Capitulo 06
Capítulo 06
Espaço sempre foi uma coisa que eu necessitei, e quando senti um peso sob meu corpo, em pleno sábado, ao 12h45min. Não fiquei feliz, de fato. Eu pretendia afastar aquele corpo acima do meu com um empurrão, ou um chute, algo assim, mas quando vi o que estava acontecendo, não tive coragem.
Arthur ainda estava do mesmo jeito, com a boca semi-aberta. A cabeça totalmente aconchegada no travesseiro e um leve sorriso nos lábios.
Acompanhei o ritmo da sua respiração. Os movimentos do seu tórax no 'sobe e desce', o ronco baixo. Inevitável não sorrir.
Me levantei com cuidado e fui até o banheiro. Escovei os cabelos e os dentes, então me sentei na poltrona extremamente confortável ao lado da cama e perto da janela.
Eu não conseguia mais evitar sorrir com aquela cena. Ele estava extremamente tentador e me arrancava os piores sorrisos.
Me deitei ao seu lado, e devagar fui passando o polegar sobre seu rosto e lábios. Apoiei minha boca de leve na sua orelha e sussurrei um bom dia, que foi extremamente em vão.
- Acorda preguiça! - Sussurrei um pouco mais alto. Novamente em vão.
Gargalhei baixo e então não vi outra saída para acordá-lo se não fosse à base da covardia.
Admito, ser acordado já seria covardia, com cócegas então, pior.
Devagar, comecei passar meus dedos pela lateral do seu corpo. Ele disse algo incompreensível e mudou de lado. Gargalhei novamente.
Na maior covardia, afundei meus cinco dedos abertos, sacrificando aquele corpo que tinha à minha frente. Sua primeira reação foi um grito de susto, seguido de um xingamento e logo depois ele estava por cima de mim, retribuindo o que eu havia feito alguns instantes atrás.
- Você é muito preguiçoso. - Rapidamente me soltei dos seus braços, gargalhando.
- Mas hoje é sábado. E é covardia me acordar assim. - Ele reclamou se sentando na cama.
- Fiquei morrendo de dó, mas não quis mais ficar sozinha. - Fiz uma cara de dó, inclinando a cabeça pro lado.
- Baixinha, baixinha. - Ele riu, se aproximando de mim e me roubando um selinho. - Você é mais maluca que eu imaginava. - Ele me segurou pelos cabelos, passando seu rosto no meu. E eu não evitava sorrir.
Beijei sua orelha, escorregando os lábios para o pescoço e ombros em seguida.
- thur. - Resmunguei . - Eu não quero ir embora. - Fiz um bico e um sorriso leve, porém transparecendo uma leve tristeza em seguida.
- Não fica triste. - Ele me abraçou forte e beijou o topo da minha cabeça.
- Você não precisa ir pra casa, também? - O olhei e ele ascentiu com a cabeça. - Péssimo. - Afundei minha cabeça no travesseiro, jogando meu corpo pro lado e o encarando. - Te vejo hoje, ou amanhã antes de ir embora?
- Você quer? - Ele tirou uns fios de franja dos meus olhos.
- Quero. - Sorri.
- Então eu te ligo à tarde. - Ele sorriu e me deu um selinho. Levantou, pegou suas roupas jogadas no chão e foi ao banheiro.
Até de costas Arthur era perfeitinho, maldito seja. Injusto. Crueldade.
Fiquei olhando-o entrar no banheiro, enquanto fuçava alguma coisa no celular. Umas 30 ligações perdidas da minha mãe, mais umas 40 da mel. Meu dia seria bom.
Ele saiu rápido do banheiro. Vestido, e devidamente cheiroso. Veio até mim na beirada da cama e me abraçou, me dando um beijo em seguida. Na verdade, foi um bom beijo, se realmente importa saber.
Levei-o até a porta e esperei o elevador. Ficamos com as mãos dadas até o mesmo parar completamente no meu andar, e ele sumir na minha vista.
