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terça-feira, 27 de maio de 2014

Boss 2

CAPÍTULO 13 p.2- CHEFE


Respirei fundo, antes que falasse alguma besteira. Eu já estava cheia daquela ladainha com Emily. Ela morreu! Morreu! Foi embora, deu os braços a Deus, Zeus, ou seja lá quem fosse a alma boa que nos guardasse depois da morte. Ela morreu, não estava mais entre nós, pra que viver de alguém que morreu sem deixar sequer um legado positivo? Emily mentiu até quando não pode mais. Emily se drogou até que alguém percebesse, até que seu organismo dissesse chega. E ele, Chay, tinha de venerá-la! Aquilo estava além das minhas atribuições ao amor. Muito além. Eu não conseguia enxergar lógica numa coisa tão cega. Emily morreu, mas a vida tinha de continuar; porque senão, era mais fácil ter morrido junto a ela.
Eu entendia que a gente vivia para sofrer. Era um fato. Fato terrível, mas um fato. Mas a procura da felicidade... É muito mais do que qualquer sofrimento. Essa procura é o que nos faz viver, e ter os nossos melhores momentos; e morrer sem ter que se arrepender por não ter vivido. É isso tudo!
Emily quebrou uma regra natural, e ignorou os próprios instintos de sobrevivência. E Chay... Chay estava seguindo o mesmo caminho.
- Chay Suede. - disse o seu nome com convicção, e atirei o meu olhar para ele sem medo de que ele me respondesse aquele olhar; aquele que faz minhas pernas tremerem. - Encontre um objetivo na sua vida. Escolha algo novo e incrível para viver. Tenha um sonho. Saia dessa vida de passados. - segurei as suas duas mãos. - E diria Edna Moda em os Incríveis: Quem vive de passado é museu, querido, o futuro a gente faz agora.
- Mas...
- Você não precisa de ninguém pra querer ser feliz. Você precisa de si mesmo. E depois, acredite em mim, você vai encontrar alguém que lhe confiará a chave de felicidade e a essência disso que dizem ser... - hesitei -... O amor.
Quando me percebi, estava segurando as mãos dele; e parte ruim disso era que ele havia percebido, e não estava levando aquilo ao sentido que eu desejava. Chay me encarou com aquele olhar sugador de almas, e levantou o canto da boca num sorriso maroto. Eu estava estática, empalhada, e nem sabia ao menos porque não conseguia mover um músculo. Parecia com aqueles pesadelos em que nós gritamos, mas não emitimos nenhum som; que corremos, mas não saímos do lugar. Era enlouquecedor!
- Gosto de ouvir essas quatro letras pronunciadas pelos seus lábios ranzinzas. - ele começou a se aproximar. E eu, enfeitiçada, nada fiz. - Você não tem noção da satisfação que...
Antes que Chay acabasse sua frase, alguém escancarou a porta de vidro; num jeito que eu acreditava ser agressivo, mas era apenas estúpido.
- Wallace.
- Oi Lu! - ela sorriu, entrando no meu escritório como se Chay não estivesse lá. - Trouxe meu currículo. Sabe como é, eu me formo esse semestre, estou precisando de um emprego. A única pessoa que eu conheço capaz de me empregar é você.
- É mesmo, Paige? - perguntei a ela, transbordando ironia. Foi aí que percebi que eu havia saído do estado de congelamento. Soltei rapidamente as mãos de Chay, olhando para ele de forma intimidadora.
- Chay, pegue seu contrato e saia daqui. - disse-lhe com autoridade. Ele me olhou como quem não estava entendendo e eu lhe respondi silenciosa, apenas mexendo os lábios: "Você passou dos limites." Chay sorriu, e também silenciosamente, me respondeu: "Desculpe, chefe."
Não adiantava eu ser autoritária, insana, meticulosa. Eles sempre iam adorar me deixar louca. E quando digo eles, no plural, vocês já devem saber a quem eu estou me referindo.
Chay andou até a porta escancarada, e piscou no maior estilo James Bond, fechando a porta sutilmente ao sair.
- Paige Wallace, sente-se. - disse eu à filha do capeta, que pela primeira vez na vida, fez algo útil. Eu sabia que se ela não tivesse escancarado a porta de maneira estúpida, Chay estaria prestes a acabar com qualquer risco de fidelidade existente entre mim e Aguiar. Seria o fim. Eu não poderia conviver com aquilo. Eu poderia ser capaz de fazer muitas coisas: de maratona Kama Sutra a pular de bungee-jump, mas trair... Não. Nunca. Eu poderia não ser o tipo de pessoa que não dizia 'Eu te amo' com freqüência, podia não ser o tipo que fazia a alternativa Byroniana, entretanto não iria me atrever a quebrar a barreira da fidelidade. Não quando fui eu quem, uma vez, fui A Outra.
- Dê-me seu currículo, por favor. - Eu respirei fundo, pegando o currículo da mão de Paige. Ela parecia um pouco nervosa e estranha; eu realmente não queria contratá-la, mas não custava nada dar uma chance a ela. Bem, na verdade custava sim; só que eu estava devendo uma.
- Aqui, Lu! - ela disse insuportavelmente saltitante.
- Meu nome é Lua.
- Mas Thur te chama de Lu.
- Você me chamará de Lua.
- Mas... - ela continuou, e antes que falasse qualquer coisa, encarei-a num olhar que só uma mula não conseguiria interpretar como "Cala a boca, porra."
Comecei a ler, então, seu currículo.
- Você não tem nenhuma experiência prévia, além de um estágio na Universidade? - perguntei-lhe, arqueando uma sobrancelha.
- Não. - ela falou triste. - Sabe, meu pai sempre foi muito rico, e quando ele... Mudou de casa, eu fiquei para cuidar de minha mãe. Ela é meio neurótica.
- Bem sei disso. - comentei, deixando escapar. Paige apenas riu.
- É assim mesmo. Eu ainda me impressiono de Thur ainda esteja comigo. - Paige disse com um olhar vago. Senti um frio na espinha. Shit. - Digo, minha mãe só falta perguntar que preservativo ele usa; enche o saco dele, já era tempo de desistir de mim, como todos os outros.
- Olha Paige... - suspirei, já sem forças. - Eu acho que tenho como te ajudar. Estou recrutando um time para trabalhar em Nova York, na filial London Music de lá. Já tenho um designer, mas você pode trabalhar com ele, e aí vai adquirir experiência.
- Eu adoraria! E poderia me livrar da minha mãe!
- É... Poderia. Quando você se forma?
- Agosto.
- Então, assim que conseguir seu certificado pode falar com o Louis na época. Já vai estar tudo encaminhado.
- Ah! Obrigada Lu, digo, Lua! Você é muito gentil! - ela disse, pulando na cadeira. Eu sorri sem graça.
Paige era muito... Ingênua. Era isso. Ela era tão ingênua, que mal sabia se portar, mal sabia como escolher as palavras. Falava coisas que não devia a pessoas que não se importam. Eu sabia que estava mandando Paige para longe, mas o que eu demorei a perceber, foi que eu estava mandando-a para o exato lugar que mandaria Chay. HOLY FUCKING SHIT!


