CAPÍTULO 13 p.1-
CHEFE
- Louis? Quero o Senhor Chay Suede aqui no escritório. A-go-ra. - falei ao telefone, completamente tomada pela ansiedade e a agonia que estava o escritório da London Music naquela tarde chuvosa. Segunda-feira estava tomando a minha alma, fazendo de mim uma verdadeira chefe - e das chatas.
Em meio a tantos romantismos entre eu e o belo Senhor Aguiar - que aqui perto tomava um café para manter-se acordado -, acabou também que eu não havia tido aquela conversa séria. Não era exatamente uma DR, estava mais para uma ordem direta com direito a chantagem emocional. Mas enfim, eu não podia tratar daquilo em horário de trabalho, principalmente com as coisas simplesmente borbulhando pós inauguração da revista. Novos contratos, patrocinadores, requisições de ações; muita gente investindo na renovada London Music.
Ouvi um bater na porta de vidro.
- Entre. - eu disse, dobrando as pernas de botas Blueberry. Levantei o olhar já sabendo quem era. - Chay, por favor, sente-se.
- Sim, chefe. - ele respondeu. Seu rosto estava um misto de ressaca e beleza. Uma ironia. Chay sentou-se na cadeira à minha frente e passou a me encarar.
- Pois bem, aqui venho discutir um assunto muito sério com você.
- Olha Lu, se for porque você voltou com Aguiar, eu sei, sempre soube que isso ia acontecer e que eu ia me fuder no final. E além do mais, eu...
- Suede, cala a boca e vigie esse palavreado. Eu não vim aqui falar de assuntos pessoais meus, vim falar de você para você. - disse eu séria, revirando alguns papéis na minha mesa.
- O quê?
- Seu rendimento está péssimo. Se não fosse pelo pessoal que trabalha para você, Chay, meu dinheiro ia por água a baixo, porque você simplesmente não está administrando o capital da empresa como deveria. - Vi Chay abrir a boca para falar, mas interrompi a sua própria respiração. - Eu não sei como você se sente sobre as coisas que aconteceram com você. Eu nunca perdi o amor da minha vida, ou sei lá o que você e Emily eram; mas você precisa superar, ou vai perder tudo que conseguiu até hoje.
Ele me olhou confuso, naquele olhar desolado que geralmente dirigia-se ao horizonte, mas hoje fixava-se em mim.
- Eu já perdi tudo. Perdi minha revista, perdi Emily, perdi você... Eu não to mais nem aí. Eu não...
- Chay, primeiramente, você não me perdeu, e nunca vai perder. Porque você sabe que eu fui sua apenas por uma noite, e sabe que aquilo terminou onde começou. Sabe disso, mas não aceita. Eu posso não ser seu amor, mas eu sou, depois de sua mãe, a mulher de sua vida. - joguei uma papelada em sua frente. - Eu estou te transferindo à diretoria de London Music NY.
Suede arqueou as sobrancelhas.
- É isso mesmo, querido. Você precisa sair desse mundinho, precisa respirar novos ares, conhecer outras pessoas. Sair de um lugar onde tudo está ainda muito recente. Quando quiser voltar, pode voltar. Mas o negócio é que eu não confio em ninguém mais para dar parte da empresa.
- E o seu tio?
- Meu tio é estelionatário, está vivo porque eu aceitei tê-lo de volta, e porque... Você não sabe como é bom o gostinho da vingança, fazendo-o de meu capacho. - sorri-lhe.
- Lu eu...
- Aceita, eu sei. Toma uma caneta. - pus a caneta sobre o bolo de papéis.
Olhei para ele passando a confiança que nem eu mesma sabia se existia em mim. Eu precisava que Chay se distanciasse daquilo tudo, não conseguia vê-lo sofrer nem por mais um segundo. Eu sabia que, se ele fosse para NY, ele teria alguma dificuldade no começo; mas um homem lindo e charmoso como ele não poderia fracassa de tal maneira, e ainda em Nova York!
Uma parte do meu consciente dizia que eu estava sendo egoísta, porque tinha escolhido ficar com Aguiar, e por isso não conseguia ver a tristeza do outro lado da moeda. Porém, por mais que aquele sentimento existisse, eu não poderia ignorar que tinha de salvar Chay de si mesmo. E essa era a maior das minhas prioridades.
- Será que eu não posso... Pensar nisso e te responder depois? - pediu Chay com um olhar de misericórdia. Ele parecia aflito e confuso, era apenas tais sentimentos que expressavam as suas feições.
- Você tem até sexta-feira. E não se preocupe, nós vamos à Nova York. Estou planejando essa viagem já há algum tempo; e não vou simplesmente largar meu melhor amigo do outro lado do oceano. - falei a ele, com um tom mais amigável e menos duro.
- Você vai comigo?
- Sim. Eu, você e Louis.
- E Thur? - perguntou ele, e eu pude sentir um súbito de esperança em suas palavras.
- Ele pode ir se quiser. - falei rapidamente, tentando não me manter no assunto. - Aliás... Seria ótimo que ele fosse.
- Por quê? - Chay arqueou belamente uma das sobrancelhas.
- Acho que está na hora de visitar meu passado também... - comentei, deixando meu olhar vagar pelo horizonte, e a minha mente, pelo pretérito imperfeito. - Enfim. Há bastante tempo até essa viagem, eu só queria que decidisse logo para que eu pudesse dar entrada na papelada. E também tem aquelas outras milhões de coisas que vão ser consequência de sua promoção. Por exemplo, onde vou arranjar um novo administrador? - bufei. - Esse emprego me mata.
Ouvi uma risada abafada pela parte de Chay enquanto eu juntava a papelada da minha mesa.
- Você nunca fez o tipo organizada. - ele me comentou, agrupando ao menos os papéis de seu contrato.
- As coisas costumam mudar. Mas eu sou mais organizada que muita gente!
- Thur não é parâmetro, Dona Lua.
- Então esquece meu último comentário. - rimos. - E não me chama de Dona. - falei repentinamente séria, matando-o com um olhar.
- Sim, Senhora!
- E nem de Senhora, que eu não sou sua mãe.
- Sim... Senhorita!
- Assim tá menos mal. Mas eu prefiro quando me chamam de chefe.
- Sim, chefe! - ele disse, rindo como não parecia fazer há muito tempo. Aquela risada do tipo que ecoa pela sala, aquela risada gostosa que vem do fundo do coração; aquela risada sincera, que a gente ri por besteira, mas que faz um bem para a alma. Um bem tamanho a ponto de deixá-la cor de rosa: La vie en rose. (A vida cor de rosa)
Encarei a face - finalmente - feliz de Chay, e deixei escapar um sorriso bobo. Num lapso de responsabilidade por estar no trabalho, toquei a sua mão.
- Eu quero ouvir mais risadas como essa. - disse-lhe, sem forças para encarar os olhos assassinos. Olhei a sua mão, com algumas tatuagens sobre os dedos, e um único anel em prata que sempre me intrigava, desde a minha volta à Londres e aos meus chefes.
- Emily.
Quando ele falou aquele nome, qualquer sensibilidade ainda presente no meu corpo simplesmente se dissipou. Que porra de Emily!?
- Você não vai dizer que não vai assinar contrato por causa de...
- O anel. Foi Emily que me deu. - ele disse com um sorriso fraco.
Creditos: Fanfics Obession
Desculpe não ter postado ontem (Domingo) so que sábado fui a uma festa no sitio e no domingo ficamos por lá mesmo so chegamos de noite!



gosteiiiiii
ResponderExcluir