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domingo, 25 de maio de 2014

Wake Me Up - Capítulo 3





Meu mundo parou por alguns segundos, e se dependesse  de mim eu não sairia do meu transe interno nem tão cedo. Fui chamada de volta à realidade pela voz da mulher que falava comigo.


- Senhorita Blanco?
- S-sim?
- Irei passar-lhe o endereço do hospital onde sua mãe está. Preciso de mais algumas informações, sente-se bem para me dar agora?
- Não. Ligue-me depois, mas agora eu não posso, desculpe.


Desliguei o celular e fitei o chão. Meu pai havia morrido. Mas que porra é essa? O meu pai, meu herói, meu refúgio, minha fonte de sabedoria, minha felicidade... Fiquei de frente para a parede e soquei a mesma com toda a minha força, mas me arrependi logo depois quando senti minha mão latejar. Gritei. Provavelmente acordei um ou dois vizinhos, mas quem se importa? Me encostei na parede ao lado da minha cama e escorreguei, deixando meu corpo chegar até o chão. Fitei mais uma vez a parede e relembrei dos momentos que passei com ele. A minha infância, minha adolescência... E agora? 
Passei as mãos embaixo dos meus olhos afim de retirar o excesso de água por causa das lágrimas e fui em direção ao meu guarda-roupa. Peguei uma calça jeans clara, a primeira blusa que achei e pus uma sapatilha que estava ao lado da minha cama e chamei um táxi. Assim que ele chegou eu fui até o hospital. Eu estava sofrendo, claro, mas eu não poderia continuar em casa chorando como isso fosse adiantar alguma coisa, minha mãe precisava de mim.
Cheguei ao hospital e falei com recepcionista. Ela me indicou o quarto que a minha mãe estaria e então eu fui até lá.
Assim que eu cheguei ao mesmo eu tiver que por a minha mão na boca para não gritar. Mais algumas lágrimas percorreram meu rosto e eu fui até a sua cama. Pus-me ao seu lado e passei minha mão sobre seu rosto. Vê-la cheia de aparelhos e tão pálida me dava um medo tão grande que eu pude ter certeza que eu nunca sentira antes. Acariciei sua face e comecei a chorar novamente.


- Ela está em coma. Por que não conversa com ela? - uma voz me chamou ao longe e eu dei um pequeno pulo de susto. Olhei para trás e pude ver um homem um tanto alto de cabelos negros me fitando.
- Do que adiantaria? Ela está de coma, como você mesmo disse, não vai ouvir - falei, agora fitando a minha mãe, que no momento era o que mais importava.
- Dr. Arthur, prazer. E você é a…
- Lua Blanco.
- Hum… Então, Lua, é aí que você se engana. As pessoas em coma podem, sim, ouvir o que é dito, até ajuda na recuperação. Por que não tenta?
- Depois…O que veio fazer aqui? - perguntei e ele deu uma risadinha anasalada. Pergunta idiota! Ele é o médico, ele pode vir aqui a hora que quiser para fazer milhares de coisas! Mas, como eu já tinha realizado a besteira, resolvi espera pela resposta dele.
- Eu vim aqui para conferir como ela estava. Me avisaram que você estava aqui, preciso de umas informações dela, vá até a recepção depois, por favor…
- Tudo bem. - respondi e o vi sair daquela sala branca e sem vida, deixando-me praticamente sozinha.


Olhei, mais uma vez, para a minha mãe e passei a mão pelos seus cabelos. Olhei para sua face e braços e percebi que estavam um tanto machucados. Faixas, curativos e roxos nas pele pálida era tudo que eu conseguia ver. Chorei mais vez...


- Mãe… Por favor, acorda! - gritei. - ACORDA, POR FAVOR! NÃO ME DEIXA SOZINHA NOVAMENTE. POR FAVOR, NÃO!


[ … ]


Acordei num quarto branco igual ao que eu estava há um tempo atrás. Olhei em volta e vi Sophia e Harry sentados em poltronas que estavam ali, ao lado da janela. Tentei chamar alguém, mas minha garganta doía, era quase impossível falar. Olhei para Sophia e rezei para que ela desviasse seu olhar do chão e olhasse para mim, mas não foi o que aconteceu. Bufei irritada (ou pelo menos tentei) e foi aí que eles perceberam que eu estava acordada. Harry olhou para Sophia e ela veio até mim.


- Está bem? - ela perguntou. Neguei, sentindo-me incapaz de pronunciar algo por causa da minha dor na garganta.
- Vou chamar o médico. - ouvi a voz de Harry, e então pude perceber que ele estava ao lado da minha cama. Mais alguns minutos de silêncio entre eu e Sophia (já que Harry tinha saído para chamar, provavelmente, Arthur) e então ele finalmente chegou.
- O Dr. Thompson não pode vir, mas não se preocupe, eu sou tão bom quanto ele - brincou um pouco, talvez para retirar o clima meio tenso que havia instalado-se ali. - E então, Lua, o que sente?
- Minha… garganta. - fiz um esforço para falar, mas logo me arrependi ao sentir minha garganta arder.
- A enfermeira em breve estará aqui. Tente não falar muito, ajudará.
- Por que… eu…
- Está aqui? - ele interroumpeu-me. Assenti. - Você teve uma crise de raiva, você gritou e jogou umas coisas no chão. Tentamos te acalmar, mas você só chorava e gritava. Tivemos que te colocar pra dormir.
- Desculpa… - murmurrei.
- Sem problemas, você só derrubou uma poltrona e quebrou uma vaso, nada demais. Ainda hoje terá alta, passarei alguns calmantes para você. Não se esqueça de passar na recepção… Ah, algum de vocês dois pode vir aqui comigo rapidinho? - Arthur perguntou e Sophia o seguiu, saindo segundos depois.


****


POV Narradora


- Sophia, certo? - Arthur perguntou para a ruiva que estava na sua frente.
- Sim… O que houve? A Lua está com algum problema?

- Não… Mas, a mãe dela, ela… Não conte isso para Lua, não agora, preciso que ela acostume-se um pouco o estado da mãe dela. Se dermos esta notícia agora a sua reaçao será bem pior do que a esperada… - ele disse e suspirou, passando as mãos pelo cabelo. Parecia nervoso, muito nervoso.

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