O infernal dia acabou. Acabou Chay com seus olhares sedutores, acabaram as ligações da mãe de Paige reclamando por eu ter conseguido um emprego pra ela apenas do outro lado do oceano; acabou a cara assustada do Dominic ao perceber que a festa arrecadou tanto dinheiro que acabou por cobrir as dívidas do mês. Acabou mais um dia de trabalho. Ou ao menos eu achava que tinha acabado. Ao sair do meu escritório, ajeitando minha roupa que estava toda amassada, percebi que ainda havia uma luz acesa em toda a Redação: Thur.
Andei em passos furtivos até lá, ouvindo os meus saltos baterem 
toctoc no chão. Meu coração acelerava só de pensar nele. Eu sentia-o palpitar sob meu peito, e uma leve tremedeira invadir-me. O que era aquela sensação! A qualquer momento eu poderia, simplesmente, desequilibrar e cair: minhas pernas estavam tontas.
- Lu? - eu ouvi a voz de Thur ecoar pela Redação da London Music. Eu queria voar, queria ir mais rápido, mais rápido! Trotei até o escritório dele, mas quando cheguei lá, não encontrei o que desejava encontrar. Não havia ninguém.
- Porra Thur, onde foi que você se meteu? - perguntei com certa fúria. Uma risada ecoou em resposta. Uma risada rouca, brincalhona; a risada dele.
- Thur Aguiar, eu quero te falar uma coisa muito séria! - falei para o nada, andando pela Redação, procurando-o debaixo das mesas. Quanto mais eu me afastava de seu escritório, tudo ficava mais escuro, e eu só via o que estava na minha frente porque usava a luz do celular. - Olhe Thur, eu vou falar logo, porque já estou mais do que atrasada para lhe dizer isso. Eu quero que você acabe com Paige.
- Foi o que eu fiz hoje de tarde. - ele respondeu, fazendo sua voz ecoar, e eu ter a leve impressão de que estava perto da cafeteria/cantina. Continuei a andar à sua procura, ouvindo seus passos furtivos moverem-se junto aos meus, confundindo-me.
- Sério? Não deu tempo nem de eu fazer chantagem emocional. - eu disse rindo.
- Pois é. Saiba de uma coisa. - de repente a voz dele mudou de fonte sonora, parecia vir do outro lado. - Eu não traio.
- Ótimo.
- Metida. - ele riu.
Passaram-se dois minutos em que eu andava e nada de ele aparecer. Merda.
- Aguiar, apareça de uma vez. Isso não está tendo mais graça. Você tem noção do quanto esses saltos machu... - fui interrompida em minha frase por duas mãos grandes que fixaram-se sobre a área dos meus olhos. Um corpo, tão de repente, surgiu atrás de mim, quente. Se eu não conhecesse o perfume que já envenenava o ar, acharia que era um ladrão. Meu coração estava mais acelerado do que antes, e eu respirava ofegante, pela pura adrenalina que tomava meu corpo. E então, sutilmente, eu pus as minhas mãos sobre a dele.
- Não vai perguntar quem é? - ele perguntou, tão perto do meu ouvido que eu poderia ficar surda com a sinfonia que era a sua voz.
- Você...
Why so serious? - Thur disse a frase sussurrada, soltando o ar em meu pescoço. Eu nada consegui fazer, a não ser, sorrir.


Creditos: Fanfics Obession


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