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sexta-feira, 9 de maio de 2014

NOVA FIC : A estranha perdida


Capitulo 1


Prólogo


'Afundei a caneta de ponta fina na folha da agenda inúmeras vezes.
Um dia alguém aprende a querer. No outro, bem, no outro aprende a dar valor nas pequenas coisas que se havia deixado passar despercebido, sabe lá, por quanto tempo.
Aquelas malditas lágrimas continuavam caindo pelo meu rosto. Janelas incessantes do MSN piscando e a minha única vontade era de vomitar o meu próprio estômago. Arrancá-lo com as mãos. Qualquer coisa que o tirasse de dentro de mim seria justo. Eu não estava mais suportando aquela reviravolta.'
 



Capítulo 01


Era madrugada de quinta-feira. Feriado. Nos conhecíamos há algum tempo. E de um jeito um pouco, diferente.
Nos tínhamos, mas não tínhamos, e eu não estou disposta a falar sobre isso. Não agora, desculpa. Mais uma brincadeira idiota, mais uma tentativa absurda de tentar levar alguns conhecimentos mais a fundo do que eu já tinha. Sim, esse era meu objetivo. Conhecê-lo cada vez mais. Saber cada vez mais coisas.
Era um mistério tudo. Na verdade, era confuso demais pra ser entendido. 
Ele mexia comigo de formas absurdas e eu necessitava de mais. Sempre mais. Muito, nunca foi o suficiente pra mim. 
- Só me diz mais uma coisa antes de irmos dormir? - Pedi, sem jeito. 
- Fala. 
- Você me quer? - Prendi os olhos com o medo de qualquer que fosse a resposta. 
- Quero. 
Meu estômago se revirou em milhões de piruetas, meu coração pretendia sair pela boca e eu imagino que meu sorriso nunca tenha sido tão espontâneo e idiota como foi àquela noite. 
Eram 6:15 da manhã. No chuveiro a água caia pela minha pele tensa, me fazendo gemer baixo. Estava frio, chovendo, mas meu sangue fervia, pulsava, me fazia sentir cada vez mais calor. Me enrolei na toalha e em questão de minutos estava devidamente vestida com o pijama de inverno, enrolada no edredom e sentada no sofá, comendo algumas porcarias que encontrei no armário da cozinha. 
Já estava claro, na verdade, muito claro. Então, não restava mais nada a fazer se não ir para a cama, aproveitar o dia. Eu sabia que não nos veríamos hoje, maldito 12 de junho. 
Essa data eu prefiro esquecer. Não pretendo mais comemorá-la. De fato, não irei. Não a partir desse ano. E maldito seja quem falar sobre tal dia comigo, ou perto de mim. 
Mas ainda restava a certeza de que no sábado Arthur seria meu, sim, dia 13 seria o meu dia. 
Antes que pensem, não somos amantes. Não, mas também, isso não importa. 
Sábado à noite e lá estávamos nós dois denovo. Era bom tê-lo ali comigo. Mesmo que seja indiretamente. Mesmo que eu não possa vê-lo ou tocá-lo. 
Foi uma madrugada boa, sim, foi. Nos divertimos como não fazíamos a tempo. 
O único fato desagradável, foi que se por inocência, ou não, me mandaram algo dizendo o quão 'foda' havia sido a sua noite anterior. Certo. Pra alguém, nitidamente 'gostando' como eu estava, saber do que eu soube, não foi legal. Primeira apunhalada do dia. 
O que acontece em 'Neverland', geralmente fica em 'Neverland'. Pelo menos assim que era pra ser. 
Agora, se você quer correr o risco de cair nas graças de 'Wonderland' e ver no que dá, precisa ter cuidado, ou não. 
- Eu não acho certo isso que estamos fazendo, Lu. - Arthur pareceu sério, convicto. 
- E você fala como se eu achasse? - Nesse momento, meu peito se debulhou, estômago revirou e senti lágrimas infernais lavarem todo o meu rosto. - Você me quer tanto quanto eu te quero. Isso é justo? 
- Não é justo. Eu gosto da Giovanna, de verdade. Melhor a gente não pensar mais nisso. 
Senti um tom frio em cada palavra cuspida por aquela janela lilás na tela do computador. 
Tudo que eu sentia de bom foi prensado e jogado fora em questão de, quarenta e duas horas. 
- Eu não quero isso. - Tentei me manter firme. 
- Mas vai ter que ser assim. Vamos esquecer isso. Por favor. 
Eu já não enxergava mais nada. Não sei se pelo sol que já batia na janela e refletia no monitor, ou se as lágrimas já eram tantas que me impediam de tudo.
Fiquei algum tempo sem dizer nada, o que o incomodou. 
- Vai me deixar falando sozinho? 
- Er, não. Só não sei o que te dizer. Desculpa. - Suspirei e apertei meus olhos com força. 
Estava tarde, então decidimos ir descançar a cabeça. Pensar no que havia acontecido. 
Me desconectei o mais rápido que pude e tentei ir dormir. Comi, tomei banho e me afundei na cama. 
Doía. Doía muito. Mas eu não sabia se a dor maior era por saber que pra ele tudo havia sido perfeito, ou se eu não estava disposta a abrir mão do que eu realmente estava sentindo.
Autora:Bruna Tavares
(POP)

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