisa errada com ele, caso contrário já teria se acertado com alguém." Ele se virou, abriu a geladeira e retirou os ingredientes com os quais fariam uma salada. Arthur era um cara simples. Um espaguete, uma salada e umas torradas eram a única coisa que ele se sentia seguro para cozinhar.
"Quanto a mim, eu não me importo com o que os outros pensam."
"Isso está na cara."
O tom irônico na voz dela o fez olhar para trás.
Lua estava sorrindo. "Essa história de lista de desejos foi uma péssima ideia, mas sou obrigada a dizer que valeu a pena, só por poder ver você vestido assim."
"Está tirando sarro de mim, é ?" Aquilo era algo que o deixou um tanto apreensivo. Assim como qualquer pessoa sensata, ele não queria fazer papel de ridículo na frente de alguém com quem queria fazer sexo. Abaixado da maneira como estava, com certeza ela estava tendo acesso visual a tudo que seu corpo tinha para oferecer.
"Não." O olhar no rosto dela era caloroso e malicioso. "Na verdade estou até impressionada por você ter confiança suficiente para se vestir desse jeito. Eu não sei se teria coragem de fazer isso."
"Se dependesse de mim", ele se virou com os braços carregados de verduras e legumes, os quais despejou sobre a bancada, "Você estaria só com o gorro. Esse é o meu desejo de Natal."
"Sabe de uma coisa..." Ela começou a girar a garrafa entre os dedos.
"O quê ?"
Ela suspirou. "Pensei que, quando a questão do sexo estivesse resolvida, eu ia me sentir mais tranquila."
"A questão do sexo não está 'resolvida'", ele rebateu, tirando uma faca do bloco de madeira a seu lado. "Pode falar o que você está pensando. Quem está usando um gorro de Papai Noel, um avental e mais nada sou eu, não tem por que você ficar tímida."
"Obrigada", ela respondeu, sem tirar os olhos do rótulo que estava arrancando da garrafa de cerveja. "Não me importa por que você fez isso, se foi só para transar comigo ou não, mas para mim significou muita coisa você ter se dado a esse trabalho."
Arthur parou de cortar o pepino que estava fatiando e olhou para ela. "Não foi trabalho nenhum, Lua. Eu gosto de poder dar o que você quer, de ver você sorrindo."
Ela soltou o ar com força e ficou mexendo na gola da blusa com os dedos.
"Você precisa de ajuda com alguma coisa ?"
Não era muito comum ela ficar assim tão nervosa, mudando de assunto o tempo todo, como se não estivesse sabendo lidar com a situação. Ele sabia que muita coisa havia acontecido entre os dois em pouquíssimo tempo - a foto, a lista de desejos, o sexo. Antes da troca de presentes de amigo secreto, os dois não passavam de colegas de trabalho com uma relação distante.
Pouco tempo depois, eram amantes. Arthur teve pelo menos dois meses para entender o que sentia por ela. Lua só teve algumas poucas horas. Ela só estava pedindo um tempo para pensar, e ele não via problema nenhum nisso.
"Não, está tudo sob controle. Você pode ir ver um pouco de tevê ou coisa do tipo. Daqui a pouco já vai estar tudo pronto."
"Certo. Vou jogar uma água no corpo, então."
Ele apontou para o corredor levantando o queixo. "Primeira porta à direita."
Lua olhou no fundo dos olhos de Arthur por um bom tempo, e sentiu que estava encrencada. Ele não estava com aquela cara de "valeu pela trepada, agora pode ir". Não, ele parecia estar tranquilo e à vontade com a presença dela. E ela estava adorando isso.
De alguma forma, ela conseguiu chegar ao banheiro, onde se apoiou contra a pia e se olhou no espelho. O brilho que havia em seus olhos a fez enrusbecer e fazer uma careta.
Que droga, ela não precisava daquilo, muito menos naquele momento! Se começar um relacionamento não estava em seus planos nem em condições ideais, o que dizer da possibilidade de se apaixonar por um cara cujo prazo de validade estava inscrito na testa, e obviamente não era dos mais longos ? Ela não tinha aprendido nada com sua experiência com Tom ? Pelo jeito não.
Depois que terminasse de jantar, ela iria pra casa. Ambos já tinham conseguido o que queriam.
Estava na hora de pensar em minimizar o estrago.
"Estava uma delícia."
Lua sorriu para Arthur depois de baixar o garfo, sem constrangimento nenhum por ter limpado o prato. Eles já tinham almoçado juntos muitas vezes e, depois de um elogio que ele fez ao apetite saudável dela, Lua deixou de se preocupar em manter as aparências.
"Ou você é generosa demais, ou estava com muita fome." Ele se levantou e tirou o prato dela da pequena mesa de jantar de carvalho. Adornada com um enfeite com pinhas e três velas vermelhas, tinha um aspecto acolhedor e surpreendente. Havia muita coisa que ela não sabia sobre ele, mas queria descobrir. Arthur não era o homem ideal para namorar, mas era um sujeito fascinante, um grande advogado e um ótimo amigo, pelo que ouvira dizer.
Ela o observou enquanto ele se movia pela cozinha, flexionando as náfegas a cada passo. As aparições casuais do pai dele a mantinham com tesão o tempo todo, obrigando-a a comprimir o guardanapo junto à testa úmida. Ele era também um amante carinhoso, mas disso ela sempre desconfiou, e já tinha escutado comentários a respeito.
A vontade de ir embora, que ela sentiu no banheiro, se tornou ainda mais forte.
Estava na hora de ir pra casa.
Ela ficou de pé e apanhou a bolsa. Era falta de educação sair sem nem se
oferecer para ajudar a lavar as louças, mas um pouco de animosidade entre eles viria a calhar.
Capitulo 7 ficou mt grande, por isso tive q fazê-lo por partes. Não deixem de comentar.




+++++++++++++++++++++++++++++++
ResponderExcluirposta mais
ResponderExcluir