Fechei a porta do quarto, e como quem entra de um transe, coloquei as duas mãos na boca, abafando o grito e comecei a rir sozinha.
Coisas demais para apenas 24 horas. O que mais me esperava?
Eu esperava um banho e uma roupa limpa, antes de qualquer coisa.
A água do chuveiro era incrivelmente mágica. Sabe aquele banho bom que você estava necessitando há algum tempo? Então.
Não pude evitar sorrir quando me lembrei dele. O jeito, o cheiro, o sorriso. Tudo o que aconteceu ontem. Tudo o que não deveria ter acontecido ontem. Ele mexendo nas minhas coisas e até mesmo o jeito que ele dorme. Suspirei meio alto e comecei a rir sozinha.
Saí do banheiro com a toalha enrolada no corpo, meus cabelos já estavam amarrados. Em questão de minutos me troquei e, definitivamente, em minutos eu me sentia nova garota.
Peguei meu notebook e fui atrás de informações sobre o que eu havia perdido.
Na verdade, nem perdi muita coisa. Só mensagens intermináveis no MSN, e algumas um tanto quanto curiosas no orkut. Não me importei, e também não respondi nenhuma.
Suspenses faziam bem o meu tipo.
Puxei os fones do meu iPod e deitei novamente. Essa vida de quem não faz nada é boa, e eu estava gostando.
Ouvi o toque chato do celular em algum canto. Eu não lembrava ao certo aonde eu tinha jogado ele na noite anterior, então tive que procurá-lo através do som.
Acabei encontrando-o embaixo da cama, com uns três travesseiros em cima.
Não poderia ser diferente.
- Alô!
- Certo. Agora você não escapa. Conta tudo. - Aquela voz ardida da mel do outro lado da linha pipocava em meus ouvidos. A voz da curiosidade.
- Bom dia, amor. Eu tive uma noite ótima. Não tomei café ainda, só ban...- Eu ia dizendo até se interrompida.
- Eu to falando sério. Quero detalhes de tudo.
Não pude evitar cair na gargalhada com toda essa situação.
- Eu não deveria dizer nada na verdade, mas... - Cruzei as pernas em cima da cama e deitei com a barriga pra cima, encarando o teto - Mas é que foi tudo tão bonitinho que eu não quero mais voltar pra casa. - Mordi minha boca.
- O garoto é bom assim então? - Ela praticamente gritava.
- Não! - Disse um pouco alto. - Não é só isso. É que tipo, ah! Você sabe, poxa. - Suspirei. - Você gosta dele. Hm. - Aquele tom de deboche que eu odiava.
- Não gosto nada. - Peguei uma almofada e taquei com força, atingindo a porta do banheiro. - Ele é só... como eu posso dizer.... ahn... fofo. - Gargalhei.
- Cara, eu queria ser uma mosca pra ver tudo isso. Porra! Nunca mais faz isso comigo. Próxima vez você m... - Ela ia falando e eu a interrompi.
- Não vai ter próxima vez. Certo? - Suspirei.
- Como não? Não tá bom? Se ta bom, tem que ter de novo.
- Não é assim que as coisas funcionam. Foi só uma noite. - Suspirei encarando a cortina que era levemente balançada pelo vento. - Foi uma noite ótima. Pode ser que hoje também seja, mas amanhã tudo isso acaba. Não sei como vai ser. - Mordi minha boca, e novamente uma onda de tristeza tomou conta de mim.
- Não pensa assim, amor. Desculpa ter dito qualquer coisa. Então aproveita hoje. Depois conversamos. Eu te amo, e se cuida. E ah! Não esquece a camisinha. - Começamos a rir juntas, então desliguei o telefone.
Me virei de bruços na cama, coloquei o travesseiro por cima da cabeça e fiquei pensando no quão bom estava sendo tudo isso. E no fim que isso levaria. O cheiro dele no travesseiro me invadiu por completo, sorri, não evitando dormir. Ou ainda havia dúvidas?
Autora:Bruna Tavares
(POP)



Muito bom
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