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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

The Divide

Cap 27


Eu não respondi e também não quis conversar mais. Porque eu sabia muito bem que não importava o que eu dissesse, o Tommy não ia me deixar em paz.

   Quando o avião pousou, nós fomos de táxi até o endereço de Caroline Malvin. Por sorte ainda era cedo, não passava das cinco da tarde, mas minha ansiedade, e curiosidade para saber o que essa mulher tinha pra falar era tanta que eu mal disfarçava a minha apreensão.

   Uma agradável coincidência foi saber que o taxista sabia perfeitamente onde era o local, porque morava a poucas quadras da rua de Caroline, assim, chegamos à casa em menos de meia hora. E era uma bela propriedade, nem grande e nem pequena demais. Toda branca, com um jardim, tal como aquelas famosas casas de filmes americanos.

   Nós pedimos para o taxista esperar por nós, porque ainda teríamos que procurar por um hotel, e não demoraríamos muito com as perguntas...Isso, se ela colaborasse.
Ele bateu na porta algumas vezes, e nada. Talvez não tivesse ninguém lá. Eu já me preparava para dar meia volta, quando a porta se abre lentamente:

                   Caroline: Posso ajuda-los?

   Eu arregalei meus olhos. Ela era uma mulher muito velha, de cabelos totalmente brancos e andar cansado. As marcas de expressão no rosto denunciavam uma idade bem avançada, e eu me perguntei se era ela a vô de Arthur:

                  Arthur: Caroline Malvin?
                  Caroline: Sim. E vocês, quem são?


   Tommy tomou a frente:
                   Thomas: Thomas Hammet e Lua Aguiar.

   Ela neutralizou-se, apertando os lábios, receosa ao escutar meu sobrenome, mas logo abriu a porta, nos dando espaço para entrar:

                    Caroline: Eu sabia que um dia vocês iam aparecer.


Nós entramos devagar, observando tudo o que nos cercava. A casa era linda, clara e arejada, como uma casa de bonecas e eu quis saber se ela morava lá sozinha:

                   Lua: A senhora vive aqui sozinha?
                   Caroline: Sim. Mas as vezes uma mocinha vem aqui para me ajudar com a limpeza. Sou uma mulher velha, jovens, não tenho uma saúde muito boa. – Ela riu e acenou para o sofá da sala, onde nos sentamos. Ela se sentou na nossa frente, na poltrona.
                   Caroline: Bom, vamos direto ao assunto...O que vocês desejam aqui, de fato?


   Ela possuía um ar sereno, relaxado, singelo, como se a nossa presença em sua casa foi programa previamente. E eu não conseguia tirar os olhos de cima dela por um segundo sequer, tentando encontrar as semelhanças entre ela e Arthur. Ela era baixinha, bem branca, de olhos azuis e cabelos cuidadosamente penteados, uma senhora fina e simples ao mesmo tempo:

                   Thomas: Viemos falar a respeito da Família Aguiar.

     Ela fechou os olhos e sorriu novamente, se deleitando com o sobrenome que talvez não escutava a tempos.

                  Caroline: Aguiar...- ela sussurrou.- Esse sim é um nome que eu não escuto a muito tempo. É uma história velha e antiga, acredito que vocês não vão querer ouvi-la.

                 Thomas: Se a senhora não se importar, nos temos todo o tempo necessário.

                 Caroline: Que indelicadeza a minha...Não lhes ofereci nem um café!
                 Lua: Não queremos, senhora Malvin, obrigada!
                  Caroline: Bom, se é assim. Eu conto tudo!





Caroline: Mas antes de tudo, quem são vocês?

              Lua: Eu sou detetive e ele é policial.
              Caroline: Entendo. Esperei muito tempo por vocês, jovens. – Ela riu.- E você mocinha, é uma Aguiar?

              Lua: Sim, senhora.
              Caroline: Sinto muito por isso. É casada com quem?
              Lua: Arthur Aguiar.

   Ela pressionou os olhos em cima de mim, tentando assimilar o que acabara de ouvir, suponho.

             Caroline: Arthur? O pequeno Thur?
             Lua: Sim, o próprio. A senhora o conhece?

             Caroline: E porque não conheceria meu próprio bisneto?
             Thomas: Bisneto???

             Caroline: Sim. Quantos anos acha que eu tenho rapaz? – Ela riu, alegre.
             Thomas: O suficiente para jamais ser chamada de bisvovó! – brincou.

   Ela gargalhou:
              Caroline: Gentileza a sua. Tenho 92 anos de estrada, querido.
              Lua: Uau. Devo dizer que o tempo foi muito generoso com a senhora.

             Caroline: O tempo não. A vida sim! Mas conte-me, como está meu bisneto? Espero que ele tenha se salvado da maldita tradição...
              Thomas: Tradição?
              Caroline: Sim. Como ele está? – ela estava empolgada.- Eu o vi algumas vezes a uns anos atrás por fotos, mas nunca pessoalmente. Talvez ele nem saiba da minha existência.
             Thomas: Ele não sabe? Ele não sabe que tem uma bisavó viva?

             Caroline: Provavelmente não. Quando eu soube quem eram os Aguiar’s , eu dei o fora daquela casa e daquele mundo. Dou graças a deus por estar viva e não me arrependo de absolutamente nada do que fiz até hoje, a não ser por uma coisa...O meu filho.
             Thomas: A senhora deixou a casa e seu filho pra trás?

               Caroline: Eu quis fugir com o meu filho, mas a única maneira de manter Greg vivo era deixa-lo com o pai.


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